Resenha: Carta de amor aos Mortos

17/09/2014

Resenha feita pela Mayara Veiga.


Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. 

Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

O livro começa com Laurel escrevendo sua primeira carta, após receber essa tarefa na aula de Inglês na sua nova escola. A partir daí essa personagem utiliza das cartas para narrar não só a vida, mas sentimentos e percepções, que personalidades como Kurt Cobain, River Phoenix, Amy Winehouse, Judy Garland, etc, lhe passavam, assim como contar sobre sua vida antes e depois da tragédia que afetou toda sua família. As cartas são uma forma de desabafo e de autoconhecimento e são escritas com sutileza. Laurel mora com o pai, pois os pais são separados. A relação com o pai é boa, porém eles não conseguem quebrar o gelo que construíram entre si, mas se dão razoavelmente bem. Já com sua mãe a relação é mais complicada. Sua tia, que também é responsável por cuidar dela, é uma senhora bondosa, que quer deixar a vida de Laurel melhor. É interessante ir descobrindo a relação da família entre as cartas. Como certos acontecimentos despedaçam uma parte da família e junta outros.

A personagem principal está machucada, mas não se faz de coitada. Ela tenta ao máximo ser forte e continuar sua vida, apesar de tudo que aconteceu e que ainda acontece a sua volta. Os novos amigos que ela faz são uma forma de alivio para ela; apesar do medo que sente de se abrir com eles. Esses amigos trazem à Laurel novas experiências, novas ideias, novas formas de viver à vida. Uma coisa que achei bem interessante nesse livro é que cada um desse grupo novo de amigos tem uma carga emocional forte, ou seja, problemas. Ele são danificados de certa forma, mas ainda assim, todos eles possuem uma positividade e vão se encaixar nesse circulo de amizade de uma forma especial. Isso me lembrou a relação de amizade existente no livro 'Quem é você, Alasca?'. Cada um ali, apesar de muitas vezes não se abrirem por completo, acabava conhecendo muito um ao outro, sabiam o que o outro sentia e aceitavam. Achei muito interessante isso: eram simplesmente amigos, sem julgamentos. Queriam aproveitar a vida e o momento em que estavam naquela escola, principalmente por que não sabiam como ia ser a vida depois do colégio. Adorei todos eles: Hannah, Natalie, Tristan e Kristen.

Percebi que existe uma razão para Kristen, Tristan, Natalie, Hannah e eu estarmos juntos ali - somos todos estranhos de um jeito diferente e isso é normal. E mesmo que exista muita coisa que eu não possa dizer para eles, é bom me sentir parte de um grupo.

Sky é o primeiro amor de Laurel. Assim que ela o vê ela sente algo, como se nele existisse um imã invisível que a atrai. Ele é misterioso, mas não por querer, ele tem suas razões assim como Laurel para não deixar que ninguém saiba demais da sua vida. É um personagem que ajuda Laurel de várias formas com sua leveza, maturidade, paciência e bondade. Porém, a autora deixou a desejar um pouco nisso, pois acaba o livro e fica faltando mais informações sobre a personalidade de Sky. Faltou, de certa forma, algo concreto. Mas ainda assim gostei dele e da relação deles. Não dá para falar muito, mas ambos são danificados pela vida. Eles se encontram e se aceitam. Eu adorei esse personagem tanto quanto adorei os amigos de Laurel.

A relação que a personagem tem com a irmã, May, vai sendo desvendada conforme as cartas vão sendo escritas. Laurel endeusava a irmã, às vezes parecia que ela queria ser a irmã, não porque quisesse realmente, mas porque estava perdida na mistura de sentimentos que sentia, principalmente a sensação de culpa que levava consigo. Ela também achava que só sendo uma cópia da irmã poderia ser feliz. Essa parte da leitura é triste, porque você se dá conta de que a pessoa está tão perdida que não quer ser mais ela mesma. Eu gostei que a autora explorou todos os personagens, mesmo que de forma não tão completa. Ela foi destrinchando um pouco da vida de cada um, assim como a dos famosos, de Laurel e sua família. No final, você não sente que foi um livro só de um personagem, mas de todos.

As cartas são bem emotivas e tocantes, e são escritas de uma forma poética. O livro é sensível não só no modo especial que trata os famosos, mas também na forma em que aborda assuntos muitos sérios. Você vai lendo e vai sentindo tanta coisa que no final seu coração parece que vai explodir. O livro tem a alegria do primeiro amor, mas tem também os desentendimentos das relações de amor e amizade. Tem a alegria das pequenas coisas e pequenos momentos ao lado das pessoas que você gosta.

