Cine Cult: Carrossel (2015)

20/07/2015

Carrossel (2015) | Nota ★★★ (Bom) | Estreia: 23 de julho
Escrito por Lucas Simões | Revisão por Kamila Wozniak  


Para os que se lembram, nem que seja um pouco, dos personagens dessa clássica novela do SBT, ao ouvir a música tema que se manteve, sentirão uma certa nostalgia. O filme gira em torno das trapalhadas das crianças durante as férias, na fazenda do avô de Alícia, uma das crianças do núcleo mais genérico da trama. A fazenda está sob a vigia insistente de Gonzales e Gonzalito, os vilões da história que querem o terreno para construírem um shopping ou algo clichê do tipo.

O núcleo conhecido da novela em sua versão original, Cirilo e Maria Joaquina, ainda existe, só que agora é mais socialmente pensado. O roteiro não tem muitas surpresas e faz o já batido arroz-feijão de filmes infantis desde sempre. A direção e a atuação surpreende e enquanto comédia o filme é muito bom, enquanto musical possui bons momentos mas nenhuma composição se sobressai, fora que em um filme musical infantil é de se esperar que haja um pouco de dança, mas não há nada além de sugestões de coreografias que animam um pouco aqui e ali.


Esse não é um filme feito para crianças, e sim para os pais, é um filme que protege as crianças. Ninguém se machuca, ninguém se rala todo, ninguém fica com um galo na cabeça, nada. A infância não é protagonizada em momento algum além do que se cita em “We will rock you”, do Queen, que inclusive era algo que este crítico cantava em seus tempos de escola enquanto batia palma e na carteira no ritmo da música. Essa foi uma ótima referência, mas morreu aí.

As crianças não são crianças, são mais uma romantização de “como crianças deveriam ser”. Só há uma personagem nesse filme que existe na vida real, Maria Joaquina, a menina vaidosa, bonitinha, que gosta de tirar selfies. Ela existe, ela se comunica com o público, o resto das personagens é fabricado, é personagem de novela, consigo imaginar todo o resto adulto dizendo as mesmas coisas e fazendo as mesmas coisas, que não faz diferença alguma. O vilão ficou ótimo e seu capanga ficou sensacional, e o melhor de tudo é que eles não são a comédia inteira do filme, todos os atores dão ótimas contribuições. Enquanto comédia ele é genuíno e apesar do humor politicamente correto, arranca sinceras risadas.

Uma ótima comédia, um péssimo filme de criança, o melhor filme para pais de crianças do mundo e um musical até bom mas que faltou um investimento nessa parte, considerável. Pela nostalgia não vale, mas pra rir tá valendo.




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