Resenha: Quinta Avenida, 5 da Manhã

11/04/2014


No cartaz que divulgou o lançamento de Bonequinha de luxo (1961), Audrey Hepburn aparece elegante. Pequenos detalhes, porém, quebram a atmosfera clássica: uma cigarrilha pendendo no canto da boca e um gato pousado no ombro direito. Com o mesmo vestido longo negro, ela surge nas cenas iniciais do filme, interpretando a playgirl Holly Golightly. Desce de um táxi em frente à joalheria Tiffany's de Nova York. Carrega nas mãos, que vestem luvas compridas pretas, uma sacola de papel com seu café da manhã, um pão doce, e come enquanto observa as vitrines. Tanto a imagem que estampa o cartaz quanto a cena que abre a película representam uma grande mudança nos modelos de Hollywood e no papel feminino no cinema.

Audrey Hepburn interpreta uma moça não muito casta, mas sofisticada e independente, deixando para trás o moralismo dos anos 1950 e traçando novos rumos para a mulher moderna. Analisando elementos como esses e os bastidores da película, Sam Wasson mostra como o longa contribuiu para transformar a moda, a liberdade feminina e a indústria cinematográfica. Quinta Avenida, 5 da manhã, best-seller do New York Times, apresenta a primeira descrição completa da produção de Bonequinha de luxo.

O autor traça o perfil de personagens fascinantes e desvenda detalhes pouco conhecidos pelo público. Truman Capote, por exemplo, autor da novela que deu origem ao roteiro, queria Marilyn Monroe para o papel principal. O diretor Blake Edwards foi responsável por boa parte do humor do filme. Audrey enfrentava o dilema de conciliar as tarefas de uma grande estrela de cinema com o papel de mãe. Edith Head, a figurinista da Paramount, teve de engolir a escolha dos vestidos de Givenchy... Escrito com humor, charme e elegância, o livro revela uma mudança cultural definitiva e transporta o leitor para a Nova York dos anos 1960.

Quinta Avenida, 5 da Manhã do autor Sam Wasson é um levantamento de todos os aspectos pertinentes ao filme Bonequinha de Luxo da década de 60. O filme na época, e até hoje podemos dizer também, fez um sucesso estrondoso, pois trazia uma atriz querida por muitos no papel de uma prostituta. Não vou me ater muito ao filme, porque a minha intenção é fazer um vídeo sobre ele e depois colocar nessa postagem para complementar. Em algum vídeo de correio do site eu dei um fato errado. Como ainda não tinha assistido o filme Bonequinha de Luxo, falei que esse livro era uma biografia da Audrey Hepburn, mas não é. Embora comente muito sobre ela, que é a protagonista do filme e quem foi referência para muitas mulheres, o livro não aprofunda na vida dela tanto assim. Faz apenas um levantamento básico de antes de Bonequinha de Luxo e depois.

Quais são os detalhes que o livro apresenta? Muitos. O livro detalha desde a vida de alguns autores antes de aceitarem o papel até a repercussão depois que o filme foi lançado, passando pela escolha do elenco, escolha de locais de filmagens, roupas que seriam usadas, trilha sonora, intrigas e muito mais. Bonequinha de Luxo é uma adaptação de um conto do autor Truman Capote, que originalmente se chama Breakfast at Tiffany's. No Brasil esse conto foi lançado junto com outro do autor. A primeira coisa que o Sam Wasson levanta é a inspiração do autor para a criação desse conto. Ele explica que na vida do Capote existia uma Holly Golightly, só que ela era mais próxima a ele do que uma garota qualquer e fez mais estragos também, pois ele nunca se recuperou da vida que essa mulher levava.

Fotos e desenho (os lugares que a Holly passada por Nova York) presente na edição.

Claro que falar de Bonequinha de Luxo é falar de Audrey Hepburn, não dá para separar uma coisa da autora. Pasmem, porque até solicitar esse livro eu nunca tinha visto nada dessa atriz e ela era pouco familiar para mim, por isso a confusão da biografia. O livro traz como a atriz foi escolhida para o papel e como muitos não acreditavam que a Audrey aceitaria ele, que inicialmente foi pensado para a atriz Marilyn Monroe. A Audrey vinha de papeis clássicos, mostrando-se sempre como uma boa moça, e aceitar ser a Holly Golightly significava mostrar um outro lado, mesmo que o sexo não fosse explicito. Isso é algo interessante, a Holly é uma garota de programa, mas em nenhum momento isso é retratado abertamente, então por isso a Audrey aceitou fazer. Seria algo diferente, só que não afeitaria a pessoa dela.

As partes que falam do surgimento da mulher moderna são interessantes, pois a Holly representava um estilo de vida glamouroso, mas ao mesmo tempo triste, sem família ou uma casa sua. Ela sempre estava atrás de alguma coisa que nunca encontrava. As mulheres se impressionavam com a liberdade que ela tinha para escolher seus parceiros, coisa que uma mulher daquela época, lembrem-se que é nos anos 60 que o filme se passa, não tinha. Elas viam na Holly, e na Audrey também, um modelo de feminilidade e delicadeza, ao mesmo tempo que a força que ela tinha para enfrentar o que viesse. Nada estava tão ruim que um drinque ou uma ida a Tiffany não pudesse resolver. Sabe quando as mulheres se referem ao pretinho básico como coringa no guarda-roupa? Essa expressão vem do filme Bonequinha de Luxo. O vestido que a Audrey usou no filme ficou marcado como uma peça que toda a mulher tinha que ter.

