Resenha: Elo #1

15/07/2015


Elissa costumava ter tudo: a atenção de todos, popularidade e um futuro promissor. Mas os três últimos anos fizeram sua vida mudar radicalmente: ela vem lutando contra terríveis visões, dores-fantasma e misteriosos hematomas que aparecem do nada. Depois de muitas idas e vindas a especialistas, surge uma promessa de cura, uma cirurgia para apagar a parte superativa do seu cérebro, que provoca tais alucinações. Às vésperas da operação, no entanto, Elissa faz uma descoberta chocante por trás daquelas visões: ela enxerga o mundo pelos olhos de outra garota.

Por fora Elissa é normal, mas por dentro seu cérebro lhe prega peças, faz com que ela sinta dores e tenha visões que não são suas. Com o tempo ela perde os amigos, começa a ser a chacota da escola e até seu irmão tem dificuldade em lidar com essa doença. É algo que ninguém sabe explicar ou que tenha visto antes e que aparentemente não tem cura com remédios. Um pouco antes de fazer uma cirurgia que promete arrancar do seu cérebro a parte que cria os sonhos e faz com que ela sinta dor, Elissa descobre que tudo o que ela sente não é obra de ficção, é realidade. Ela então foge de casa para encontrar a dona das visões e uma forma de ter a sua vida normal de volta.

Elo é narrado em terceira pessoa acompanhando quase que totalmente a Elissa, e quando o autor escolhe a terceira pessoa e só acompanha um personagem eu fico me perguntando a razão dele não ter escolhido a primeira pessoa logo, enfim. A Elissa é uma protagonista nova e inexperiente diante daquilo que ela enfrenta, as dores de cabeça e os hematomas que fazem com que ela perca os amigos e se afaste até da família. Ela não sabe como contornar o fato das pessoas acharem que isso é invenção da cabeça dela e que na verdade ela é apenas descuidada. O interessante dela é que quando foi preciso assumir as rédeas do que ela descobriu sobre sua doença, ela fez isso sem pensar duas vezes. Em muitos momentos ela é confusa, reflexiva de forma exagerada, mas é uma boa personagem para acompanhar em primeiro plano.


Elo é uma ficção científica juvenil e isso foi um pouco novo para mim; já lidei com ficção científica, mas não para jovens. Esse é um terreno ainda inexplorável, que tem me atraído com alguns enredos e deixado a desejar em outros. A ficção em Elo é no sentido futurista; é um futuro distante onde as pessoas não habitam a Terra, elas vivem em outro planeta. A tecnologia é avançada, os carros voam, vários planetas podem ser visitados, então é algo que exige um pouco de imaginação. A autora propõe isso desde o começo e não sai dessa linha, isso é o normal do mundo dela e aliado com a descrição que ela fez, do que é diferente para a gente, é fácil de se imaginar nesse mundo. O que facilitou as coisas é que ela não elaborou um futuro muito complicado, é até relativamente simples.

Por trás de um livro para jovens, Elo trata de um assunto bem delicado e que estamos começando a viver com mais intensidade, a clonagem. É claro que o assunto iria surgir em se tratando de ficção científica e não, eu não estou dando um spoiler porque isso é apenas uma vertente do que a autora apresenta e me chamou mais a atenção. Sem entrar na questão da religião, se é que isso é possível, a autora levanta se os clones são humanos ou se o fato de sermos fruto da união de duas pessoas é o que nos traz humanidade. Ela levanta se o fato deles virem de um lugar diferente da gente, nos dá o direito de machuca-los, de usar seus corpos em nosso proveito já que eles seriam diferentes de nós. Eu, particularmente, sou contra esse tipo de pensamento, de que o que é diferente do ser humano pode ser tratado de qualquer forma.

O que não me agradou nesse livro é que ele tem partes paradas, onde não tem ação e é mais a reflexão da Elissa sobre as suas decisões. E também não me agradou o fato de ter uma continuação. Eu me senti um pouco enganada porque a Elissa consegue o que quer e volta atrás na última pagina do livro, apenas para ter uma continuação. Lá fora o livro já saiu e por aqui a Farol ainda não comentou sobre o assunto. Não sei ainda se lerei, não achei que o livro precisava de uma continuação porque ficou tudo amarrado, então ela vai partir de uma ideia de última hora. Pode dar certo, mas pode ser que ela se enrole já que essa proposta é maior do a desse primeiro. No fim, foi uma boa leitura, e será ainda mais para quem não tem costume de ler ficção científica e quer começar. Com descrições mais simples e personagens medianos, o livro é fácil de assimilar.


www.seja-cult.com Elo
Imogen Howson
Editora Farol Literário: Twitter/Facebook

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