Resenha: Enquanto eu te Esquecia

02/05/2014



Lucie Walker não se lembra de quem é ou como foi parar nas águas geladas da Baía de São Francisco. Encaminhada para uma clínica psiquiátrica, ela aguarda até que um homem chega afirmando ser seu noivo. Entretanto, com seu retorno para casa, essa mulher sem memória vai tomando conhecimento de sua personalidade antes do acidente, da pessoa controladora, fria e sem vida que era, e dos segredos da infância e da família, assim como da situação do noivado e dos mistérios que podem ter provocado o acidente. 

Será que ela quer isso de volta? Será que essa nova Lucie conseguirá manter o amor por Grady, ou a oportunidade de recomeçar será sua salvação? 

Intenso, franco e incrivelmente emocionante, Enquanto eu te esquecia é um livro delicado, que nos questiona sobre a maneira que vivemos e nos lembra que sempre temos uma nova chance de ser feliz. 

A narrativa de Enquanto eu te Esquecia começa com a Luce acordando num lago e não se lembrando de quem é ou de como foi parar ali. Sendo encaminhada para o hospital, ela descobre seu nome e que tem um noivo, além de que não mora onde foi encontrada. Chegando em casa ela terá que descobrir não só quem é, como também se gosta desse homem que é o seu noivo, Grady. Fora isso isso, ela quer saber o que provocou a amnésia. Enquanto ficou desaparecida, Grady não parou de procurá-la e quando soube onde ela estava e que não se lembrava dele, Grady ficou em desespero. Isso porque algo aconteceu entre eles antes de ela sair e ficar desaparecida por nove dias. Uma coisa que ela não sabe como vai repercutir nessa nova Luce. O fato é que Grady terá que fazer com que ela se lembre dele ou que se apaixone por ele novamente.

Enquanto eu te Esquecia é narrado em terceira pessoa e alterna os pontos de vista de três personagens, a Luce, o Grady e uma personagem que eu não vou comentar para não estragar a surpresa. A gente tem duas Luces no livro, a do antes de amnésia e a do depois. A de antes conhecemos pelos outros personagens e a a de depois é a que acompanhamos. Não dá para saber qual Luce é a que vai prevalecer até tudo se resolver. A de depois é a melhor por ser mais aberta, carinhosa e emotiva. A antiga era controladora, fechada, focada no trabalho e sem tempo para nada. O Grady é um personagem que eu gostei em alguns momentos e em outros achei ele um bananão. Dá para perceber que ele ama a Luce antiga e tem dificuldades em amar esta nova e reconquistá-la, porque se desmerece demais. Durante a narrativa a gente percebe que ele é um bom homem, mas que não se dá o valor que merece.

Ela era transparente, um fantasma. Sem identidade. Sem passado. Sem vida.

O que eu mais gostei no livro? Ele é pé no chão. Esse livro não tem tantos diálogos assim, é mais um romance psicológico e uma análise da vida da protagonista, então você não vai ler o amor, você vai senti-lo na ação dos personagens e eu achei isso muito real. A autora pegou uma doença mental difícil de acontecer e desenvolveu de um jeito como se pudesse acontecer com qualquer pessoa. Daí quando você descobre o que provocou a amnésia na Luce, aí sim que você pensa que qualquer um pode sofrer com isso. O fato dos personagens estarem na casa dos 40 anos trouxe amadurecimento a narrativa e ao amor apresentado no romance. Eles estão se adaptando ao novo nível do relacionamento deles e isso requer tempo, e esse tempo eles passam se conhecendo, não tendo muito contato um com o outro, e isso enquanto a narrativa vai crescendo até o ponto onde tudo é desvendado.

Por mais que este livro seja sobre uma estória de amor, como de fato ele é, não dá para negar a tensão que existe em suas páginas. O fato da Luce não se lembrar de quem era e ter certeza de que algo aconteceu, e grave, na sua antiga vida e com o Grady, é suficiente para nos fazer ler também para descobrir o que se passou. Lemos querendo saber o que desencadeou a amnésia, mas também para saber se o casal vai superar isso e ficar juntos. Esse é um livro que me colocou no lugar tanto da Luce quanto do Grady. Se imaginar perdendo todas as suas referências e ter que aprender tudo novamente é complicado, e o pior é que a Luce era um tipo de mulher insuportável, então não tinha amigos ou pessoas em quem se apoiar. Já no caso do Grady é doloroso ver que a pessoa que se ama não lembra mais de você, ter que reconquistá-la sem saber se vai dar certo uma segunda vez. Angustiante para as duas partes.

Minhas expectativas em relação ao livro foram excedidas. Não esperava que gostaria tanto a ponto de só parar de ler quando a narrativa tivesse acabado. Eu precisava saber o que tinha acontecido com a Luce e se ela se lembraria de tudo e ficaria com o Grandy. O final não foi o que eu esperava, mas também não foi ruim. Acho que a autora quis fugir do óbvio e acertou na maneira como terminou tudo. Era uma possibilidade, embora eu não tenha pensado nela. A escrita dela também é boa e como ela prende a gente com a expectativa da volta da memória e o desenrolar do romance não me deixou largar o livro. Acredito que muitos que lerem também vão ter a sensação de que esse livro daria um bom filme. Eu ia lendo e imaginando tudo na minha cabeça. Enfim, Enquanto eu te Esquecia é um livro sem muitas pretensões, mas que surpreende e vale a pena.

O que é amor, ela conjecturou, e o que é lembrança? Onde é que os dois se intersectam e quando deixará de importar qual veio primeiro?

Enquanto eu te esquecia - O que a memória apagou, o coração recorda...
Jennie Shortridge
Única Editora: Twitter/Facebook

5 comentários:

  1. Li esse livro tbm e curti muito é intenso e muito bem narrado, apesar de Luce não ter sido uma pessoa tão agradável a vida deu a ela uma segunda chance!
    Muito bom!
    bjkas
    Dani Casquet- Livros, a Janela da Imaginação

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  2. Hey
    Parece ser um livro bem emotivo, faz tempo que não leio um romance nesse estilo.
    Fiquei bem curiosa sobre o pré amnésia da protagonista.

    Essa história daria um bom filme.

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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  3. Oi, Denise.

    Tanto a capa, quanto a premissa da história me instigaram bastante. O que mais me chamou a atenção foi o fato de você comentar o quão pé no chão a trama é. Apesar de fantasia ser meu gênero favorito, eu amo demais histórias pé no chão, especialmente com tramas tão criativas e bem desenvolvidas como essa parece ser.
    Ainda não conhecia esse livro, mas já estou louca por ele!
    Amei sua resenha!

    Beijocas.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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  4. Oi Denise, tudo bom?
    Menina agora que vi que você é de Brasília também.
    Ai sua resenha me deixou bastante curiosa para ler esse livro. Ele será uma das minhas próximas leituras e acho que minhas expectativas serão preenchidas. Achei a premissa bem parecida com o livro As Lembranças de Alice da Editora Leya, mas só lendo para saber. Já li dois livros onde as protagonistas esquecem de suas vidas e realmente deve ser muito ruim.
    Beijos!
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  5. Acabei de ganhar o livro, e não vejo a hora de ler.
    Bjs, Rose.

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