Resenha: Violent Cases

07/11/2014


A verdade e a confiabilidade das memórias são o fio condutor de Violent Cases, a primeira e famosa colaboração do escritor Neil Gaiman com o artista Dave McKean. Pressagiando muito do estilo e dos temas que ambos viriam a tratar em criações futuras, a graphic novel mistura ficção e realidade de forma tão singular quanto combina texto e imagem, e traz em seu cerne o poder e a magia de contar histórias. 

O protagonista nos conta que, quando tinha quatro anos e meio, uma altercação com o pai levou-o a um osteopata para tratar o braço. Este médico dos ossos, de procedência incerta, aparência imprecisa e passado nebuloso, é o pivô das memórias do narrador que, mesmo sem muita segurança, entrelaça os mundos de violência na família, das festas infantis e dos famosos gângsteres do período da Lei Seca.

Violent Cases é uma HQ que narra as memórias, algumas delas, de um menino de 4 anos. No começo eu pensava que era as memórias de uma criança qualquer, só que lendo os extras do final, que explico melhor depois, percebi que o narrador é o Neil Gaiman, ou uma representação sua em formato de personagem. Digo isso porque alguns estudiosos de literatura costumam afirmar que só é o narrador como personagem quando é uma biografia, fora isso é o narrador personagem, um personagem criado para narrar uma estória. É um pouco complicado, mas o fato é que eu acho que o narrador é o Neil Gaiman.

Não dá para eu descrever bem a personalidade e a aparência desse garotinho, já que a estória começa o Neil adulto e contando ao que parece uma passagem aleatória. Ele não faz reflexões sobre a sua vida e nem dá detalhes sobre ela. Pelo pouco que eu pesquei, ele sofria maus tratos do pai, tanto que a HQ começa com a memória do pai torcendo o braço do menino e ele indo a um osteopata, algo como um fisioterapeuta nos dias de hoje. Quando ele chega nesse osteopata descobre que ele era o osteopata do Al Capone, um gângster americano famoso pelo contrabando de bebidas alcoólica na década de 20/30, época da Lei Seca.

Tem partes da sua memória que simplesmente não funcionam, ou pelo menos não se encaixam com o resto.


A HQ tem um pouco mais de 60 pg, mas de enredo é menos, então é uma estória curta. Acho que porque eu não pesquisei sobre o tempo em que a narrativa se passa ou não entendi muito bem a mensagem que o autor quis passar, que não peguei as nuances por trás do que eles estão contado. Para mim são só as memórias de infância do Neil, um fato aleatório que ele decidiu contar, mas com certeza deve ter algo para ser analisado que eu não peguei. Dizer que o Neil Gaiman é o narrador da estória implica na veracidade do que ele está contando. O Al Capone existiu, mas se ele teve um osteopata e esse cara tratou o braço dele são outros quinhentos. É por isso que criar um personagem com a imagem dele é cabível aqui também.

Sobre os desenhos, vocês sabem que eu não tenho conhecimento de causa, não sei analisar traços, cores e essas coisas. O desenho para mim é bem expressivo e consegui entender mesmo sem balões de frases. Não sei se vocês vão pegar pelas fotos abaixo, mas a HQ toda são com cores sóbrias, quase sépias. A diferença é no sangue, que é vermelho sim, mas não vivo. Não sei se a tipografia da HQ foi escolhida pela Aleph ou isso é determinado pelo original, mas o fato é que quando o protagonista está 'falando' é uma fonte e quando outros personagens falam é outra. A fonte do protagonista é meio manuscrita e senti dificuldade em ler, ela é menor e em alguns balões elas ficaram bem juntinhas.

No fim da HQ existem alguns extras, eu considero assim na verdade. São as introduções e um posfácio de edições anteriores de Violent Cases. Também existe duas notas do tradutor e a sobre o título da HQ eu achei interessante. Ele fala que o titulo foi mantido no inglês para manter as duas interpretações em português, casos violentos ou estojos de violência, e por isso que também na capa tem um estojo de violino. Os gângsters costumavam carregar as metralhadoras em estojos de violino. Bom, foi uma HQ rápida de ler e sem problemas, e para uma primeira leitura de algo do autor Neil Gaiman eu gostei bastante.

Fotos da HQ




Desenhos do Neil Gaiman e Dave McKean. O desenho do Neil Gaiman é o mesmo do narrador no começo da HQ, por isso minha teoria que são a mesma pessoa.




Violent Cases
Neil Gaiman, Dave McKean
Editora Aleph: Twitter/Facebook

2 comentários:

  1. Apesar de ter achado interessante, não é um livro que eu tenha interesse em ler no momento.
    Bjs, Rose.

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  2. Eu li esse HQ e simplesmente adorei. Os desenhos são primorosos e o enredo é ótimo.
    Excelente lançamento da Aleph.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de novembro

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