Resenha: Red Hill

31/07/2015


Para Scarlet, cuidar de suas duas filhas sozinha significa que lutar pelo amanhã é uma batalha diária. Nathan tem uma mulher, mas não se lembra o que é estar apaixonado; a única coisa que faz a volta para casa valer a pena é sua filha Zoe. A maior preocupação de Miranda é saber se seu carro tem espaço suficiente para sua irmã e seus amigos irem viajar no fim de semana, escapando das provas finais da faculdade. Quando a notícia de uma epidemia mortal se espalha, essas pessoas comuns se deparam com situações extraordinárias e, de repente, seus destinos se misturam.

Percebendo que não conseguiriam fugir do perigo, Scarlet, Nathan, e Miranda procuram desesperadamente por abrigo no mesmo rancho isolado, o Red Hill. Emoções estão a flor da pele quando novos e velhos relacionamentos são testados diante do terrível inimigo – um inimigo que já não se lembra mais o que é ser humano. O que acontece quando aquele por quem você morreria, se transforma naquele que pode lhe destruir? 

Red Hill prende desde a primeira página e é impossível deixa-lo até o final surpreendente. Este é o melhor da autora Jamie McGuire! Red Hill é narrado em primeira pessoa por três personagens diferentes que, porém, compartilham do mesmo objetivo, que é sobreviver aos infetados. Tudo começa quando um pesquisador desenvolve um vírus e as pessoas que entram em contato com eles, acabam se tornando uma espécie de zumbi (que eles chamam no livro o tempo todo de rastejadores), e esses zumbis acabam por atacar as pessoas, devorando-as, transformando-as em zumbis também em questão de horas. Aqueles que são vacinados com a vacina da gripe são os que desenvolvem o vírus mais rapidamente, enquanto aqueles que não são demoram um pouco mais para sentir a transformação.

Logo no início, temos o primeiro contanto com Scarlet, que é divorciada e tem duas filhas. Assim que deixa suas duas filhas para que elas passem um tempo com o pai, Scarlet volta para o hospital onde trabalha e se depara, sem saber, com um dos primeiros casos da infecção. Não muito tempo depois, o hospital se torna um caos por conta do vírus e tudo em que Scarlet consegue pensar é em encontrar suas filhas com vida, desse modo ela parte para buscá-las de carro e descobre que a entrada da cidade está cheia de soldados que não permitem a passagem de ninguém. 

O segundo contanto é com Nathan. Casado, porém infeliz com sua esposa que não lhe dá atenção e vive grudada nas redes-sociais, tudo de bom que possui é sua filha Zoe. Logo que fica sabendo da situação da doença pelo rádio do carro, Nathan corre até a escola da filha para levá-la para um lugar seguro. Ao chegar em casa para buscar a esposa, ele descobre que ela o abandonou. Desse modo, Nathan viaja sozinho com Zoe e seu maior objetivo é protegê-la e tentar mantê-la o mais tranquila possível.

Todos fingíamos que as coisas melhorariam, mas a verdade não dita é sempre mais sonora que as histórias que contamos.

Por fim, temos a estória de Miranda. Ela, a irmã e seus respectivos namorados estão indo rumo a Red Hill, para encontrar o pai. Todavia, quando estão no meio da estrada, percebem que há algo errado com as pessoas. No início, Mirando se preocupa apenas com seu carro novo, mas quando percebe que as coisas são piores do que ela imaginava, ela faz de tudo para tentar chegar ao seu destino, e escapar dos rastejadores, preocupando-se em zelar pela vida de todos que estão com ela.


Todos os personagens são bem interessantes, cada um com seus conflitos, e todos com apenas um objetivo: proteger e encontrar seus entes queridos, e sobreviver ao ataque zumbi. Ao ler Red Hill você experimente várias sensações diferentes. Com Scarlet você vivência sua angústia para encontrar as filhas, a preocupação constante de saber se elas também se tornaram zumbis, ou se estão bem; com Nathan, você experimenta a sensação de proteção, pois em todos os momentos é evidente seu amor pela pequena Zoe e a maneira como ele cuida dela. E quem é que resiste a um pai solteiro que faz tudo para proteger sua filha? E então temos a Miranda que, apesar de parecer um tanto fútil no início, é muito corajosa e mostra ter um grande coração.

Antes de a doença se alastrar, esperar era irritante. Agora que os mortos caminhavam entre os vivos, esperar era algo que parecia com a violação de ser roubado, com a desesperança de se perder algo valioso, como a chaves ou a aliança de casamento, e com o tremor intolerável que os domina quando nossos filhos saem de nosso campo de visão no shopping, tudo isso enrolado em uma nauseante bola de emoção.

Eu poderia dizer que Red Hill se assemelha um pouco com The Walking Dead, porém, nunca assisti a série, só conheço a ideia dela, então o mais próximo que posso chegar a comparar é com Residente Evel. Temos aquele ar de expectativa a cada cena, temos as perdas dolorosas, aquelas que você não consegue acreditar, e que fazem sua adrenalina subir; temos os mortos-vivos e a cada aparição deles é uma tortura, porque você fica ansioso para saber se eles irão atacar, ou irão passar direto por suas vítimas.

Posso dizer que esse livro é maravilhoso para quem gosta de grandes emoções. É o primeiro livro que leio da autora e do gênero e posso dizer que aprovei. A narrativa é fluída, sem enrolações, os personagens são bem construídos e as relações e o modo como a vida desses três personagens vão se entrelaçando. Red Hill é uma obra que com toda a certeza vale a pena ler, indico para todos, até para aqueles que não curtem tanto o gênero, pois vocês podem se surpreender com a narrativa maravilhosa de Jamie McGuire.

Quanto mais o medo se insinuava, mais eu me lembrava que minhas filhas precisavam de mim. Era provável que estivessem mortalmente apavoradas, e, não importava o que tivesse acontecido ou em que estado elas estivessem, eu queria estar com elas.

Red Hill
Jamie McGuire
Editora Verus: Twitter/Facebook


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