Cine Cult: As Aventuras dos 7 Anões

10/07/2015

As Aventuras dos 7 Anões | Nota ★★★ (Bom) | Estreia em 09 de Julho de 2015 
Escrito por Lucas Simões | Revisão por Kamila Wozniak 


O filme já no início deixa clara sua proposta: é uma fanfic (fan made fiction ou, em português, ficção feita por fãs) de contos de fadas. Animações que podem ser consideradas dentro dessa categoria são Shrek (2001) e Deu a Louca na Chapeuzinho (2005), já que se apropriam de personagens conhecidos de fábulas infantis em suas histórias. Nesse filme, porém, a narrativa chave é a da Bela Adormecida, e os outros personagens fantásticos aparecem mas suas histórias originais não se mesclam à ela. O protagonista do filme é o anão Bobo, um dos sete anões que foram repensados e renomeados como Alegre (Feliz), Nublado (Zangado), Cookie (Mestre), Veloz (Soneca), Bobo (Dunga), Ralf (Dengoso?) e Tchako (Atchim?).

Bobo é um anão atrapalhado e bondoso que se torna o improvável herói que salva o dia, fazendo amigos também improváveis por onde passa, como o dragão Braseiro, ou Brasa para os amigos. Bobo e seus seis companheiros se tornam os heróis responsáveis por salvar o príncipe Jack (soa familiar? wait for it...) que foi aprisionado pela bruxa Dellamorta para que ele não beije a princesa Rose (e agora?) com um beijo de amor verdadeiro e quebre a maldição do sono que caiu sobre ela e todos que estavam no castelo. Pelo caminho os sete pequeninos encontram alguns seres mágicos ou míticos que os auxiliam em suas provações momentâneas e nunca mais aparecem novamente, o que é uma pena.


Já existem personagens demais para se desenvolver, isso é compreensível, mas o pouco desenvolvimento de personagens do filme não justifica prejudicar o desenvolvimento da narrativa. Todos os personagens são conceitualmente muito bem pensados visualmente mas o roteiro não aproveita muito bem suas características individuais, dando um destaque a alguns personagens que criam sequências interessantes mas possuem um potencial maior que foi mal aproveitado. Deve ser dito mesmo assim que para uma adaptação livre de contos de fadas essa é uma história bastante original.

O gênero de animação com tom de sátira, comum em filmes da safra de fanfics fantásticos, se constrói dentro da estrutura convencional emprestada dos musicais clássicos de Hollywood, onde os personagens se transformam, superam traumas ou nos mostram quem são através dos números musicais. Este filme infelizmente, ou possui personagens demais tornando músicas individuais algo impossível para atingir uma duração total aceitável para um filme infantil, ou não teve um desenvolvimento devido e investimento em composições que agregassem vários personagens simultaneamente. As músicas são curtas, não dão vontade de cantar junto e são simples demais, sem variações de gênero musical para casar melhor com cada personagem.

A animação em si não é ruim, os personagens são fluidos e reais, críveis, bem como o mundo em que vivem. A escolha dos animadores, de deixar o mamilo da vilã Dellamorta visível por baixo de seu vestido transparente, na minha opinião foi horrenda. Aí já ficou bastante claro para este crítico que não se tratava de uma animação americana, porque isso jamais seria aprovado lá. A animação é alemã. Apesar das falhas de roteiro e das músicas pouco envolventes essa é uma história original com personagens cativantes e engraçados que ficará na mente de muitas crianças. Recomendado.



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