O livro Quinta Avenida, 5 da Manhã é relativamente curto, com quase 270 pgs, e direto nos seus detalhes. Vocês não vão se sentir enrolados em informações desnecessárias, pois os capítulos pequenos vão direto ao ponto. Quem tiver interesse em ler tem que ver o filme, pois obviamente ele vai falar da construção dessa obra cinematográfica, mas o livro também abrange as questões que envolvem fazer um filme. Então se esse tipo de detalhe te interessa, seria bom você ler para saber como é e o conteúdo não é difícil, embora tenham várias referências sobre outros assuntos. Foi um livro rápido e interessante, que junto com o filme me deixou apaixonada pela Audrey Hepburn e morrendo de vontade de ver outros filmes dela e ler uma biografia de verdade.

Convite para a estreia de Bonequinha de Luxo.

Quinta Avenida, 5 da Manhã - Audrey Hepburn, Bonequinha de luxo e o surgimento da mulher moderna
Sam Wasson
Editora Zahar: Twitter/Facebook

{Vídeo Complementar} Comentários sobre o filme Bonequinha de Luxo 


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http://www.seja-cult.com/2014/04/abril-especial-editora-zahar.html

12 comentários:

  1. Adoro a Audrey! Fiquei com muita vontade de ler esse livro!


    Beijinhos,
    www.limaoealecrim.blogspot.com

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  2. Assim como você eu não conheço nada da Audrey Hepburn, nunca cheguei a ver o filme bonequinha de luxo.
    O livro parece ser muito bom e bem detalhado, para as pessoas que são fãs do filme sempre é bom ter livros que falam mais detalhadamente sobre. Mas como não sou fã, não leria ele. Talvez no futuro depois de ver o filme eu fique motivada.

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  3. Nossa Denise eu adorei sua resenha, admito que eu fiquei só um pouco curiosa sobre o livro, apesar de eu também não saber nada da Audrey e nunca te me interessado pelo filme antes, sua resenha ficou tão boa que eu quero muito já assistir ao filme e queria muito ler uma biografia dela (se tiver claro), mais de qualquer forma talvez eu leia o livro para poder saber mais como foi feito o filme, e eu também fiquei bastante curiosa sobre esse conto. Ótima resenha, e ótimo vídeo também, espero que você melhore logo Denise e não tem que pedi desculpa pela sua voz, o vídeo ficou ótimo.

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  4. Ainda não assisti e nem li o primeiro livro
    Mas para quem conhece e gosta, esse livro deve ser muito bom
    Primeiro tenho que conhecer

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  5. Bonequinha de luxo é um clássico maravilhoso, é bem diferente ver uma prostituta retratada como heroína romântica, digo isso pela época em que foi feito, embora isso seja apenas sugerido pelo filme e não mostrado de maneira explícita. Acho que qualquer fã de cinema ou da Audrey Hepburn vai se interessar por ler esse livro. O título original do filme é o mesmo do conto que deu origem a ele, certo? Ainda não li esse conto mas o livro que já li de Truman Capote é sensacional (A sangue frio), um excelente autor.

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  6. O filme retrata de forma tão sutil o lance da prostituição, nem percebi, pra mim a Holy era socialite, promoter ... Qualquer coisa menos isso, o legal do final foi ela ter vivido feliz para sempre. Se me lembro bem. A verdade é que mesmo que ela tenha se dado mal, ela merecia ter se dado bem. Tinha bom coração, e um senso de moda que inspirou e inspira muitas mulheres por aí.

    Audrey Hepburn é como Peter Pan, o espírito da juventude *-*

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  7. Eu me sinto excluída do mundo por não ter assistido a esse filme ainda hahaha E também não conheço a Audrey Hepburn... acho que vou até assistir nesse feriadão :D
    Achei que o livro está com uma edição linda, ótima pra quem é fã! Fiquei muito curiosa ^^

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  8. Taí um clássico do cinema e um ícone feminino que eu não conheço nada além do básico, mas sempre que vejo algo a respeito bate uma curiosidade. Eu nem fazia ideia que a Marilyn e a Audrey eram contemporâneas (sério rs).
    Depois da sua resenha fiquei ainda mais interessada em conhecer melhor a história...quem sabe até o conto do Capote (que é outro que, de tanto me aparecer, quero conhecer...dizem que vale a pena).

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  9. Eu sou apaixonada pelo trabalho da Audrey desde que vi o filme "Funny Face" (ela interpreta uma livreira) e já estou começando a conhecer um pouco mais da sua filmografia. Sobre "Bonequinha de Luxo", estou tentando deixar ele um pouco de lado porque quero muito ler o livro do Capote, mas está tão esgotado que não encontro em lugar nenhum. Pelo jeito, vou acabar fazendo a mesma dobradinha que você fez. :)
    Beijos,
    Isabelle | http://www.mundodoslivros.com/

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  10. Assisti ao filme há alguns anos, mas o livro de Truman só soube que existia há pouco, e este livro de Sam, descobri graças a sua resenha. O que mais me faz ter vontade de lê-lo é encontrar detalhe sobre as locações pois Nova York é um destino dos sonhos e lembro de ter adorado isso quando assisti a película.

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  11. Olá Denise,

    Eu não conhecia esse livro, achei bem interessante retratar uma época de mudanças importantes, existiam ícones que tiveram grande importância nessa época....boa dica...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  12. Gosto muito de livros que contam bastidores de produções, especialmente quando ambienta a época em que tal produção retratou. Por isso, esse livro já está na minha lista para leitura (e preciso ver o filme também!).

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