Resenha: As pontes de Madison

11/05/2015


O ano é 1965, e a cidade de Iowa, interior dos Estados Unidos, parece estar ainda mais quente nesse verão. Francesca Johnson, uma mãe de família que vive uma vida pacata do campo, não espera nada além dessa temporada do que o retorno dos filhos e do marido, que viajaram. Sua tranquilidade, porém, será interrompida com a chegada de Robert Kincaid, um fotógrafo de espírito aventureiro que recebeu a missão de registrar as belíssimas pontes de Madison County. 

Francesca e Robert comprovaram para o mundo que o valor das coisas está realmente na intensidade que elas carregam e não no tempo que duram. Casada, mãe, Francesca não deveria ter sentimentos tão fortes por esse fotógrafo. Assim como ele, um homem tão livre, nunca se viu tão preso a alguém que acabou de conhecer. E é justamente assim que as paixões intensas funcionam: é como ser atingido por um raio quando menos se espera, e, de repente, seu corpo e sua existência estão preenchidos de energia, sem ter como voltar atrás para o estado anterior. E perdemos todo e qualquer pudor ao ver que é possível, uma vez mais, encontrar espaço para dançar. 

As pontes de Madison dá voz aos anseios de homens e mulheres de todo mundo e mostra, por meio desse encontro fortuito e avassalador, o que é amar e ser amado de forma tão ardente que a vida nunca mais será a mesma. 

As Pontes de Madison conta a história de amor entre Francesca, uma dona de casa, com uma vida monótona e Robert, um fotografo que vive a vida viajando e descobrindo novos lugares. Separado há nove anos, tudo que Robert tem é seu talento para fotografar. Em uma das viagens que faz a trabalho para a revista National Geographic, para descobrir informações sobre uma das pontes que pretende fotografar na cidade, ele acaba parando em frente a casa de Francesca.

Francesca, vinda de Nápoles, ex-professora que agora se dedica apenas a cuidar do lar, filhos e marido, é quem lhe dá as informações de como chegar a ponto que ele procura. Robert logo se sente atraído por ela e, de algum modo, ela também se sente atraída por ele e então tudo começa. Francesca se oferece para levá-lo até lá, e ele prontamente aceita. Como seus filhos e marido estão fora por uma semana, ela não sente o forte impulso de convidar Robert para entrar e jantar em sua casa.

Não é necessário muito tempo para que ambos descubram estarem apaixonados um pelo outro. Entre algumas poucas jantas, olhares, danças na cozinha e conversas banais, ambos descobrem que tudo que procuraram na vida estava bem diante deles: um ao outro. Ambos descobrem que há muito mais que uma relação física entre eles, mas também algo que vem do coração, um amor puro e sincero.

Não tenho certeza se você está dentro de mim, ou que estou dentro de você, ou que eu a possuo. Pelo menos, não quero possuí-la. Acho que ambos estamos dentro de outro ser que criamos, chamado “nós”.

Francesca é uma personagem mais velha que, porém, tem um ar jovial, uma áurea forte de sensualidade e um desejo de sair da rotina e ousar, e Robert proporciona tudo isso a ela, pois é um personagem livre, poderoso tanto num sentido mais físico, quanto emocional, pois sabe ser gentil, amoroso e ao mesmo tempo sabe agradá-la. Ele não a conduz a algo que ela não queria, e até mesmo tenta resistir a ela com o instinto de protegê-la, entretanto, tanto ela quanto ele são tomados pelos sentimentos inevitáveis que sentem um pelo outro.

Não sei se foi a intenção do autor, mas vejo uma crítica ao comportamento social, como no caso do casamento que cai na rotina; dado um certo momento no livro, quando Francesca lembra-se de quando dava aulas, como seus alunos zombavam da poesia por uma falta de cultura, numa cidade onde se podia criar bem as crianças, mas não havia como se moldar os adultos.

As Pontes de Madison é um livro bem pequeno, uma leitura rápida, porém muito agradável. É maravilhosa a maneira como ambos se encontram e em instantes descobrem que há uma força superior entre eles, como se os dois fossem destinados um ao outro, e Robert, com suas andanças como fotógrafo, a estivesse procurando, e Francesca, paradinha em seu lugar, o estivesse esperando. É uma obra linda, um clássico simples e ao mesmo tempo rico, sem dúvidas vale a pena a leitura.

https://www.facebook.com/literaturadeepoca?fref=ts As Pontes de Madison
Robert James Walter
Única Editora: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Olá Naiara,

    Esse livro está na minha lista de desejados, quero muito ler e sua resenha me deixou ainda mais curioso, a capa é muito bonita também, ótima resenha...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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