Resenha: Invisível

11/10/2014


Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth.

Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à opção sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!

Stephen tem sido invisível por praticamente toda sua vida - por causa de uma maldição que seu avô, um poderoso conjurador de maldições, lançou sobre a mãe de Stephen antes de ele nascer. Então, quando Elizabeth se muda para o prédio de Stephen em Nova York vinda do Minnesota, ninguém está mais surpreso do que ele próprio com o fato de que ela pode vê-lo. Um amor começa a surgir e quando Stephen confia em Elizebth o seu segredo, os dois decidem mergulhar de cabeça do mundo secreto dos conjuradores de maldições e dos caçadores de feitiços para descobrir uma maneira de quebrar a maldição.

Mas as coisas não saem como planejado, especialmente quando o avô de Stephen chega à cidade, descontando sua raiva em todo mundo que cruza seu caminho. No final, Elizabeth e Stephen devem decidir o quão grande é o sacrifício que estão dispostos a fazer para que Stephen se torne visível - porque a resposta pode significar a diferença entre a vida e a morte. Pelo menos para Elizabeth...

Depois de uma sinopse que deixa bem claro o que o livro apresenta, vamos a outros detalhes importantes sobre Invisível. Ele é narrado em primeira pessoa acompanhando o ponto de vista do Stephen e da Elizabeth. O Stephen tem um jeito bem melancólico de narrar o seu ponto, o que é compreensível, já que a solidão é sua companheira por um bom tempo. A principal característica dele é a força, desistir seria fácil e muitos entenderiam, mas esse não é o cominho que ele toma. A Elizabeth é a artista e a que toma a decisão de quebrar a maldição. A personalidade dela é bem forte com um pequeno toque de humor negro. Não podemos esquecer que esses meninos são adolescentes por mais que pareçam e lidem com situações de adultos.

Eu comecei a leitura desse livro muito empolgada. O relacionamento do casal protagonista logo me prendeu e eu fiquei torcendo para que o Stephen tivesse uma vida normal. Só que depois que descobri o que causou a invisibilidade dele eu fiquei decepcionada e com o final também. Como está escrito na sinopse o que causou o problema dele foi uma maldição lançada pelo seu avô. Essa explicação foi jogada de uma vez, sem preparação nem nada e logo depois de descobrirmos isso, uma revelação sobre a Elizabeth é feita, que tem a ver, e a estória passa a focar apenas nisso. O que me incomodou não foi uma maldição ser a causadora da invisibilidade, foi a justificativa do lançamento dela no Stephen, puro egoísmo da parte do avô, apenas isso. 

Sou como um fantasma que nunca morreu.

O final foi complicado para mim porque sim, os autores terminaram a estória, mas não do jeito que eu queria. Aqui é a opinião de quem torceu pelo protagonista e quebrou a cara, e isso não influência na minha cotação no skoob, mas eu não poderia dizer que gostei sendo que não gostei. Fora que fica no ar uma continuação, que eu não sei se existe. Partindo para o que é interessante. O jeito como a invisibilidade é tratada é diferente, é um problema, mas não totalmente. Tudo é tratado com certa normalidade, nada de estranho em se apaixonar por alguém que não é visto. Sendo assim, não dá para classificá-lo como fantasia. Ele é mais um sobrenatural por ter essa questão do invisível e também por envolver maldições.

Eu conheço o David Levithan pelo que as outras pessoas comentam dele e por causa disso, dos temas polêmicos e das reflexões, tenho quase certeza que a invisibilidade do Stephen é uma metáfora para os milhões de jovens que se sentem descolados nas suas vidas. Esse tema nos dá várias possibilidades de reflexão, mas acredito que os autores queiram passar a mensagem de que você precisa se sentir confortável com a sua pele, com você mesmo, e que por mais que ache que ninguém te vê, sempre tem alguém que repara. Ninguém podia ver o Stephen, até a Elizabeth aparecer e ser a única que o vê. Ela acaba se tornando tudo o que ele precisa e juntos, eles tentam resolver o obstáculo da narrativa. Passe isso para a vida de quem se sente assim que tudo se encaixa.

Invisível foi um bom livro, não tão rápido quanto eu imaginava que seria, mas no fim correu tudo bem na leitura. Até eles descobrirem o que fazer em relação a maldição do Stephen e um certo trinamento que a Elizabeth tem que fazer começar a ter progressos, a narrativa se arrastou um pouco. O objetivo deles estava logo ali, mas eles tiveram que passar por várias pgs antes de alcançá-lo, é mais ou menos isso. Depois desse livro fiquei com vontade de ler o famoso Todo Dia do David, que eu tenho, mas que esperei todo mundo ler para fazer a leitura. A Andrea eu conheço pelo livro Sob a luz da Lua, que tem resenha qui no site, e eu adorei. Bons autores que fizeram uma boa estória.


Invisível
David Levithan, Andrea Cremer
Galera Record: Twitter/Facebook

3 comentários:

  1. Olá! Ainda não conhecia seu blog (mas adorei e estou seguindo! rsrs). A premissa desse livro é interessante, no mínimo bem original, e sua resenha ressaltou bem o que se espera dele. Bjus!
    http://livroarbitriodotco.wordpress.com/

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  2. Nossa, eu não tinha lido nenhuma resenha do livro ainda (até pelo meu sumiço), mas imaginava uma história completamente diferente com esse título vindo do David.

    No entanto, gostei muito da tua interpretação para a invisibilidade, seria gostoso perguntar ao autor, não?

    liliescreve.blogspot.com

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  3. Olá! Adorei seu blog e a forma como as resenhas foram construídas! Tenho um blog literário também com várias resenhas e textos autorais. Dá uma pulinho lá: www.versosnaoditos.com

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