Cine Cult: Cidades de Papel

10/07/2015

Cidades de Papel |  Nota ★★★★★ (Excelente) | Estreia em 09 de Julho de 2015 
Escrito por Lucas Simões | Revisão por Kamila Wozniak


Baseado no livro homônimo de John Green, Cidades de Papel fala sobre um romance improvável entre o tímido e inseguro Quentin, interpretado por Nat Wolff, e sua vizinha da frente Margo Roth Spiegelman, interpretada pela belíssima Cara Delevigne, que desaparece da cidade mas deixa pistas para que quem quiser a encontre, coisa que Quentin faz. O romance é a força motriz que enquanto narrativa é mais um filme de mistério e drama adolescente, podendo ser chamado de romance nostálgico, como Superbad é, que nos leva de volta àquelas épocas de adolescente e que reflete sobre a vida e a transitoriedade de uma maneira mais positiva que filmes que falam diretamente sobre a morte. A narrativa se desenvolve de uma maneira bem objetiva e possui um ponto de vista bastante adulto e maduro, não se tratando apenas de um filme de adolescentes mas sobre a juventude em si.

Quentin é um rapaz tímido e inseguro, pouco dado à rebeldia, que se apaixona perdidamente por sua vizinha da frente, Margo, e o amor se torna a força que o guia onde quer que ele vá, porém ele não desbrava, apenas caminha onde se sente seguro. Por estar agarrado demais à sua zona de conforto e temer o desconhecido ele perde muitas oportunidades de se aventurar, se divertir, viver, e pouco a pouco ele vai descobrindo, desbravando, transformando-se enquanto se envolve mais e mais com Margo. O ponto forte de Quentin é a ingenuidade, coisa que o torna um forte romântico e permite que rompa barreiras pelo amor verdadeiro, pelo milagre que foi ter Margo em sua vida e pelo destino que está traçado pelos sinais que ela deixou para ele encontrá-la. A maturidade do filme se revela no momento que Quentin entende que Margo está muito além do conceito que se cria ao redor dela, de garota perfeita, incrível, impecável, e que o próprio amor também está além de qualquer conceito.


Margo é um par romântico, uma mentora e de certa forma uma femme fatale. Ela desperta e nutre um sentimento por Quentin, guia o mesmo através de pistas e ferramentas que o inserem em uma jornada transformadora e tira tudo dele, tudo que ele acredita, sonha e é enquanto homem. Uma personagem complexa e muito bem construída. Ao ver um homem morto quando muito jovem e entrar em contato com a própria mortalidade ela se torna uma pessoa aventureira, intensa, que busca aproveitar cada segundo da vida e não quer fixar raízes em lugar algum. Assim, ela se torna uma pessoa que desaparece quando quer e deixa pistas para quem a quiser encontrar, como um mapa para uma cidade de papel, já que ela se considera uma pessoa de papel. Cidades de Papel são cidades que não existem, vazias, sem nada dentro, e é assim que Margo vê tudo a sua volta, como coisas sem valor. O que tem valor são as experiências, os momentos, viver, apenas viver não é de papel.

Uma ótima adaptação e um grande filme para se sentir rejuvenescido e rir um pouco. Com um pouco de cada elemento, um pouco de aventura, romance, comédia, drama e suspense. Um prato cheio. Recomendado.



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