Cine Cult: Mulheres no Poder

28/08/2015

Mulheres no Poder | Nota ★★★★ (Ótimo) | Lançamento: 27 de Agosto de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak 


Pelo título do filme já é possível ter um bom resumo do que ele carrega, com uma ousada proposta e ao mesmo tempo uma honesta leitura.

O longa abre e se estabelece em seu palco principal, também palco principal do país, o Congresso Nacional. Na primeira cena se pontua bem a pegada humorística pelo lado mais intelectual do humor, sarcástico e referencial, deixando os mais acostumados ao humor de jargão e piada pronta a ver navios. Apresenta-se então a senadora Maria Pilar (Dira Paes) que acabou de entrar nesse mundo da política após vencer as eleições no seu estado e agora busca mostrar que sabe ser política. O nome da protagonista possui uma forte simbologia, ”Maria” é um nome forte por si só, tanto pelas tantas mulheres fortes que o carregam quanto pela significância no catolicismo, e “Pilar“ que reforça sua estrutura resiliente de mulher forte. Pilar leva seu dia à dia ao lado de seu fiel motorista George (João Velho) e sua assessora Laila (Gabrielle Lopez), que atendem a suas ordens independente de quais sejam.

Pilar, em sua jornada para atingir seus objetivos políticos, encontra uma mentora, a ministra Ivone (Stella Miranda), que nas aparências é uma mentora e por baixo dos panos é uma rival a ser derrotada. Ivone possui uma assessora já experiente, Madalena (Milena Contrucci Jamel), mas que vai tentar atrapalhar Pilar e Laila em suas empreitadas. Ao descobrir que um conhecido de Laila, Stefan (Tiago Tiefenthaler), possui uma informação crucial para uma negociação, Pilar manda a mesma até ele. Ambos se revelam ser um pouco mais que apenas conhecidos. No fim tudo se junta e se mistura e intenções se revelam, as cartas são mostradas e os acordos se definem.


O gênero, como já comentado, está mais para uma comédia “intelectual” do que para uma comédia mais “clássica” que o brasileiro normalmente está acostumado. Corre então o risco de algumas pessoas não acharem o filme uma comédia comparado a outros filmes do gênero. Este filme possui sim os elementos de uma comédia clássica porém esses mesmos são mais sutis, mais suavizados, a comédia física e até uma certa nudez cômica. A força do filme está nos atores, no diálogo, nas interações entre eles, ou seja, é um filme mais teatral. Não possui uma subjetividade criada através da imagem, um pensamento invisível expressado através de metáforas imagéticas e etc. Esse filme poderia perfeitamente ser uma peça de teatro, perfeitamente, e isso não tira o mérito do roteiro enquanto ferramenta de cinema.

O filme não perde por ser teatral, ainda vale o ingresso, só não vale enquanto uma experiência cinematográfica, não é agregado nada à proposta por estar no cinema, e deveria. As atuações são maravilhosas e aí é possível ver muitas coisas que remetem a referências cinematográficas. É possível se ver entre Ivone e Pilar uma relação de mentora e aprendiz onde elas ensinam e aprendem uma com a outra, numa pegada semelhante a filmes como Wallstreet (1987) e Sem limites (2011). A relação entre personagens que este crítico gostou mais foi a relação entre Stefan e Laila, que mergulha nos filmes antigos, Stefan entrando no arquétipo do herói decadente com grandes ambições e pouco sucesso e Laila entra no arquétipo de mulher fatal, que envolve a todos com seu carisma sedutor e dá o bote quando menos esperam. A comédia mais forte e que vai agradar mais reside na interação entre Pilar e George, sendo George o personagem mais cômico de todos.

Uma grande comédia, corajosa, que nos convida a rir com inteligência e ótimos personagens, ou ótimas personagens. Recomendadíssima.



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