Cine Cult: Corrente do Mal

22/07/2015

Corrente do Mal | Nota ★★★★★ (Excelente) | Estreia: 23 de julho
 Escrito por Lucas Simões | Revisão por Kamila Wozniak |


Como o título traduzido sugere, e muito bem, o filme tem uma lógica semelhante à do filme Corrente do bem, só que do mal. Como assim? O filme narra como uma maldição se transmite de pessoa para pessoa e os amaldiçoados tornam-se perseguidos por uma entidade assassina. A maldição se transmite pelo ato sexual e poderíamos (os mais palhaços, pelo menos) cogitar até que a ideia do filme surgiu em homenagem à herpes, mas isso é papo de boteco. A protagonista Jay (Maika Monroe), se torna a nova amaldiçoada após sua transa com seu recente namorado Hugh (Jake Weary), que antes de deixá-la à própria sorte lhe concede a cortesia de explicar tudo. Claro que Hugh não perderia seu tempo fazendo tal coisa se bastasse passar a maldição adiante, existem regras e uma delas é que se Jay for morta pela criatura, Hugh voltará a ser seu alvo.

Jay então inicia sua jornada junto a seus amigos Paul (Keir Gilchrist), Yara (Olivia Luccardi), e a irmã de Jay, Kelly (Lili Sepe). Após o primeiro incidente, entra na história Greg (Daniel Zovatto), que possui uma postura mais máscula que Paul e possui mais recursos, é um bad boy do jeito que as garotas gostam, e se torna a escolha de Jay para passar a maldição adiante, pois ela vê nele um sobrevivente. Pena que ele era descrente demais, um belo clichê em filmes de terror se for bem aplicado, coisa que foi nesse filme. Em filmes de terror sempre que a mulher entra em contato com a entidade fantasmagórica existe um homem, o par romântico, que é forte, protetor, mas descrente, e isso torna sua força irrelevante. Aqui o diretor talvez tenha tido a intenção de dizer algo sobre o gênero para os fãs. O filme segue daí e não se conclui, deixa todos nós dentro de uma incógnita, com informações suficientes para desejar uma continuação, coisa que talvez tenha sido a intenção do diretor.


Enquanto gênero, o filme é impecável, absolutamente impecável, um terror de lamber os dedos e anotar a receita. Planos vagarosos, arrastados, mórbidos, fantasmagóricos, composições de profundidade com cantos escuros, portas, janelas, silêncio, de repente uma pancada para nos bombear o sangue gelado, depois continuar torturados pela imersão absoluta. O espectador entra no filme de uma maneira intensa, as mortes são fortes, pesadas, mas nada desagradável, na medida certa para agradar a todos. Os personagens são reais, críveis, encantadores, memoráveis, gostamos de todos eles, todos precisam sobreviver, cada um que se machuca nos dói, como se eles fossem pessoas reais, como deve ser. Porém, dito tudo isso, este crítico deve chegar no ponto desse filme que desaponta o verdadeiro fã de terror: o monstro.

O monstro é bom, é muito bom, é bem construído, conceituado, possui uma boa incógnita a respeito de si. O que ele é exatamente? Não se sabe, não interessa, tudo bem. Qual o problema então? As regras. Quais são as regras do monstro, da maldição. Ele é lento. Ok, aceitável, adiciona mais caldo ao thriller e deixa a coisa mais agoniante. Maravilha. Ele assume a forma de pessoas que o portador da maldição conhece para se aproximar dele(a) e o matar. Ótima característica, predatória, animal, crível, adiciona mais caldo à perversão do thriller. Só quem foi amaldiçoado pode ver o monstro, mas qualquer um pode tocá-lo. Essa é uma ótima aquisição já que o pior monstro de filme de terror é aquele que não pode ser morto.


Esse monstro não tem graça nenhuma. Esse bicho é quase um alien, o predador perfeito. Qual o problema então? Todo monstro de filme de terror que possui uma lógica de regras no modo que mata e etc precisa ser failproof (precisa ser testado e não falhar no teste, porque se a regra não é verossimilhante, o monstro não pode ser real e se torna ridículo). O monstro anda. E se eu pegar um avião e for pra Europa? Acabou o problema. Nenhuma das pessoas amaldiçoadas pensou nisso? A garota transa com um astronauta que está indo pra lua, e aí? Entendeu? O monstro perde os poderes aí. Mas aqui a gente já voltou pro papo de boteco.

Um filme absolutamente imperdível. Vale cada centavo. Recomendadíssimo!



3 comentários:

  1. Adorei esse filme e adorei o texto. Assim como você falou no texto, o monstro desse filme já foi assunto com um amigo meu e também foi comentado sobre ele só andar e foi questionado o que aconteceria se a pessoa voasse para outro continente. A conversa não levou a lugar nenhum, mas foi boa haha.

    Beijos
    http://aluafoiaocinema.blogspot.com.br/

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  2. Eu não curti muito o filme porque o final não foi o esperado e ficou muitas pontas soltas, por mim deveria ter tido uma história mais profunda a respeito desse mostro.
    Beijos.

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  3. Bom dia,


    Para quem gosta do gênero é uma boa dica, que não é o meu caso.....abraço.

    www.devoradordeletras.blogspot.com.br

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