Cine Cult: O Pequeno Príncipe

21/08/2015

O Pequeno Príncipe | Nota ★★★★★ (Excelente) | Lançamento: 20 de Agosto de 2015
Texto por Lucas Simões | Revisão por Kamila Wozniak 


Pelo título, parece ser uma adaptação direta do clássico de Antoine de Saint-Exupéry, mas ao adentrarmos o filme verificamos não ser exatamente assim. O longa nos apresenta um mundo robotizado (como se sugere pela paisagem urbana vista de cima que se assemelha a uma placa de computador com seus chips) e, mergulhando na paisagem até chegarmos em uma escola, nos apresenta a protagonista da história, uma menina cujo nome nunca descobrimos.

Nenhum dos personagens tem nomes, apenas denominações, “a Menina”, “a Mãe”, assim por diante. A Menina está em um teste para entrar em uma escola importante e sua mãe a preparou para esse teste durante muito tempo, ela porém está tão robotizada pelo que precisa dizer e fazer que perde totalmente a espontaneidade e na hora que a coisa foge do roteiro, ela erra. Falhando no teste, sua mãe decide adotar o plano B, que é algo que vocês descobrirão se assistirem o filme, e o plano B levará todas as férias de verão.

A Menina precisa seguir uma programação diária muito rígida para se preparar para esse plano, que permitirá que ela tente entrar na escola novamente, no meio disso ela entra em contato com seu vizinho, o Aviador, um homem de idade que tem um avião velho em seu quintal. Pouco a pouco, a Menina vai se desvencilhando de seu estilo de vida robótico e recupera sua espontaneidade ao entrar em contato com o Aviador e seu amigo, o Pequeno Príncipe. O Aviador se torna um grande amigo para a Menina e o fato de ele já estar velho e com os fim de seus dias se aproximando, torna o relacionamento deles mais forte. A menina não quer que o Aviador vá embora e assim ela tenta achar o Pequeno Príncipe para que ele a ajude.


O roteiro é muito bem construído, utilizando a narrativa da Menina e o Aviador em paralelo com a já conhecida fábula do O Pequeno Príncipe, trazendo as metáforas e lições contidas no livro para um contexto menos fantástico e mais objetivo. O filme diferencia o “presente” do “passado” através de diferentes estilos de animação, utilizando a animação moderna em CGI para o presente e animação em stopmotion para o passado.

Com muitos elementos infantis e um forte convite ao uso da imaginação o filme fala com a criança interior de cada um de nós, convidando-nos a rir das bobagens de ser adulto e refletir sobre a realidade e fatalidade do tempo. O Aviador possui um avião e um carro velhos, ambos metaforizando provavelmente a sua própria estrutura humana, que não funciona mais tão bem quanto deveria. Ele então tenta fazer suas estruturas funcionarem mesmo sabendo que elas não querem funcionar mais e só consegue causar preocupação e problemas para todos ao seu redor. Sua casa porém é a maior, mais bonita, mais colorida e mais calorosa de todas, porque ele não se esqueceu de como ser criança como todos os outros robôs ao seu redor.

O filme, apesar do discurso em favor do ser criança e uma certa crítica ao ser adulto não faz apologia ao ser criança, não recrimina o ser adulto, apenas transmite uma mensagem pacífica e sincera sobre a importância de não se perder a espontaneidade e a imaginação de criança. Possivelmente a melhor animação desse ano. Altamente recomendado.




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