Você acha que conhece alguém, mas essa pessoa sempre muda, e você também está em transformação. De repente entendi que estar vivo é isso. Nossas próprias placas invisíveis se movem em nosso corpo, e se alinham a pessoa que vamos nos tornar.

Algumas pessoas reclamaram que o livro é batido, repetitivo, que ela tentou abordar vários assuntos pesados, mas não se aprofundou em nada. Mas eu não senti que a intenção do livro era aprofundar em assuntos mais sérios. Só que sim, faltou punição, porque o final pode acabar dando a entender que os abusos sofridos no livro não eram de grande importância. Ela poderia ter tido mais cuidado em relação a isso. Acho que a mensagem que fica do livro é que a vida às vezes vai ser cruel, te pregar peças e você vai se sentir perdido, mas você tem encarar e que continuar a viver. Levantar a cabeça e viver o agora. Ser feliz, aprender com os erros, sentir saudades, mas sem se esquecer de continuar. E também ser grata pelas músicas e interpretações maravilhosas que artistas como o River Phoenix e o Kurt deixaram para nós. Esse livro te ensina muito sobre cultura pop, sobre aquelas bandas e artistas que muita gente cresceu gostando ou que os pais gostavam.

A autora, Ava Dellaira, em seu primeiro livro conseguiu me prender, me tocar e me emocionar. Assim que comecei a ler não consegui mais parar. Achei a história linda apesar de algumas falhas. Passei um domingo lendo, e a leitura foi rápida e já reli várias partes dele que mais gostei. Com certeza se tornou um dos meus livros preferidos, aquele que vou recomendar para todo mundo. Acho que de certa forma o livro é sobre a coragem que encontramos dentro de nós para continuar. A sensação que tenho foi que aprendi bastante com Carta de amor aos Mortos e espero que quem for ler depois dessa resenha, pense isso também. Pode não ser o melhor livro de todos para muita gente, pode ser que a forma que os famosos apareceram na narrativa não tenha sido da maneira que muita gente imaginou, mas eu achei ótima a forma que o livro foi feito. Adorei a estrutura dele e a narrativa. Depois de ler fiquei com vontade de fazer maratona com todos os filmes que ela cita e colocar todos os cds que já não escuto faz tempo para tocar de novo. Só espero que Ava não demore muito para escrever outro livro, e consiga manter a forma bela que escreve em futuros projetos, porque quero mais coisas dela.


Muitos estão dizendo que quem gostou de 'As vantagens de ser invisível' vai gostar desse. Nunca li, então não posso comparar, mas vi o filme e pelo filme, tem alguns elementos parecidos mesmo. O livro físico é bonito, adorei o desenho e as cores da capa que é emborrachada. As folhas são amarelas e na orelha tem foto da autora. Enfim, leiam que é muito amor.

Cartas de Amor Aos Mortos
Ava Dellaira
Editora Seguinte: Twitter/Facebook

6 comentários:

  1. Quando soube deste livro não tive muito interesse em ler, o que pelo visto foi um erro, pois só tenho lido resenhas positivas dele.
    Assim que possível, pretendo ler também.
    Bjs, Rose.

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  2. Oi Mayara..

    Também li esse livro recentemente e foi minha última resenha escrita. Gostei mais ou menos do livro. Pra mim deixou um pouco a desejar. Se você quiser conferir a minha resenha é só entrar no blog http://milleguas.blogspot.com E tem sorteio de 4 anos de blog. É bem bacana! ;)

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  3. Oi Mayara!
    Adorei sua resenha!!! Esse livro parece ser emocionante! Também gosto de histórias que falem sobre amizades, me interessei por essa parte que você comentou na resenha.
    Com certeza é um livro que vai para a lista de desejados.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  4. Olá, tudo bem?
    Nossa, todo mundo está super comentando e amando este livro! Além disso, a sinopse chama a atenção e a capa está linda demais. Sua resenha atiçou minha curiosidade - que já estava me corroendo, rs. Adoro livros emocionantes que sabem nos tocar, então claro que darei uma chance a este.
    Super beijos <3
    http://livros-cores.blogspot.com.br/

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  5. Li esse livro no mês passado (agosto) e cara, me apaixonei pela história da Laurel, achei muto verdadeira e o livro prende o leitor do começo ao fim, no final eu queria mais páginas <3
    Belíssima resenha!
    Beijos
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  6. Muitos estão dizendo que quem gostou de 'As vantagens de ser invisível' - Não achei. Achei uma copia mal feita hahahaha o que me admirou foi o autor de As vantagens de ser invisível apoiar esse livro.

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