Resenha: Na Ilha

18/07/2014



Anna Emerson é uma professora de inglês de 30 anos desesperada por aventura. Cansada do inverno rigoroso de Chicago e de seu relacionamento que não evolui, ela agarra a oportunidade de passar o verão em uma ilha tropical dando aulas particulares para um adolescente. T.J. Callahan não quer ir a lugar algum. Aos 16 anos e com um câncer em remissão, tudo o que ele quer é uma vida normal de novo. Mas seus pais insistem em que ele passe o verão nas Maldivas colocando em dia as aulas que perdeu na escola. 

Anna e T.J. embarcam rumo à casa de veraneio dos Callahan e, enquanto sobrevoam as 1.200 ilhas das Maldivas, o impensável acontece. O avião cai nas águas infestadas de tubarão do arquipélago. Eles conseguem chegar a uma praia, mas logo descobrem que estão presos em uma ilha desabitada. De início, tudo o que importa é sobreviver. Mas, à medida que os dias se tornam semanas, e então meses, Anna começa a se perguntar se seu maior desafio não será ter de conviver com um garoto que aos poucos torna-se homem.

Ao aceitar o emprego de tutoria de férias, Anna achava que seria mais um trabalho como outro qualquer. Apenas ajudar um garoto a conseguir acompanhar a turma. Ok que esse tempo que ela passaria com ele também ajudaria a repensar sua relação desgastada por nunca sair do lugar. Ela quer casar e ter filhos, o namorado não. O que ninguém poderia imaginar é que o avião em que ela e o garoto, T. J., estavam cairia e eles ficariam presos em uma ilha deserta. Pensando apenas em uma forma de sobreviver e serem resgatados, eles vão se virando como podem, mas a medida que o dias, meses e anos passam, fica claro que sair da ilha é cada vez mais impossível. Anna e T. J. passam de duas pessoas tentando sobreviver a amigos, e depois a mais que isso.

Os dois protagonistas narram o enredo e eu sempre gosto dessa forma de contar uma estória por conhecer os personagens melhor. Anna chegou naquele ponto da vida de uma mulher que casar e ter filhos é o que importa, então as escolhas que ela faz são meio que pensando nisso. Ela é pé no chão, inteligente e sabe que ter uma relação com um garoto 13 anos mais jovem que ela é uma grande dor de cabeça em alguns momentos, mas mesmo assim escuta seu coração. A evolução do T. J. foi uma das coisas mais legais no livro. Eles chegam na ilha com ele um adolescente, 16 anos, e segurar uma barra dessas faz qualquer um amadurecer. E com ele não foi diferente. As atitudes, antes de um menino, passam a ser de homem, e tanto um quanto o outro são encantadores. O cuidado e amor que ele tem pela Anna é do tipo que qualquer mulher quer, sem contar o altruísmo.

Você não sabe o que eu quero, Anna. Além disso, não penso mais no futuro e não pensei mais desde que aquele avião não voltou. Tudo o que sei é que você me faz feliz, e eu quero estar com você. Você não pode apenas ficar comigo também?

Nossa, que medo que eu senti com esse livro, gente do céu. Mas não é aquele medo de coisa oculta e sobrenatural, é mais aquela sensação de pânico ao se imaginar perdido num lugar sem nada ou qualquer tipo de auxilio. Eu tinha aflição quando pensava na possibilidade de um deles ficar doente e morrer, no que o outro iria fazer. Pensava também no quanto somos dependes de ter outra pessoa, qualquer pessoa, na nossa convivência. São lendo livros assim, e me imaginando no lugar, que percebo o quanto o ser humano não foi feito para viver sozinho. A esperança é um sentimento sempre presente também, e a única escapatória deles era se alguém viesse resgatá-los e mesmo com o tempo passando, eles ficam mais de anos na ilha, nenhum dos dois nunca a perdem. A motivação deles era sobreviver, um dia depois do outro, para sair da ilha.

A autora foi muito feliz na sua escrita. Ela aborda, ao mesmo tempo, vários temas interessantes e com isso provoca várias sensações no leitor. A aflição e a esperança como disse no paragrafo acima, amor, superação e isso para citar alguns. A questão do amor foi um ponto acima da média para mim. Primeiro temos a diferença de idade entre os dois, depois temos eles caindo numa ilha deserta e não tendo contato com ninguém por muitos anos. No começo eles até tentam se manter distantes, mas o toque, carinho, luxuria, tudo faz parte de nós e lá, não tinha uma sociedade para dizer que é estranho, ou feio, um garoto de 18 anos ficar com uma mulher de 31. Depois desse tempo que eles passam na ilha, e isso esta na orelha do livro, então não é spoiler, o relacionamento deles toma uma outra proporção e muito melhor.

Eu amei esse livro. Tudo nele me encantou, mesmo as partes aflitivas. Ele um livro assustador, realista e romântico. Uma estória que me prendeu desde a capa, pois tinha certeza que iria gostar, como de fato gostei. Li rápido porque não conseguia parar de pensar no livro quando estava longe dele. Torci muito pelos protagonistas, primeiro querendo que eles ficassem salvos enquanto estivessem na ilha, depois que saíssem de lá e por fim, que ficassem juntos no fim do enredo. Mesmo quando a dinâmica dele mudou, após o período na ilha, eu gostei, então não tenho nada para falar que ele tem que melhorar. Só tenho recomendações. Leiam leiam, leiam!! E tentem não se apaixonar e morrer de aflição com este enredo.

Estou esperando de novo, Sarah. Motivos diferentes, homem diferente, mas, quatro anos depois, ainda estou esperando.

Na Ilha
Tracey Garvis Graves
Editora Intrínseca: Twitter/Facebook

6 comentários:

  1. Oi Denise, tudo bem?

    Nossa, acho que eu tb ia me sentir um pouco sufocada com essa questão deles estarem em uma ilha!!! Que coisa tensa. Engraçado que a capa do livro os dá uma sensação de paz e tranquilidade =P Tipo ilha paradisíaca.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  2. Oi, Denise!

    Também gosto bastante de narrativas em primeira pessoa, não só por conhecer o personagem melhor, mas também pela aproximação com o leitor. Aliás, gostei da personalidade da personagem principal.
    Ai, eu consigo imaginar sua aflição durante a leitura, pois me sentiria da mesma forma, rs. Que agonia estar em uma ilha sem recursos e tudo o mais.

    Beijocas.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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  3. Não conhecia esse livro
    Mas parece ser bem interessante
    Gostei da dica e a capa é linda
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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  4. Essa situação é um pouco complicada, mas o livro parece ótimo, Denise.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho

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  5. Oi Denise,
    Já li algumas resenhas sobre esse livro e a trama parece ser interessante. Ficar perdido em uma ilha deve ser realmente uma situação complicada, curiosa para saber como o tema foi desenvolvido.

    *bye*
    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  6. Li uma resenha que contou o final desse livro, aí perdi completamente o interesse na leitura, o que é uma pena, porque já li várias outras resenhas apaixonadas como a sua e ele parece tratar de temas muito interessantes mesmo.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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