Cine Cult: Férias Frustradas

11/09/2015

Férias Frustradas | Nota ★★★★ (Ótimo) | Estreou em 10 de setembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


Seguindo a tendência dos remakes (um remake é um filme que é uma segunda versão de já bem-sucedido do passado, refilmado e adaptado para o público de hoje), chega para nós essa versão de uma grande comédia de 83, só que sem ser um remake propriamente dito. Os dois filmes falam sobre duas famílias que viajam de férias para um parque temático na Califórnia chamado Walley World. No filme de 83 essa família são os Griswold, os pais Clark e Ellen, e o casal de filhos Rusty e Audrey. Nessa versão de 2015 Rusty (Ed Helms), o filho, está levando a família dele, a esposa Debbie (Christina Applegate) e os dois filhos James (Skyler Gisondo) e Kevin (Steele Stebbins) para o mesmo parque.

Rusty quer se conectar com sua família após perceber que suas tentativas em ser parte enquanto marido e pai caíram na rotina, planejando essa viagem de última hora na tentativa de animar seus familiares, o que não acontece. Quanto mais Rusty tenta, mais as coisas dão errado e menos sua família quer fazer parte daquela viagem. Sempre que ele se vê diante de outra família, e de outro chefe de família, outro pai, outro marido, ele se sente desafiado a mostrar que é um bom marido ou pai e só acaba envergonhando a todos. Seja diante de seu vizinho Jack Peterson (Keegan-Michael Key) que é um ótimo pai, seja diante de seu cunhado Stone Crandall (Chris Hemsworth) que passa a impressão de ser um ótimo marido.


No fim das contas a lição extremamente válida que fica, mesmo clichê, é que por mais que as pessoas não se sintam satisfeitas nos relacionamentos ou nas famílias que tem, a verdade é que, não existe nada que elas possam querer que já não esteja bem na frente delas. O gênero é uma combinação bem comum de road movie (filmes que se passam em viagens de carro, na estrada) com comédia, que funciona muito bem. A estrada é a jornada dos personagens e marca a evolução dos mesmos, o que aprendem, o que perdem, o que deixam pra trás e o que ganham pelo caminho. A comédia se apresenta nas maneiras como a jornada pela estrada “transforma” os personagens protagonistas e nos personagens coadjuvantes malucos que a jornada leva ao encontro dos protagonistas.

Rusty é o típico marido monótono que luta pelo seu casamento, sua família, se sacrifica por eles e não percebe que o seu egoísmo alcança apenas a ele próprio. Debbie é a típica esposa entediada que não é uma puritana, é uma aventureira mas não consegue simplesmente ser aventureira e fica esperando o marido milagrosamente entender seus suspiros de desagrado e olhares silenciosos de desdém. James e Kevin são filhos meio surreais, meio que uma elaboração caricaturada de um adolescente sensível e de um menino valentão. São críveis, poderiam existir no mundo real, só parecem muito exagerados em suas características cômicas. O filme diverte muito e possui cenas memoráveis, possui um humor um pouco ofensivo em algumas piadas mas nada muito imperdoável.

Uma boa comédia, mais recomendada aos que conhecem a versão de 83, mas ainda ótima para os que não forem conhecedores do filme original. Recomendado.



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