Resenha: Beleza Perdida

03/06/2015


Ambrose Young é lindo - alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose... até tudo na vida dele mudar. Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. 

É uma história sobre perdas - perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.  

Fern Taylor sempre amou Ambrose Young, o cara mais lindo e a sensação da luta livre de sua cidade. Ambrose tem tudo aos seus pés, um futuro promissor e garotas, mas acaba se alistando para lutar na guerra após o 11 de setembro. Quando volta do inferno, ele não é mais o mesmo, tanto por dentro quanto por fora. Seu rosto está deformado e agora ele não tem mais nada a seus pés, pelo menos era o que ele achava, até reencontrar Fern. O amor dela não mudou ao longo dos anos e nem diminuiu agora que sua aparência passa longe de antigamente. Só que Ambrose carrega o fardo de ter perdido tudo e não se acha merecedor de uma nova oportunidade, mas Fern fará o que puder para mostrar que ele está errado, que apesar da aparência, o Ambrose que ela sempre amou ainda vive dentro dele.

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanha os personagens Ambrose e Fern. Lendo a sinopse até dá para pensar que o Ambrose é o típico rostinho bonito americano, mas ele não tem todo esse estereótipo. Ele meio que foge disso em muitas atitude, tentando equilibrar a personalidade de lutador com um cara sensível que gosta de poesia. A Fer já é a menina típica patinho feio e se ressente muito por isso. Ela ama o Ambrose de todo o coração, mas não sabe como chegar nele com a rosto e corpo que tem. Às vezes ela faz um mimimi, só que ao mesmo tempo luta pelo que quer. O que eu mais gostei nela foi isso, que embora se ache feia para o Ambrose, ela não deixou de amá-lo e quando ele volta, luta e se joga pra cima dele com todas as forças.

Às vezes é difícil aceitar. É difícil aceitar que você nunca vai ser amado do jeito que quer ser amado.


Assim que eu fiquei sabendo que esse livro era uma versão contemporânea do conto de fadas A Bela e Fera eu fiquei desesperada para ler. Nunca escondi de ninguém o meu amor por esse conto e o que devoro tudo que remete a ele. O livro gira inteiro sobre a dualidade do bonito e feio em vários níveis, envolvendo vários personagens. No começo eu achei que era só sobre o Ambrose e a Fern, com ele sendo lindo e ficando deformado e ela sendo o patinho feio e depois ficando linda, mas tem personagem que é lindo por dentro e por fora tem um corpo considerado feio, tem embalagem que você compra fácil e depois se arrepende, tem mulher se afastando de quem a trata bem, porque ele não é do jeito que ela quer.... São diferentes tipos de beleza e diferentes tipos de feiura.

Acredito que em todas as resenhas vocês vão ver longos parágrafos sobre o Bailey. Um personagem que roubou todas as cenas no livro e se tornou, de longe, o melhor personagem do mesmo. O Bailey é o melhor amigo da Fern, e um cara que tem uma doença chamada distrofia muscular de Duchenne. Por causa dessa doença ele não tem controle sobre os movimentos do corpo e precisa da ajuda de uma pessoa para praticamente tudo. Com uma doença como essa, era de se esperar uma pessoa pra baixo e triste, mas é exatamente o contrário. O Bailey é uma das almas mais alegres que eu já li num livro, com uma vontade de viver e determinação que falta em muita gente saudável por ai. Ele não usa a doença para ser um coitadinho, ele quer apenas viver e ser pelo tempo que ele tem. É um exemplo e um personagem que eu vou guardar com muito carinho nas minhas lembranças.

...Ambrose Young se sentiu escorregar, deslizar, se apaixonando, sem ter como evitar, e com muito pouca resistência, por Fern Taylor.


Por ser um new adult, eu também esperava que esse livro teria algumas cenas eróticas ou sensuais, mas não, a estória não tem nada perto disso. Eu não considero palavras leves ligadas ao sexo como algo erótico, porque isso o livro tem, bem pouquinho. O foco do livro é totalmente no romance, deixando para que quem lê imagine as cenas picantes. Não me fez falta e não deixei de gostar do livro por causa disso. A minha única ressalva é quanto a aparência que o Ambrose fica depois que volta da guerra. Quem leu ou viu o filme A Fera vai perceber semelhanças. Tanto o Ambrose quando o Kyle possuem a cabeça raspada, marcas de queimadura e em alto relevo no rosto, andam com capuz sobre a cabeça e ambos são Feras em seus respectivos livros. Também não me incomodou esse fato, mas não passou despercebido.

Chorei, chorei muito com o livro, com a verdade triste que ele apresenta, com a nossa necessidade de sempre preferir tudo que é perfeito e lindo, com a nossa fragilidade diante da opinião das pessoas e principalmente com o fato de perdermos tantas oportunidades de sermos felizes por causa disso. Não tem como ler um livro assim e não pensar nas escolhas que fazemos não só no amor, mas também nas amizades ou nas pessoas que deixamos de conhecer por causa disso. O mais difícil é sempre pensar no que realmente importa quando nos deparamos com situações como essas, em que a beleza faz toda a diferença. A questão é, faz mesmo toda a diferença? O livro, assim como o conto de fadas, traz essa mensagem linda sobre a beleza e chances de ser feliz embrulhadas em embalagens, nem sempre atraentes, que esperam pela pessoa certa, aquela que sabe apreciar o que verdadeiramente importa.

Acho que é por isso que a Fern sempre gostou tanto de ler. Os livros permitem que as pessoas sejam quem elas querem ser, para escapar de si mesmas por um tempo.

www.seja-cult.comBeleza Perdida
Amy Harmon
Verus Editora: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Sempre tive vontade de ler esse livro, mas acaba que nunca entro no clima certo pra ele.
    Sabia que ele voltava deformado, mas não sabia que a protagonista era considerada um patinho feio.
    Deve ser interessante essa dinâmica e também a do amigo com a doença e que mesmo assim tem gana de viver. Me animei pra essa leitura.
    Excelente resenha, Denise!!!

    Bjooos
    http://lapiselivros.blogspot.com.br/

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