Resenha: Proibido

13/04/2015


Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. 

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. 

Eles são irmão e irmã. 

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade. 

Acho que vou fazer essa resenha um pouquinho diferente do que faço normalmente, sem tudo separadinho e mais formal. Eu quero apenas levantar algumas questões com vocês sobre o livro sem a intenção de recomendar ou não, de falar se eu curti o livro ou não. Proibido foi um livro que me chamou a atenção já tem um tempinho, bem antes de ser lançado por aqui. Quando a Valentina anunciou que lançaria, preferi esperar, o que estava protelando, e ler traduzido. Lá fora o livro dividi opiniões, assim como aconteceu aqui no Brasil e provavelmente em todos os lugares que foi lançado. Muitos não conseguiram separar o casal do fato de serem irmãos e por isso da afronta. Quem não gosta, não gosta do livro de verdade.

Desde o começo da leitura eu não via os protagonistas, Maya e Lochan, como irmãos, embora eles sejam isso. O que acontece é que desde o começo da vida deles, um carinho diferente surgiu e quando o pai vai embora e eles assumem a casa, a criação do irmãos, o papel de pai e mãe é transferido para eles e depois o casal que isso representa. Como eu não li o livro pensando nele como irmãos o romance para mim foi normal e igual ao de um casal que tem filhos. Isso é o pilar do romance da autora, e acaba fazendo alguns leitores esquecerem que eles são irmãos, e até os outros irmãos. A mãe, adulta, não está presente e isso confunde os menores que questionam se o mais velhos são os verdadeiros pais deles.

Como o nosso amor pode parecer horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?


Nós podemos tirar várias e várias discussões desse livro, claro que o incesto é o que se sobrepõe, mas antes dele vem a negligencia da mãe. A mãe dos meninos é uma mulher que não aceita a vida que têm. Ela não quer ter responsabilidades, quer ser jovem o tempo todo e curtir a vida, o que faz com que os filhos assumam esse papel. Eles vivem num situação complicada, sem muitos recursos financeiros e se não fosse pela Maya e Lochan, ninguém iria para a escola, tomaria banho, comeria e faria essas coisas bem básicas. Dá para perceber que eles não queriam isso, mas foram forçados por motivos de 'ou nos unimos e fazemos isso ou morremos de fome'. Não dá para eximir a mãe de ser uma percursora do que acontece nesse livro, ela é praticamente inexistente e a sua inexistência é o que desenrola as coisas.

Toda essa pressão, de cuidar dos mais novos, resulta num personagem extremamente angustiante de ler, o Lochan. Por ser o mais velho, é nele que recai a maior parte da responsabilidade de cuidar dos outros. Ele não tem vida, vive em função dos irmãos, o que resultou num adolescente problemático. O Lochan tem depressão em algum grau, tem transtorno de ansiedade e fobia social. O personagem não consegue se relacionar com outras pessoas fora da família, e só na Maya encontra apoio. A Maya é uma menina forte e alegre e que acaba sendo o equilíbrio do Lochan. É ela quem liga todo mundo, apazigua as brigas, bem como mãe mesmo. É importante ressaltar que tudo entre eles é consensual, nada forçado, e o romance acontece, e segue, como o de qualquer outro casal.

Ele sempre foi mais do que apenas um irmão. Ele é minha alma gêmea, meu oxigênio, a razão pela qual espero com ansiedade pelo momento de acordar todos os dias.


A autora permeia o livro de justificativas como as apontadas nos outros parágrafos: a culpa é da mãe? eles não se tratarem como irmãos significa alguma coisa? E o que eu achei interessante é que os protagonistas sabem que isso é um crime, que as pessoas não aceitam e debatem o assunto, prós e contra. Com esses debates a autora levanta um ponto importante, até que ponto essa denominação de irmão é significativa. Se não fossem os pais, ou o convívio familiar para dizer que o seu irmão é seu irmão, você conseguiria identificar isso? Se não tem uma mãe, ou tivesse, eles não seriam irmãos? Eles tentam encontrar saídas para uma questão biológica, sangue do mesmo sangue, mas que também é fruto de um meio. Muito do que nós somos, talvez bem mais do que queremos, é determinado por outros pessoas.

Como disse no começo a minha intenção com essa resenha era apenas expor ideias e não dizer se é certo ou errado, embora eu tenha uma opinião formada sobre o livro. Acho que nem a autora tinha a intenção de apontar isso, ela queria apenas discutir um tema que deve ser importante para ela de alguma forma. O livro flui muito rápido e tem um tom melancólico que já antecipa o que está por vir, no final. Sobre isso a autora foi pelo caminho mais triste e fácil, quando as coisas tomaram proporções maiores ela pulou fora. Gostando ou não, não dá para negar que Proibido é um livro que te faz ter alguma opinião, querer debater e expor ela. Ele também te emociona e te coloca numa posição difícil, entre o coração e a razão, aquilo que é certo e os sentimentos que vão contra isso.

Não há leis nem limites para sentimentos. Nós podemos nos amar tanto e tão profundamente quanto quisermos. E ninguém, Maya, ninguém vai poder jamais tirar isso de nós.



www.seja-cult.comProibido
Tabitha Suzuma
Editora Valentina: Twitter/Facebook

5 comentários:

  1. Esse é um tema bem interessante, realmente. Eu não conhecia o livro, mas vou procurar saber mais e formar a minha opinião sobre ele também. Gostei da forma como você escreveu a resenha, parabéns!

    Beijos
    http://www.culturaliteraria.com/

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  2. Eu tentei começar a ler mas nao sei, acho que eu tenho de estar no clima para ler um livro dessa atmosfera. Sinto que chorarei horrores.

    Beijos

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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  3. Oiee.

    Não li essa obra, mas confesso esta curiosa.
    Sempre vejo resenhas ótimas e por isso a vontade de ler apenas aumenta. Espero ver o livro por este lado exposto na resenha e não julgar por certo e errado


    Beijos Fê
    www.amorliterario.com

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  4. Oi Denise, tudo bem?
    Esse livro traz uma trama bem complicada e sinceramente no momento não e um livro que eu gostaria de ler, mas no futuro tenho vontade de saber o que acontece com Maya e Lochan. Ótima resenha!!

    *bye*
    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    Nossa, a cada resenha que leio eu vejo o quanto deve ser intenso fazer a leitura desse livro. Estou muito curiosa sobre ele, sei que preciso ler pra realmente formar uma opinião, mas acho que vou estranhar muito o romance nesse livro. Tirando essa parte, são muitos temas polêmicos sendo abordados, então não vejo a hora de conferir!

    Beijos, Fer.
    http://viciosemtres.blogspot.com.br/

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