Resenha: Primeiro e Único

13/07/2015


Shea tem 33 anos e passou toda a sua vida em uma cidadezinha universitária que vive em função do futebol americano. Criada junto com sua melhor amigas, Lucy, filha do lendário treinador Clive Carr, Shea nunca teve coragem de deixar sua terra natal. Acabou cursando a universidade, onde conseguiu um emprego no departamento atlético e passa todos os dias junto do treinador e já está no mesmo cargo há mais de dez anos.

Quando finalmente abre mão da segurança e decide trilhar um caminho desconhecido, Shea descobre novas verdades sobre pessoas e fatos e essa situação a obriga a confrontar seus desejos mais profundos, seus medos e segredos.

A aclamada autora de Questões do Coração e Presentes da Vida criou uma história extraordinária sobre amor e lealdade e sobre uma heroína não convencional que luta para conciliá-los.

O livro é narrado em primeira pessoa pela personagem Shea. Tudo começa quando ela está no funeral da mãe de sua melhor amiga, Lucy, que morrera de câncer. Shea é uma mulher de 33 anos, superapaixonada por futebol americano, e a cidadezinha onde vive no Texas, respira o esporte. O Treinador Carr, pai de Lucy, é um homem bastante conceituado no seu meio. Todavia sua filha não se mostra tão apaixonada pelo esporte, o que faz com que Shea tenha mais afinidade com ele do que a própria Lucy.

Cansada da sua vida pacata, Shea termina com o namorado Mike, aparentemente um cara sem perspectiva, de quem a amiga e a mãe não gostam, e decide trilhar outros caminhos. Arruma outro emprego e vai atrás dos sonhos. Nesse meio tempo ela reencontra um antigo amigo, Ryan, um jogador famoso e muito bonito e ambos embarcam em um romance. Ainda assim, Shea não sente segurança com relação aos seus sentimentos, tendo em vista que nutre uma admiração pelo treinador Carr mais do que uma admiração paternal.

Shea é uma personagem bem construída, tem suas qualidades e defeitos, mas nada que me causasse grande emoção, mas acredito que isso se deve ao fato de ela amar tanto o futebol que basicamente esse era seu principal assunto, não consegui me conectar com ela. Num primeiro momento, Ryan se mostra um cara gentil, amoroso e preocupado, o que faz com que nos apaixonemos por sua figura, meus momentos prediletos no livro eram quando eles estavam juntos. Lucy também se mostra preocupada com a amiga, penso que ela poderia ter aparecido mais, mas o tanto que ela apareceu já foi o suficiente para me fazer gostar dela. E, finalmente, o treinador Carr. Achei-o um personagem interessante, quieto e também um homem muito bonito e charmoso, mas não atraente, apesar de o tempo todo Shea colocá-lo nesse patamar.


Vou ser bem sincera. Eu vejo filmes com tema de futebol americano como Duelo de Titãs, Um Sonho Possível, e, mesmo sem saber o que é ou o que o quarterback faz exatamente, consigo me sentir animada com a vibração e a paixão tanto dos jogadores quanto dos torcedores, a emoção que o jogo parece proporcionar àqueles que estão dentro e fora de campo. Mas não sei se isso dá muito certo em um livro. Pelo menos não deu para mim. A verdade é que os termos técnicos e as referências constantes aos jogos, jogadas, jogadores, datas, prêmios, e tudo relacionado ao meio, me pareceu cansativo e chato. Esse é o primeiro livro da Emily Giffin que eu leio, a escrita dela é leve, a autora sabe construir uma boa narrativa, de fato, e disso não posso reclamar. Mas esse excesso de informação jogado de forma meio nua e crua não me agradou.

Outra coisa que me incomodou foi a relação de sentimentos da Shea com o treinador. É engraçado dizer isso, mas, enquanto eu lia o livro senti mais afinidade com a Lucy do que com a personagem principal e me peguei pensando como seria se uma das minhas amigas se apaixonasse pelo meu pai. Tipo, minha melhor amiga. Não digo isso pela idade, nem nada do gênero, até porque Shea já era madura e tudo mais, mas, o fato de ela conhecê-lo desde muito pequena, de ter sido criada na casa dele, construiu uma figura tão paterna na minha mente, uma relação tão familiar mesmo, que eu achava aquele sentimento extremamente estranho. Não consegui me acostumar com ele. Se fosse numa outa situação, se ela fosse amiga da Lucy, mas só o tivesse conhecido depois, aí sim eu conseguiria gostar.

Todavia, algo que apreciei no livro foi a Shea ter saído de sua zona de conforto, procurado outras coisas, procurado crescer na profissão, e a própria relação de amizade com a Lucy, que era uma amizade sincera e verdadeira, com certeza tudo isso foi um fator positivo. O livro também aborda um pouco de violência doméstica e achei esse tema bem válido. Eu recomendo a leitura àqueles que gostam de jogos, porque, apesar de você não precisar entender de futebol para gostar do livro, é necessário ao menos ter um pouco de amor por ele para suportar as páginas e mais páginas dedicadas ao esporte.


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Primeiro e Único
Emily Giffin
Editora Novo Conceito: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Queria ter pedido esse livro :(
    Deve ser muito bom, não li nada da autora ainda e morro de curiosidade!

    beijos
    tamigarotaindecisa.blogspot.com.br

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