Cine Cult: Bata antes de Entrar

18/09/2015

Bata antes de Entrar | Nota ★★★★ (Ótimo) | Estreia: 01 de Outubro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


Keanu Reeves estrela esse thriller psicológico que para muitos pode ser ótimo simplesmente por ser dirigido por Eli Roth, mas não na opinião deste crítico. O filme começa estabelecendo o ponto-chave do thriller clássico, o moralismo correto do protagonista, ou seja, Keanu Reeves é um bom marido, um bom pai e um bom homem. Evan (Keanu Reeves) é um arquiteto casado com uma artista plástica, Karen (Ignacia Allamand), e tem dois filhos, um menino e uma menina já pré adolescentes. A família sairia para um fim de semana em comemoração ao dia dos pais, mas surgiu um trabalho para Evan e ele precisou ficar. Enquanto a família viajou e largou o pai sozinho no dia dos pais, seria mais sensato cancelar a viagem, mas enfim, aí não ia ter filme né. A mãe e os filhos viajam, Evan fica sozinho, começa a chover e “knock knock”, tem alguém na porta.

Evan abre a porta para dar de cara com duas lindas mulheres, Genesis (Lorenza Izzo) e Bel (Ana de Armas), justamente no fim de semana que ele fica sozinho em casa e o cara não desconfia de nada, tudo bem. O fato de as personagens de Lorenza e Ana se chamarem Genesis e Bel parece fazer uma certa referência, mas vamos parar por aqui. Voltando ao filme, Evan recebe as duas jovens em sua casa e pouco a pouco a matrix vai se revelando, mas o Neo não enxerga. Ele tenta evitar, tenta fechar os olhos para a situação diante dele, mas chega uma hora que a matrix está duplamente sem roupa diante dele e aí o que ele tem entre as pernas faz o que seu propósito determina. Daí em diante o filme é uma tragédia de erros que é irritante demais para este crítico reviver. Assistam e descubram.


O gênero é o fator irritante aqui, pois se trata de um thriller, ou seja, um suspense, só que é um thriller psicológico. A diferença entre um thriller e um thriller psicológico é que o primeiro acontece e todos tem o conhecimento dele, desde o protagonista até os coadjuvantes e etc. Enquanto o segundo acontece, mas o conhecimento do mesmo se restringe ao protagonista e antagonista, ou acontece exclusivamente na mente do protagonista. De maneira clássica, os filmes de terror/thriller de antigamente não retratam a realidade mas sim uma metáfora da moralidade humana. Por exemplo, em filmes de terror clássicos a razão pela qual adolescentes que fazem sexo morrem é porque sexo não é algo que eles devam fazer, de maneira que eles são punidos por isso, pelo “mal” ou pelo “demônio”. Assim sendo, o ponto que esse gênero aborda é um ponto de discussão moral, logo os protagonistas não se provam através de ações físicas e feitos físicos, mas sim ações e decisões morais.

Evan, ao trair sua esposa com duas mulheres, se torna atormentado pela culpa, personificada por Genesis e Bel, onde elas o torturam como a culpa o torturaria, e destroem o seu casamento como a culpa também destruiria. Evan tenta por várias vezes fugir da culpa e sair impune por seus atos de traição, mas fisicamente é impossível para ele se libertar, a única maneira de ele se libertar é moralmente. O fraco do roteiro aqui, e uma das poucas coisas fracas no roteiro felizmente, é o fato que Genesis e Bel são absolutamente loucas, por mais que haja uma motivação para o que elas fazem e o que elas são, essa motivação não justifica esse comportamento insano. O filme se torna irritante por torturar o protagonista enquanto um homem falho que traiu sua moralidade (e o próprio filme cria uma justificativa para essa traição) e mesmo assim parece se deleitar com o sofrimento de Evan.


Classicamente isso é natural pois antigamente nos filmes de terror havia uma parte de desejo de vingança sobre as pessoas que fazem o mal-feito, como se os malfeitores merecessem a punição. Ok. Trazendo a temática para 2015 essa mesma abordagem se torna um tanto over demais. É o tipo de filme no qual você não pode torcer pelo protagonista porque só vai se decepcionar. O roteiro é excepcional, tanto em estabelecer ótimos personagens, criar a atmosfera através do diálogo, sutilmente contar o backstory (a motivação por trás dos atos do personagem) de Genesis e Bel e porque elas fazem o que fazem e, a cereja do bolo, está numa das imagens finais do filme em que a câmera retorna ao quarto de Evan onde Genesis escreveu com batom no espelho “It was not a dream” (Não foi um sonho), eliminando a possibilidade de um Deus Ex Machina clichê onde o protagonista acorda em sua cama e tudo que assistimos por duas horas foi um sonho.

O roteiro mata essa dúvida para nós e deixa bastante claro, com coragem e convicção, que a loucura foi real. Esse é um roteiro que honra o que tem por baixo das calças. Se você for torcer pelo Keanu Reeves, não assista. Se estiver afim de ver ele se ferrar, compre bastante pipoca. Recomendado.



Um comentário:

  1. OK... acho que depois dessa sua crítica, vou passar longe desse filme
    Fora que não são todos os filmes com o Keanu que eu curto...
    Beijos
    Balaio de Babados

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