Resenha: O sol é para todos

16/08/2015


A nova edição de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna.

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

O sol é para todos, com seu texto forte, melodramático, sutil, cômico (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

Com nova tradução e projeto gráfico, este clássico moderno volta à cena, justamente quando a autora lança uma continuação dele, causando euforia no mercado. Desde o anúncio de sua sequência, O sol é para todos é um dos livros mais buscados e acessados no site do Grupo Editorial Record. Já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: "Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo."

-Vencedor do Prêmio Pulitzer.
-Escolhido pelo Library Journal o melhor romance do século XX.
-Eleito pelos leitores de Modern Library um dos 100 melhores romances em língua inglesa.
-Filme homônimo venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado.

O sol é para todos coloca o dedo na ferida de um assunto que até hoje faz parte da nossa vida, o racismo. Claro que com ele outros temas também são levantas e o livro trata do assunto pelos olhos de uma menina de 6 anos, filha de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. Paralelo a esse núcleo, conhecemos os moradores da pequena Maycomb e sua interação com a Souct, narradora, e seu irmão Jem e o amigo Dill. Os três vão tentar descobrir por que um de seus vizinhos nunca sai de casa. Ele acaba permeando o imaginário das crianças como sendo um fantasma, um mostro ou essas coisas que só crianças conseguem imaginar. Os dois paralelos parecem nunca se encontrar, até que convergem no fim da narrativa.

Quem vai nos guiar pelas estórias de O sol é para todos é uma garotinha esperta e engraçada chamada Scout. A principio ela pode parecer mais adulta do que é, já que tem apenas 6 anos e vai acrescendo ao longo do tempo que a narrativa se passa, só que ela ser desse jeito justifica várias coisas no livro. Ela e o irmão serem tão espirituosos movimentam as coisas que acontecem no enredo. O Atticus é o melhor personagem do livro para mim. Embora a Scout seja uma personagem mais perto da gente por narrar, é o seu pai que passa a reflexão e os ensinamentos para ela. O irmão, Jem, e o amigo, Dill, são interessantes também, assim como a cozinheira. Enfim, de personagem eu não tive problemas como nenhum, todos são bem articulados nas propostas que lhe foram atribuídas.

Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas do ponto de vista dela.


Nossa, eu nem posso começar a escrever o quanto eu queria ler este livro. Durante uma parte do curso de literatura inglesa na faculdade de Letras, a professora comentava bastante sobre ele e eu não conseguia encontrar em lugar nenhum. O sol é para todos é o tipo de livro que as pessoas quando adquirem ele, não trocam facilmente. Com essa nova edição eu tive a oportunidade de ler e enfim saber por que muitos o consideram um dos melhores livros já lançados. A edição nova está ótima, com uma capa simples, com cores vivas e que traz o titulo em inglês, que tem um significado diferente da tradução para português. Na verdade o pássaro da capa está ligado a isso. As folhas amarelas, confortáveis de ler, que juntando com o resto ficou um primor.

Eu não posso me esquecer de falar da simplicidade desse livro. Teoricamente, ele tem um enredo sem muitas complicações e reviravoltas, então eu comecei já amando os personagens principais e percebendo que a estória teria um ápice só no final envolvendo o caso de estupro e ok. Acontece que quando você percebe o que está por trás da trama principal é onde o livro sai do papel e vai para a vida real. Fazer com que uma menina entenda as minuciosas de um estupro envolvendo uma mulher branca e um cara negro na década de 30 nos Estados Unidos, é pedir para que qualquer leitor se envolva com a estória e vire páginas e mais páginas até que tudo tenha se resolvido. Por mais esperta que a Scout seja, e ela é, na cabeça dela o tipo de preconceito com o que a época dela lida não é entendido completamente. Tanto ela, quanto o irmão e o amigo tem dificuldade de entender por que que o errado, para os adultos é certo.

Ainda que tenhamos perdido antes mesmo de começar, não significa que não devamos tentar.


Saindo da década de 30 e vindo para o nosso 2015, não é o que nós vivemos? Tem uma citação do Atticus que eu acho que resume o livro, a nossa relação com o diferente... tudo: 'Nos nossos tribunais, quando se trata da palavra de um branco contra a de um negro, o branco sempre vence.' Se a gente muda isso para um rico contra um pobre não dá na mesma? Ou m homem contra uma mulher? Tem como esse preconceito racial, de gênero, orientação sexual e por aí vai ser mais atual do que O sol é para todos? A autora pegou um tema que sempre vai existir e criou um estória linda, sofrida, frustrante e esperançosa como é a nossa vida. É por isso que o livro pode ser lido por qualquer pessoa e em qualquer tempo que vai ter algo com o quê se relacionar, identificar, fazer pontes e referências.

Todas, todas, todas as qualidades que as pessoas atribuem para esse livro são justificadas e verdadeiras. Quando a professora de literatura disse que esse livro fazia parte do currículo das escolas americanas eu não entendi bem o porquê. Agora eu sei e acho a ideia super incrível e acredito que aqui no Brasil ele poderia ser facilmente adotado também. Não é porque o livro é de uma autora de fora que ele não pode trazer algo de bom para as nossas escolas, até porque, os tipos de temas que ele traz infelizmente acontecem em qualquer lugar. Amei O sol é para todos, favoritei no skoob e recomendo; é realmente um livro com uma estória para se levar para a vida e passar para as pessoas que a gente gosta.

A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa.

www.seja-cult.com
O Sol É Para Todos
Harper Lee
José Olympio: Facebook

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