Cine Cult: Mapas para as Estrelas

25/02/2015

Mapas para as Estrelas // Estreia: 2 de abril
Texto por: Ana Marta // Revisão por: Jonathan Humberto 

 "A grande fama das celebridades hollywoodianas mostradas por uma visão mais realista" 


A história fala da personagem Agatha Weiss (Mia Wasikowska) que chega a Los Angeles para visitar a sua família, porém os seus motivos são outros. Ela acaba conhecendo um motorista de limusine; Jerome Fontana (Robert Pattinson). Ainda consegue uma vaga de emprego como assistente pessoal da atriz Havana Segrand (Julianne Moore), que está envelhecendo sem conseguir um papel marcante pra sua carreira. Para conseguir ter um certo equilíbrio na vida pessoal, Havana procura o terapeuta das celebridades: Stafford Weiss (John Cusack), casado com Christina (Olivia Williams). O casal cuida e gerencia a carreira do seu filho Benjie Weiss (Evan Bird), que é um ator-mirim e tem um temperamento difícil.

A narrativa traz uma interessante e integrante discussão sobre o verdadeiro universo das celebridades e o que acontece por detrás das câmeras. Não diria que é um documentário com detalhes da vida dos famosos, pelo contrário. É um filme que transmite e cutuca na ferida de que eles são como nós, meros mortais e não deuses. Tendo problemas, dificuldades e que são humanos, não um ser divino como alguns fãs idolatram. Enfim, o roteiro desenvolve bem os temas de uma personagem ser velha e ter uma obsessão em fazer de tudo para interpretar aquele papel que possa marcar pra sempre a sua carreira. Do outro lado, temos os pais que meio que deformam a criação de seu filho e o transformam em um ídolo perfeito para os fãs. Porém, tornando-o uma pessoa impossível de se conviver e se transformando em um adolescente sem limites, tendo problemas mentais desde cedo.


O personagem que traz todo o conflito de começar desde cedo, em ter ilusões e a dificuldade de saber diferenciar o real do irreal: Benjie Weiss interpretado perfeitamente pelo ator Evan Bird. O que chama bem a atenção nesse quesito, é o perfil perturbado pelo seu passado e pelos seus atos no presente. Os pais Stafford Weiss (John Cusack) e Christina Weiss (Olivia Williams) têm culpa por criar e "mimar" certos atos do próprio filho. Sem contar, a criação de um mundo perfeito e um ídolo para que os fãs possam admirar, que na realidade não passa de fachada. No fundo, o personagem Benjie Weiss é apenas um ator com ego arrogante e sem limites para suas ações. O ator Evan Bird conseguiu trabalhar bem seu personagem e transmitir com convicção todos os conflitos internos, isso vale também para os atores John Cusack e Olivia Williams que estão perfeitos.

Uma coisa que admirei muito em Mapas para as Estrelas foi como o roteiro consegue segurar e desenvolver as expectativas em volta dos segredos dos personagens, quase passando por enigmas a serem decifrados (a trilha sonora composta por Howard Shore trabalha muito bem com a narrativa dando toda a tensão e drama nas transições de uma cena a outra, e na troca dos personagens). Cada cena - sem revelar muitos detalhes dos conflitos - faz o espectador ficar curioso e querer saber realmente os podres e o passado de cada personagem ali, principalmente Havana Segrand (Julianne Moore) e Agatha Weiss (Mia Wasikowska). E as duas atrizes conseguem trazer bem seus papeis e darei maior crédito à Julianne Moore por acompanhar bem a evolução que a personagem faz no decorrer da trama.


Apesar dos pontos excelentes de Mapas para as Estrelas, o filme perde o foco em querer terminar cada personagem com um final trágico e sem qualquer sentido. Ainda desenvolvendo com pressa e sem cuidado ao trazer um suspense em volta do clímax. É um final que consegue resumir bem tudo o que o roteiro quis discutir, mas acho que não foi tão impactante ao ponto de dizer: "Nossa! Que final foi esse? É de deixar qualquer um louco. Vocês viram isso?" Acabou sendo aquele final simples, se esquecendo um pouco do propósito inicial do filme.



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