Resenha: Primavera

10/09/2014


Numa escola paroquial da Estônia, estuda Arno Tali, um garoto ingênuo que nutre um carinho especial pela esperta Teele Raja. Na escola, eles e seus amigos são perseguidos por um sacristão rabugento, contra quem aprontam inúmeras travessuras. Primavera é centrado na rotina escolar dessas crianças, com os muitos conflitos e descobertas que se dão enquanto todos aguardam a chegada da estação mais esperada do ano. Além desta divertida história, este livro traz vários aspectos da cultura estoniana e das influências herdadas da cultura russa, como lendas populares, músicas, a língua e o modo de vida no campo no início do século XX. 

Primavera narra em terceira pessoa as peripécias de um garotinho de 8 anos chamado Arno Tali. A narrativa começa com o Arno indo para a escola pela primeira vez. Ele estuda numa escola rural na Estônia do inicio séx. XX. Lá Arno faz amigos e tem o seu primeiro amor, além de aprender lições de vida valiosas. A Estônia passa de um país desconhecido para interessante quando ao decorrer de narrativa conhecemos um pouco mais de sua língua, seus costumes e cultura. Num primeiro momento, o livro causa certa estranheza, pois eles são muito diferentes de nós, fora o fato que o livro se passa já tem um tempo, mas nem por isso deixa de ser um aprendizado. O modo como as crianças interagem, falam e algumas situações me deixaram assustada, só que faz parte da estória e foi pensando assim que a leitura se desenvolveu.

O protagonista da narrativa é Arno, um garoto inteligente, mas tímido e receoso de cometer gafes na frente dos amigos. Toda a estória gira nele e em sua interação com os amigos e familiares. A outra personagem que tem um bom destaque é a Teele, o primeiro amor de Arno. Ela é bem boca dura e isso acaba assustando e atraindo o Arno ao mesmo tempo. Sendo os personagens crianças, o livro tem ares de conto fantasioso, isso se deve a proporção que as coisas tomam na vida deles. Uma coisinha pequena pela visão de uma criança pode ser algo enorme. E temos também as lições de moral, muito importantes nessa fase do crescimento. Aprender que ações erradas tem consequências para mim é um dos ensinamentos mais primordiais e essas crianças tem essa lição.


O jeito que o autor escolheu para narrar o livro tem suas peculiaridades. Ele interfere no enredo e dá suas opiniões, então parece que é o autor falando diretamente para o leitor. Antigamente eu pensava isso, mas pesquisando sobre as formas de narrar uma estória eu encontrei estudiosos que afirmam que quando isso acontece é o autor criando um personagem com a sua voz para narrar. Parece complicado, mas é como se o autor criasse um personagem e desse a sua voz para contar a estória. Eu ainda penso que é o autor falando comigo, mas os estudiosos não concordam com isso. A questão é só para dizer que o narrador da palpite no enredo e tende a nos confundir em algumas partes com esses pitacos. A intenção dele é nos influenciar em determinados momentos e eu gosto dessa interação, desse jogo para saber se ele está me enganando ou não, então me dei bem com a narrativa.

Por ser um livro que narra o dia a dia de um grupo de crianças, a narrativa tem pequenos clímax e não um grande acontecimento no fim ou coisa do tipo. Tem uma situação que precisa ser resolvida, depois de algumas páginas isso acontece e uma nova situação é criada até que o livro termine. É preciso lembrar que a proposta do livro é essa, narra o que acontece na vida do Arno, e o autor não foge disse. Ele dá detalhes da vida do protagonista e acompanha uma parte do seu crescimento, e por mais que acontecimentos grandes aconteçam na vida da gente, o normal são pequenos acontecimentos que fazem parte de quem nós somos. Vale lembrar também que o Arno tem 8 anos e o que de importante acontece na vida dele é algo sem importância para uma pessoa mais velha. Então ele tem a primeira desavença dele com outros meninos, vai para a escola pela primeira vez, passa vergonha com a turma e por aí vai.    


O livro tem uma cotação baixa no skoob e eu não entendi muito bem por quê. É claro que um clássico estoniano teria uma ambientação e forma de narrar diferentes do que estamos acostumados, mas não sei se isso justifica tanto assim a nota baixa. Pelo menos para mim, a leitura foi boa e atendeu as minhas expectativas. O que me atraiu para lê-lo foi exatamente isso, ser uma estória que conta um pouco de uma cultura que eu sei tão pouco, ou praticamente nada. Existiu uma estranheza com a atitude das crianças e o modo como o autor conta a sua estória, mas passado isso, tudo correu tranquilamente. As ilustrações presentes no livro são lindíssimas e dão rostos e formatos a personagens e situações presentes apenas na nossa cabeça. Os desenhos são um complemento maravilhoso, e a capa e diagramação num todo também está ótima.

Primavera pode não ser um livro carismático, mas não deixa em nada a desejar quanto a outros infantis. O que de fato importa está lá, como aventura, autoconhecimento e lição de moral.


Primavera
Oskar Luts
Editora Biruta: Twitter/Facebook

6 comentários:

  1. Deve ser muito legal né? Nunca ouvi desse livro.. vou procurar até porque gosto bastante de qualquer tipo de livro, porque tudo é aprendizagem e conhecimento.. :D

    http://www.maquiagenseseusafins.com.br/

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  2. Ainda não tinha ouvido falar deste livro, mas gostei da premissa e o leria sem dúvidas. Adoro livros que falam de crianças!

    Beijos,
    Caroline, do criticandoporai.blogspot.com

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  3. Esses livros que falam de crianças são tão fofos *-*
    Eu também gosto muito dessas narrativas que o autor dá pitaco, a gente se envolve mais na história, né?!

    Beijos
    Colecionando Primaveras
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  4. Olá,
    Tudo bem?
    Esse livro parece ser demais, e super fofo, fiquei bem ansiosa quando vi o lançamento por isso adorei a resenha!
    Beijos*-*
    Território das Garotas

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  5. Esse livro parece ser bom, só a capa que não é muito atrativa.
    Mas com certeza já está na minha lista..ks

    Abraços!!
    http://macaliteraria.blogspot.com.br/

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  6. Sempre que vejo as ilustrações desse livro, fico encantada.
    Não sabia desse detalhe da narrativa, que o autor interfere na história e acho isso muito legal! Lembro de que quando era pré-adolescente li dois ou três livros assim e AMEI! Acho que cria uma cumplicidade nossa com o autor.

    Beijos.

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