Resenha: Sr Daniels

18/06/2015


Depois de perder a irmã gêmea para a leucemia, Ashlyn Jennings vê sua vida mudar completamente. Além de ter de aprender a conviver sem parte de si mesma, ela precisa se adaptar a uma nova rotina. Enviada pela mãe para a casa do pai, com quem mal conviveu até então, ela viaja de trem para Edgewood, Wisconsin, carregando poucos pertences, muitas lembranças e uma caixa misteriosa deixada pela irmã.

Na estação de trem Ashlyn conhece o músico Daniel, um rapaz lindo e gentil, e a atração é imediata. Os dois compartilham não só o amor pela música e por William Shakespeare mas também a dor provocada por perdas irreparáveis. Ao sentir-se esperançosa quanto a sua nova vida, Ashlyn começa o ano letivo na escola onde o pai é diretor. E não consegue acreditar quando descobre, no primeiro dia de aula, que Daniel, o belo músico de olhos azuis com quem já está completamente envolvida, é o Sr. Daniels, seu professor de inglês.

Desorientados, eles precisam manter seu amor em segredo, e são forçados a se ver como dois desconhecidos na escola. E, como se isso já não fosse difícil o bastante, eles ainda precisam tentar de todas as formas superar os antigos problemas e sobreviver a novos e inesperados conflitos.

Ashlyn sempre teve com a irmã mais do que um laço sanguíneo; elas eram melhores amigas e se apoiavam em tudo o que faziam. Quando a Gabby morre,  a Ashlyn perde a sua referência e como se não bastasse isso, sua casa também. A mãe decide manda-la para a casa do pai que ela não via a muito tempo. Começar em uma cidade e escola novas não seria fácil, mas longo nas primeiras noites ela conhece um cara que parece entende-la em tudo. Esse cara é o Daniel, músico e seu professor de inglês. Daniel nunca imaginou estar numa situação como essa, interessado em uma aluna sua. É errado em vários níveis, mas ambos não conseguem se afastar. Eles compartilham mais que a dor da perda e não justo que se separem, mas as consequências, caso continuem juntos pode ser devastadora.

O livro alterna a narrativa em primeira pessoa acompanhando os protagonistas Ashlyn e Daniel. A Ashlyn é uma garota comum e que vivia a sombra da irmã gêmea, a que sobressaia e era a preferida da mãe. Então quando o livro começa e a irmã já morreu, ela está perdida e passa boa parte do livro assim. Ela gosta de ler, é mais reservada e tem poucos amigos. Já o Daniel tem problemas um pouco mais complicados do que a Ashlyn e lida com eles de uma forma diferente também. Ele é músico e tudo acaba sendo inspiração para as letras, letras essas que vão unir os dois de uma forma peculiar e engraçada. O Daniel é um personagem feito sobre medida para quem não quer deixar esse mundo sem viver um grande amor. Se existe um cara perfeito, no sentido que equlibra o sonho com a realidade e as qualidades com os defeitos, é ele.

Será que ele estava flertando comigo? Porque se tinha um momento em que eu gostaria que uma pessoa flertasse comigo, era enquanto falávamos sobre livros. 


A primeira coisa que vocês vão reparar no livro, é que a Gabby, irmã gêmea da Ashlyn, é uma personagem incrível e que não tinha que ter morrido, pelo menos para mim. Ao morrer ela deixa uma lista com várias coisas que a Ashlyn tem que fazer. Isso na verdade é uma forma de estar perto da irmã, de conforta-la. Ela sabia que a irmã ia sofrer e que ela vivia se escondendo, de tudo. Nessa lista tem coisas simples, como dançar num bar ou beijar um estranho e coisas mais difíceis como perdoar o pai por te-las abandonado. O mais legal é que essa lista vai envolver outras pessoas, não só a Ashlyn. Claro que a maioria ela vai fazer com o Daniel, inclusive coisas quentes. O que me lembra que o livro tem toques sensuais, nada explícito, mas por ser um jovem adulto quase new adult, é esperado.

O tom do livro é bastante melancólico e reflexivo. São vários personagens que perderam alguém, que estão buscando se encaixar em algum lugar ou procuram amor e aceitação dos pais. O pai da Ashlyn abandonou a família muito cedo e isso é uma mágoa que ela não superou, ainda mais que o pai tem novos filho agora. O Daniel tem uma relação complicada com o irmão, que afetou diretamente a convivência com os pais dele. Tem um personagem que eu não vou falar o nome para deixar na expectativa, mas é esse que busca a aceitação dos pais, e sofre um conflito de identidade grande entre quem ele é e quem querem que ele seja. O final dele é trágico, mas muito próximo do que acontecem com alguns jovens na vida real.

Porque quando as pessoas morrem, levam suas vozes com ela. Fiquei me perguntando se elas sabiam que quem fica daria tudo para ouvir suas vozes uma última vez.


É um livro triste sim, mas que também te deixa com um sorriso nos lábios por causa do romance. A Ashlyn e o Daniel combinam de verdade, daquele jeito que se fosse na vida real eles envelheceriam juntos. A cena que eu mais gostei deles foi uma das primeiras, quando eles se conhecem no bar e abrem seus corações um para outro. Costumo achar esse tipo de situação forçada, mas com eles foi natural, divertido e emocionante. Não quero entrar nos detalhes da relação aluno e professor, porque isso é importante e determina algumas ações que os dois fazem, embora esteja na sinopse. Acho que a autora percebeu que já tinha sofrimento demais no livro e pegou leve com os dois nessa questão, que é delicada e pode trazer consequências sérias.

Como sempre tenho algumas ressalvas para fazer sobre o livro, mas que em nada influenciaram o fato de eu ter adorado a leitura. A doença da Ashlyn não fica clara, se é a mesma da irmã ou diferente. O fim do livro é um pouco corrido, com eles relembrando alguns personagens e finalizando a estória do casal; poderia ser feito com um pouco mais de clama e páginas. Sr. Daniels foi construído para que a gente se apaixonasse pelo enredo, personagens e não conseguisse largar até terminar. Comigo todas essas estapas foram concluídas com sucesso, fora as lágrimas. Eu ainda trouxe para a minha vida essa lista de coisas que eu gostaria de fazer, e olha é muita coisa, mas nada impossível e que não dependa apenas de mim. Enfim, é um ótimo livro, eu juro juro.

Quero ser seu, quero que você seja minha e odeio não podermos ser 'nós'. Porque acho que fomos feitos para ser 'nós'. 

www.seja-cult.com
Sr. Daniels
Brittainy C. Cherry
Editora Record: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. É um livro triste, mas creio que reflexivo também, só de ler a resenha eu já fiquei envolvida pela história e querendo saber mais da dor dos personagens, querendo confortá-los haha ficou ótimo!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/2015/06/desafio-de-genero-suspense-ultima-vitima.html
    Tem resenha nova no blog de "A Última Vítima", vem conferir!

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