Cine Cult: Belas e Perseguidas

01/07/2015

Belas e Perseguidas | Nota: ★★★★ | Estreia: 02 de Julho de 2015 
Escrito por: Lucas Simões | Revisão por: Kamila Wozniak


O filme começa convencional, como uma típica comédia romântica, apresenta a personagem de Reese Witherspoon, Rose Cooper, uma policial bobinha e atrapalhada que é a chacota do departamento de polícia e só mancha a reputação de seu pai após tentar seguir seus passos da melhor maneira possível. Ela é incumbida de proteger a esposa de Felipe Riva, Daniella Riva, interpretada pela belíssima Sofia Vergara. O filme possui uma construção bem interessante que vai de uma boba comédia romântica para um frenético roadmovie no estilo ‘Thelma e Louise’ e depois para um filme de ação policial. O início bobo pode fazer os mais críticos desistirem antes de o filme se desenvolver por martelar na tela a velha construção batida do formato açucarado, e aqueles que se renderem ao carisma de Cooper e à sensualidade de Riva (tarefa nada difícil) poderão aproveitar e se divertir com essa revigorante comédia.

Cooper é uma policial ingênua e nerd que segue o incorruptível caminho da profissão traçado por seu falecido pai, com um sotaque do Texas que parece ser parte de sua caracterização jocosa, talvez referência à policial Marge de ‘Fargo’. A beleza do roteiro se inicia no momento em que Cooper começa a ser comparada com Riva, que critica sua falta de traços femininos, indo daí para uma sugestão da já batida sequência de make over, onde a mulher nada feminina viraria um mulherão surpreendendo a todos, coisa que felizmente nunca acontece. Cooper veste uma saia e outros vestidos mais femininos mas continua sendo Cooper, a atrapalhada e boba Cooper, até o fim do filme.


Riva, por outro lado, é barulhenta e opinativa, incisiva, possui a voz da platéia, diz o que a platéia assistindo o filme grita que os outros personagens façam. “Anda logo! Vai! Abaixa!”, esse tipo de coisa, balanceando o fato de ser tão difícil se identificar com Cooper e ela ser tão irritável. Riva nos ganha com sua sensualidade, beleza e personalidade radiante que pouco a pouco vão perdendo força na medida que Cooper vai ganhando mais destaque. Riva vai se revelando enquanto esposa de um traficante de drogas enquanto Cooper permanece moralmente impecável, mesmo com motivações pertinentes e com seu charme, e ambas atingem um patamar bastante humano. Riva se veste também mas não para fazer um make over mas para destacar sua característica camaleônica e nos deixar atentos a sua imprevisibilidade.

O gênero do filme é bastante rico, como já falado, e se mantém enquanto comédia ao mesmo tempo em que salta para ação e drama em momentos oportunos e bem pontuados, dando ritmo à narrativa e profundidade para seus personagens. A comédia que se tenta inserir nas sequências de ação é infelizmente muito pobre e cria momentos interessantes mas não muito memoráveis, deixando claro que por mais que seja inovadora essa mistura bem sucedida de gêneros ainda falta desapegar completamente dos clichês.

A mensagem maravilhosa que fica ao final do filme é que independente de ser uma mulher nada feminina ou super feminina, toda mulher pode ser forte, corajosa, valente e pode vencer. Talvez os filmes “feministas” não precisam necessariamente tratar de mulheres desprovidas de sensualidade que nunca se apaixonam e só dão porrada nos homens. Esse é um filme que prova isso.



Um comentário:

  1. Bom dia,

    Não conhecia esse filme, mas sua resenha me deixou com vontade de ver, dica anotada...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.