Cine Cult: Nocaute

09/09/2015

Nocaute | Nota ★★★★★ (Excelente) | Estreia: 10 de Setembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


Resgatando uma temática muito popular nos anos 90, o atleta que entre em declínio e precisa se provar capaz novamente, o filme Nocaute (Southpaw em inglês) nos arranca lágrimas com cenas ferozes e intensas. O protagonista Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um boxeador invicto que conquista o título de maior campeão peso-médio do mundo. Ao redor dele estão seus amigos, seu empresário Jordan Mains (James “50 Cent” Curtis) e sua família, a esposa Maureen (Rachel McAdams) e filha Leila (Oona Lawrence) de oito anos. Billy possui um estilo de luta muito ofensivo e calcado na raiva, ele deixa o oponente bater nele pra ficar com raiva e então parte para uma ofensiva poderosa que derruba seu adversário.

O empresário de Billy, Jordan, só liga para negócios, grana, e não está nem aí para a saúde física de seu boxeador, coisa que Maureen enquanto esposa faz ir para o lado oposto. Fica claro desde o início que a esposa de Billy consegue fazer surgir o melhor dele, por mais violento e temperamental que ele seja. O amor no lar de Billy, nutrido pela esposa e filha, o dá forças e é o que permite que ele sempre se levante a cada queda no ringue. Surge então um boxeador colombiano, Miguel Escobar (Miguel Gomez), que deseja lutar contra Billy e disputar o cinturão. O roteirista é excepcional em estabelecer que devemos odiar Miguel porque é exatamente isso que acontece, ô carinha nojento! Miguel utiliza do jogo psicológico pra provocar Billy e conseguir uma luta com ele e uma dessas provocações acaba em uma briga com consequências desastrosas. Billy perde Maureen, e esse spoiler é absolutamente irrelevante, a força do filme vai muito além disso.


Sem seu anjo da guarda resta apenas o demônio (sem nenhuma sugestão pejorativa, aqui apenas simbólica) personificado pelo empresário Jordan. Sempre vestido de preto, simpático, calmo e sempre com um contrato cheio de promessas para ser assinado, escondendo, claro, objetivos pra lá de egoístas, Jordan atira Billy mais fundo ainda em sua descida para o fundo do poço. Após perder Maureen ele perde todo o resto, a fama, a casa, a auto-estima e, o principal, sua filha Leila. Billy deixa de ser um boxeador, deixa de ser um marido, deixa de ser um homem e deixa de ser um pai. Pouco a pouco Billy precisa seguir nessa batalha para recuperar seus cinturões, um por um. Para isso precisa treinar e recorre a um treinador que ele conheceu anos atrás, Tick Wills (Forest Whitaker). Forest Whitaker, inclusive, junto a Denzel Washington, Samuel L. Jackson e tantos outros atores negros, é um ator que não faz filme ruim.

Se você não gostar de um filme que tem algum desses atores, ruim é o seu gosto por filme. A trajetória do boxeador, o treinamento, a jornada, o fato de tudo pesar contra o herói e o espectador querer a vitória dele mesmo assim, tudo faz uma sutil alusão ao grande clássico Rocky (1976). A cena onde eles vão anunciar o vencedor da luta final é a que mais lembra o antigo filme, fora a melhor alusão ao longa que é o fato que Billy tem o olho caído, enquanto Rocky tem o lábio caído. O gênero do filme, este crítico classificaria, como “gênero ideal”, que costuma ser o gênero de todos os filmes que possuem roteiros memoráveis, com drama, ação, comédia e suspense na medida certa. Um “gênero humano” por assim dizer, onde a história é real, os personagens são reais e tudo é tão intenso que emociona de uma maneira impressionante.

A direção do filme é impecável, utilizando todos os elementos técnicos para nos fazer entrar na história plenamente e ficar imersos nela até o seu fim. A performance de Jake Gyllenhaal como Billy é algo fora do comum, talvez exista alguma coisa que desperte nos atores que interpretam cowboys homossexuais, uma ultra sensibilidade, sei lá. A verdade que Billy transparece enquanto um boxeador saído dos subúrbios mais humildes possíveis é intensa e tangível. Enquanto lutador ele também convence, intimidando com sua aparência física e seus movimentos, seu olhar intenso. O filme é bem-sucedido em todos os aspectos. Um filme que se não estiver no Oscar ano que vem, provavelmente devemos todos perder a fé na humanidade para sempre. Imperdível.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.