Cine Cult: A Forca

24/07/2015

A Forca | Nota ★ (Ruim) | Estreia 23/Julho
Escrito por Lucas Simões | Revisão por Lucas Silva 


O filme inicia com uma gravação de uma peça escolar de vinte anos antes dos acontecimentos do filme, pais filmando seus filhos adolescentes que encenam uma peça com um final trágico de faz de conta que se torna trágico de verdade. O mocinho da peça que é enforcado no ato final acaba enforcado de verdade acidentalmente, gerando uma histeria generalizada. Vinte anos depois resolvem por alguma ironia do destino, chamada ”roteirista preguiçoso” na maioria das vezes, encenar uma nova versão da peça. O novo protagonista da peça, Reese (Reese Mishler), é um atrapalhado atleta do time de futebol americano que largou o time para fazer teatro por causa de uma garota.

A garota, Pfeifer (Pfeifer Brown), interpreta seu par romântico e sabe apenas das intenções românticas do personagem, considerando Reese meramente um amigo. Um amigo de Reese, Ryan (Ryan Shoos), acha a ideia de ele estar nessa peça completamente idiota e odeia a todos da equipe teatral, até o professor. Junto a Ryan está sua namorada, Cassidy (Cassidy Gifford), uma loira linda que por ser loira e estar em um filme de terror todos já sabemos o que acontece com ela. Após alguns diálogos até que bem escritos Ryan e Cassidy convencem Reese a destruir o palco na noite antes da estreia para ele poder se livrar de pagar esse mico. Decidido isso eles vão até o teatro durante a noite e bem, é horrível.


O gênero do filme é o promissor mas porcamente explorado Found Footage, ou seja aqueles filmes onde assistimos uma gravação amadora feita pelos próprios personagens. Bruxa de Blair (1999) ainda se mantém como um dos poucos filmes do gênero que merecem alguma atenção. O roteiro em si não é ruim, a proposta que se constrói é muito boa e o final seria perfeito se não entrasse em contradição. O final desconstrói o mito do monstro de uma maneira muito interessante, mas infelizmente ele constrói o mito segundos depois, como aqueles finais onde se ilustra que “foi tudo um sonho” e logo depois diz que “na verdade foi real, brincadeira”. Enquanto terror o filme é muito limitado, recorrendo à trilha sonora, falta de luminosidade e Jump Scares ridículos para criar atmosfera de tensão e medo.

As atuações não são ruins porque os atores são praticamente eles próprios, felizmente nenhum deles deixa a bola cair, o problema é mais a direção mesmo. Sempre um deles fica no cargo de operador da câmera e todos eles seguem uma mesma direção de câmera, mesma velocidade, mesmos recursos para cortes e etc. Quando as personagens não controlam a câmera elas conseguem trazer autenticidade para as personagens, mas quando assumem a câmera isso se perde. Ou seja, os diretores estavam orientando eles para serem câmeras na hora da câmera ao invés de personagens. Ryan, por ser o babaca da galera, quando assumisse a câmera deveria dar zoom nas garotas, zoar as pessoas, dar sustos neles e etc. Essa é a sua personagem, e ao assumir a câmera ela desaparece.

De uma forma geral o filme tropeça demais em recursos batidos do gênero e não explora o roteiro e atuações como deveria, deixando muito a desejar enquanto terror. História original que quase conseguiu ter um final interessante com personagens bons mas mal dirigidos e a estética é deplorável. Há filmes melhores pra assistir.



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