Resenha Histórica: Sua última Duquesa

15/04/2015


Seduzida pelo sol ardente e pelas paixões ofuscantes da Itália Renascentista, a jovem Lucrécia de Medici, de 16 anos, vê uma vida dourada estendendo-se à sua frente. Seu marido muito rico escolheu-a como esposa, e o grande castelo dele em Ferrara vai ser o seu playground. Mas Alfonso d’Este, Duque de Ferrara, rapidamente se mostra tão perigoso e misterioso quanto é moreno e bonito, e as paredes de pedra do castelo parecem fechar-se em volta de Lucrécia como os muros de uma prisão. Apenas a amante do duque, Francesca, parece capaz de domar sua fúria crescente, enquanto sua necessidade desesperada de produzir um herdeiro o faz cair numa obsessão delirante. Com a cabeça cheia de sonhos desfeitos, Lucrécia foge dele por um caminho perigoso que pode lhe custar muito caro. 

Sua última Duquesa é uma obra narrada em terceira pessoa que conta a estória de Lucrecia e do duque de Ferrara, Afonso d’Este. Aos 16 anos, Lucrécia vê a perspectiva de se tornar uma duquesa e sente-se animada, pensando em sua nova vida. Apesar de não possuir títulos e ser filhas de novos comerciantes, Alfonso acaba escolhendo-a para ser sua esposa.

No início, a alegria da jovem, sua vivacidade e vigor o fascinam. No entanto, após o casamento, Alfonso encara seu ânimo de uma forma desprezível, pois não tolera a maneira como ela se relaciona com os empregados. Como se não bastasse isso, por conta de um pequeno problema que ele só tem com a esposa, Alfonso não consegue dar filhos a ela. Desse modo, sentindo-se humilhado, ele recorre a amante, Francesca, a única com quem ele pode ser ele mesmo, para aliviar suas frustrações.

Lucrécia vai percebendo que seus sonhos e anseios não são possíveis de serem concretizados, pois Alfonso não confia nela e, dessa forma, toma todas as decisões do Castelo, sem sua opinião. Ele constantemente a humilha com palavras, não apenas quando estão sozinhos, mas na frente de amigos ou quem quer que esteja por perto, fazendo-a se sentir ainda pior. Por conta dessas intempéries, ela tem seus olhos abertos e percebe que seu casamento nada mais foi que um ato comercial, garantindo à sua família uma posição melhor na sociedade.

A enormidade das mudanças que estavam para acontecer surgiu diante dela, irreversível e inexorável como um batalhão se soldados em marcha, de repente tão real como nunca havia sido até aquele momento.

Com o tempo nada melhora, o duque vai se mostrando um homem perverso e Lucrécia vai se sentindo cada vez mais aprisionada e infeliz com sua condição, já que entre tantos anseios, um deles é se tornar mãe. Nesse meio tempo, o duque contrata Jacomo e Fra Pandolf para pintarem um afresco no castelo e um sentimento proibido começa a nascer entre Jacome e a duquesa.

Lucrécia é uma personagem encantadora, muito simples e humilde, que trata a todos com dignidade. Já Alfonso é um homem frio, arrogante e cheio de perturbações, pois além de não conseguir se deitar com a esposa, sofre com a ameaça de perder o ducado e assim ver o nome de sua família esquecido. Temos também Catelina, que é escolhida pela duquesa para ir ao Castelo como sua dama de companhia. Lucrécia vê nela muito mais que uma criada, mas uma amiga para todos os momentos, inclusive para desabafar, fazendo-a, assim, conhecedora de seus segredos.

Jacomo é um personagem que aparece pela metade do livro. Aprendiz de Fra Pandolf, apesar da cicatriz que carrega no rosto, seu ar gentil e afável, sua dedicação, se mostram mais atraentes para Lucrécia do que a beleza fria do esposo. Francesca, a amante de Alfonso, também é uma personagem cativante, pois se mostra muito mais humana que o próprio duque ao se preocupar com a maneira como a pobre duquesa é tratada, sentindo compaixão pela sua sorte.

Certamente, se uma pessoa é engraçada, ou inteligente, ou talentosa em qualquer outro aspecto, deveria ser admirada como tal, não importa a posição na sociedade que Deus escolheu para ela.

O livro é bem escrito, a autora consegue captar a sensibilidade de detalhes externos e sentimentos de um modo bem claro e detalhado. A estória contém algumas palavras de baixo-calão, e o tempo todo temos aquele ar mais erótico, apesar de as cenas mais quentes serem descritas sem detalhes vulgares. O livro também traz um pouco da cultura e costumes mais da Itália Renascentista. Me atrevo a dizer que obra em si é um tanto pesada, pois sentimos muito fortemente as aflições de Lucrécia e o terror que o duque causa sobre ela. Há momentos em que as atitudes frias de Alfonso chegam ao extremo e fazem você desejar entrar no livro e bater no personagem com muita força e, ainda assim, não se sentir satisfeito (quem nunca sonhou com isso?).

No geral não posso dizer que a leitura tenha sido agradável, nem tampouco ruim. Fiquei um pouco incomodada pela estória de verdade só acontecer bem mais pra frente, já que no início ficamos mais presos ao relacionamento lascivo entre Lucrécia, Alfonso e Francesca. Contudo, a escrita de Gabrielle Kimm é muito boa e fluída, além do que, apesar de o romance ser a visão da autora do poema “Minha Última Duquesa” de Rober Browning, os personagens de fato existiram e houve toda uma pesquisa para que uma boa parte do perfil fosse construído e a estória se aproximasse de fatos verdadeiros, mesmo que a maior parte seja apenas ficção.


https://www.facebook.com/literaturadeepoca?fref=tsSua última Duquesa
Gabrielle Kimm
Editora Record: Twitter/Facebook

4 comentários:

  1. Não conhecia o livro, gostei muito da sua resenha e sua sinceridade, fiquei curiosa pela leitura pois adoro um bom romance de época e seus dramas, mas fico um pouco desanimada pelo desenrolar da história acontecer só no meio do livro. Os personagens parecem bem interessantes.

    Obrigada pelo carinho. Beijos :*
    Claris - Plasticodelic

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  2. Gostei da resenha. Amo esse romances de época, mas a parte ruim é que sempre são pesados e com muita violência. O livro me lembrou do pouco do filme A Duquesa e da historia da Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire, ela e a Lucrécia tem muitas coisas em comum em relação ao casamento.

    Beijos
    www.umdiarioqualquer.com

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  3. Pelo que notei na resenha, o livro parece ser tenso. Pois as emoções que a personagem da Lucrécia vivencia no decorrer da trama são bem fortes. E acho que consigo entender não ficarmos tão felizes com o livro, afinal, a história não deve ser como estamos acostumados, aquele romance meloso. É mais real e por assim ser, também é mais cruel. Afinal, a realidade das mulheres da época não era muito boa né?

    Beijos

    http://ventoliterario.blogspot.com.br

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  4. Olá Naiara,

    Não conhecia o livro, achei bem interessante, gosto de livros com histórias que remetem o passado, dica anotada...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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