Cine Cult: A Entidade 2

06/09/2015

A Entidade 2 | Nota Final ★★ (Regular) | Estreou em 03 de setembro de
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


O filme começa com o pé direito no quesito de roteiro, introduzindo o conhecido vídeo familiar que se torna um macabro registro de assassinato em massa no formato de sonho. Daí o menino Dylan (Robert Daniel Sloan) acorda desse pesadelo, ou seja, marcando uma premonição, algo fadado a acontecer, mas em poucos segundos já joga a cena dentro do lixo narrativo que alguns tem a audácia de chamar de terror nos dias de hoje. Na continuação do promissor, porém decepcionante, A Entidade (2012), revisitamos a maçante rotina de Kabul, o bicho-papão ou como este crítico prefere chamar: o Slipknot Slender, enquanto este tenta novamente coletar mais uma criança retardada para sua legião de crianças retardadas.

Kabul é um monstro que possui um design no mínimo curioso, que nunca é explicado e aí temos um de vários pontos decepcionantes acrescentados no filme, e sua origem também curiosa passa batida por todos. Ninguém liga. I’m Kabul, I’m cruel, deal with it. O filme se arrasta enquanto Kabul fica mais e mais decepcionado com suas crianças serviçais retardadas que não conseguem recrutar uma criança mais retardada ainda para sua legião. No fim das contas se revela que a tal premonição da cena inicial não era premonição coisa nenhuma mas dane-se porque Kabul é Kabul tá entendendo? Aí no fim o Kabul vai lá e resolve a parada, num Deus Ex Machina do mal, um “Diablo Ex Machina”. Isso foi interessante por mais que seja só um erro crasso de roteiro. De resto a história segue o padrão mega retardado de sempre, fica de dia pessoas conversam, fica de noite suspense e mais suspense, nada acontece, jumpscare.


O protagonista é o ex-sherife So & So (James Ransone) que localiza a próxima casa onde Kabul se instalou em que mora a família Collins, a mãe Courtney (Shannyn Sossamon) e seus dois filhos, Zachary (Dartanian Sloan) e Dylan. O roteiro é extremamente promissor, primeiro pela cena introdutória que cria uma noção de premonição, de inevitável, que nos prende no filme de fato. O problema é que o roteiro não explora essa noção de inevitável, que foi o que existiu no primeiro filme e o que fez a narrativa como um todo ser interessante. Kabul vai conseguir o que ele quer, fim. O filme mesmo assim tropeça e se estabaca todo porque ele fica girando em torno da mesma baboseira do primeiro filme, a diferença é só que dessa vez ele nos mostra o ponto de vista da criança ao invés do ponto de vista do adulto (que foi o foco do primeiro filme e esse adulto foi o pai, o escritor Ellison Oswalt, interpretado por Ethan Hawke.

Por trazer esse outro lado o filme é interessante, mas ele se perde do gancho inicial e se torna um draminha do menino que não consegue ser corajoso e etc. A cena mais decepcionante de todas é a cena do confronto, a cena que o sonho na primeira cena apresenta e o momento onde a criança sucumbe ao seu destino e o palco está armado, todos estão prontos, tudo indica que a porrada vai comer e o sangue vai jorrar, finalmente! Mas não, voa um sanguezinho lá e pronto, acabou. Passa uma água e enrola num pano, pronto, zero bala. Essa cena inclusive lembra bastante a cena do confronto no labirinto em O Iluminado (1980) mesmo sendo mais curta e menos intensa. Se girasse em torno da inevitável conclusão que se mostra no vídeo, ou seja, a criança não pode evitar que aquilo aconteça pois se trata de um poder maligno e poderoso demais, seria bem melhor.


Se o foco fosse em apresentar todas as ferramentas que farão parte da mórbida noite do vídeo com o qual Dylan não para de sonhar e sua lenta mas certa concretização o suspense se manteria com mais sucesso. E se não houvesse absolutamente nenhum desses jumpscares nojentos e safados, que são tão previsíveis que você sabe o frame que vai ser, o filme ia melhorar oitocentos milhões. Uma coisa digna de crédito é a maravilhosa atuação do elenco mirim, com destaque especial ao garoto Milo (Lucas Jade Zumann) que encarna um jovem psicopata frio e manipulador com maestria. Nos diálogos o roteiro merece crédito também, mas só nos momentos onde o elenco mirim interage e nos diálogos que envolvem o protagonista So & So, que é bastante carismático apesar de seu jeito abobalhado e simples.

Esse filme é muito ruim. Se não tiver nada interessante passando, assista pelas atuações mirins e porque Kabul é o cara. Kabul: o terror dos novinhos. Esse devia ser o título desse lixo de filme, seria mais atraente.



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