Resenha: Uma história de amor e TOC

29/04/2015


Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.

A Bea seria uma jovem considerada normal, com seus 16 anos e uma vida toda pela frente, se ela não stalkeasse pessoas. Por alguma razão, ainda não explicada pela medicina, o cérebro dela vê algumas pessoas e por elas desenvolve um tipo de obsessão. Ela precisa ver essas pessoas todos os dias, anotar o que elas estão fazendo, acompanhar a sua vida, porque se não elas morrem. Beck entra na vida dela na forma mais emblemática impossível, eles se conhecem no meio de um ataque de pânico dele. Na cabeça da Bea, meio que se forma um plano, se ela ficar com ele, um cara que tem TOC, isso vai ser desviado para ele e ela vai ser a normal da relação. Só que os caminhos deles se esbarram mais profundamente do que ela esperava e agora só resta aos dois se aceitarem como são.

Quem narra o livro é a Bea e ela é uma personagem ótima, porque é realista com os problemas dela, mas também tira sarro de si mesma. Tem situações que ela é forte, vulnerável, que ri e que fala tudo que vem a cabeça. Isso é um ponto legal, ela não consegue segurar a língua algumas vezes e fala o que pensa na lata. Não é uma atitude de pessoa que quer sempre ser sincera e tal, ela apenas não consegue não dizer. Na outra ponta do TOC, tem o gracinha e triste Beck. O cara grandão que não consegue parar de malhar e nem ficar sem estar limpo, é limpo no sentido de arrancar a pele. Esse personagem me comoveu até mais do que a Bea, acho que pelo fato dele ser mais pacifico, como se aceitasse ser assim sem lutar muito. Até as terapias em grupo, vontade de abraçar e ser amiga de todos eles, e a Bea começam a fazer efeito na vida dele. O romance entre eles é estranho, confuso e funciona assim mesmo.

Eu me pergunto se sair com Beck só vai me deixar ainda mais louca. Eu me pergunto se só esses pensamentos já estão me deixando louca.


Quando eu recebi esse livro da Galera achei que seria uma leitura super divertida e logo me identifiquei com a protagonista. Todo mundo têm as suas manias, mas claro que existe uma linha, para mim muito tênue, entre o que é aceitável e o que é considerado como doença. Você começa a ler o livro rindo do humor negro da Bea, só que a medida que o enredo avança você vai ficando angustiado e percebe que o livro não é uma comédia, ele é um drama juvenil. Uma história de amor e TOC trata de um assunto sério, com uma linguagem para jovens claro, e que você tem que ter atenção para perceber isso. O que não pode acontecer é você ler, rir, fechar e esquecer, quando o livro te traz elementos para refletir. Quando ele te convida a pensar nesses personagens e fazer uma ponte com a sua vida.

Eu tive uma aproximação com a Bea muito grande, eu me imaginava no lugar dela e me sentia muito mal. É desesperador você querer ser normal, aceitável, e não conseguir. Ela não aceita essa loteria do TOC e não entende porque aconteceu justo com ela. A Bea sabe que tem um problema, mas ela não entende que se para ela é uma questão de sobrevivência, porque é tão errado. Um exemplo básico. Você vê um cara gatinho no ônibus, pode até se imaginar casando com ele, mas quando desce no seu ponto e faz as suas coisas, esquece ele. Ou às vezes lembra, só que por cima. Com a Bea acontece o seguinte, ela vê e por alguma razão desenvolve um tipo obsessão. Ela precisa ver essa pessoa sempre, porque senão, na cabeça del,a essa pessoa vai morrer.

Beck me disse que eu era o seu amuleto da sorte para melhorar. Ele segurou minha mão por alguns minutos, e só passou cinco lavando-as mais tarde.


Fora ela ser stalker, a Bea tem outros problemas. Ela tem problemas com dirigir, com objetos afiados e mais outras coisinhas. Geralmente a fobia ou pânico não é só de uma coisa, é uma série de situações que desencadeiam isso. Enfim, com esse livro você ri para não chorar. Teve uma cena que me tocou muito, que é a da Bea com o Beck no recital de dança da amiga dela. O Beck tem esse problema da limpeza e academia, por isso ele é grande e eu fiquei imaginando ele super grande, então a amiga dela fica com vergonha dele, porque o seu tamanho e entrar no banheiro toda hora, está assustando as meninas do recital. A Bea não sabe lidar com ele porque ela se vê nele. Se o Beck, que tem TOC, não é aceitável e faz as pessoas terem vergonha, então isso também acontece com ela.

Dai você também começa a pensar na pessoa que lida com quem tem TOC, que deve ser difícil e tudo cai num mar de ' meu Deus, como resolver isso?'. É uma leitura muito, muito boa. E com uma linguagem, como disse, jovem e que qualquer pessoa entende, pelo menos um pouco, o quão forte essas pessoas precisam ser para lidar com problemas como esse. Quando esse tipo de surpresa acontece é tão bom; de um livro que só pelo titulo e sinopse você sabe que vai gostar, mas ele te pega em mais detalhes e você se vê lendo loucamente e desejando que os personagens sejam felizes de qualquer forma, porque eles merecem. Sobre o final, a autora foi realista, como foi durante o livro todo. O tratamento do TOC é algo que você faz para sempre, mas ter essa doença não significa que você não vá sem feliz, e com o final a autora quis passar essa mensagem. Adorei!

É como uma transação de drogas num universo paralelo. Ele está ansioso por um pouco de sabão antibacteriano e vai pagar um bom dinheiro para obtê-lo.

*Esse livro tinha que virar filme. É daqueles que você consegue imaginar tudo na cabeça e daria um bom roteiro.

www.seja-cult.com
Uma história de amor e TOC
Corey Ann Haydu
Galera Record: Twitter/Facebook


3 comentários:

  1. Oi Denise!
    Tive a mesma impressão que você, de que essa seria uma leitura super divertida, mas eis que o drama está muito mais presente do que parece à primeira vista, né?
    Também fiquei satisfeita com o final e com a condução de maneira geral. Acho que ser realista é fundamental para qualquer história e essa conseguiu fazer isso muito bem.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  2. Oi Denise!
    Já tinha visto bastante divulgação sobre esse livro, mas a sua é a primeira resenha que eu conheço e já percebi que eu estava pensando errado sobre o enredo.Eu também imaginei que seria um livro leve, daqueles que são logo esquecido, mas ver que é mais que isso me deixou com bastante vontade de conferir a história. Imagino que vou me colocar no lugar da Bea e já estou pensando como seria simplesmente não conseguir esquecer de alguém, criar essa obsessão...
    Bjs
    sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br

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  3. Também recebi esse livro, Denise, e estou curiosíssima pra ler!
    Gostei de como você ressaltou o fato de ser complicado viver com TOC, realmente, a situação pode parecer engraçada no início mas viver uma vida toda assim deve ser muito complicado!
    Sua resenha só aumentou minha vontade de ler ele logo!

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