Resenha: Quando tudo Volta

26/03/2014



Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. 

O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido. 

Quando tudo Volta vai ser narrado de duas formas. A primeira delas em primeira pessoa pelo Cullen e depois em terceira pessoa acompanhando principalmente outros três personagens: Gabriel, Beton Sage e Cabot Searcy. O Cullen é um garoto que está terminando o colegial e que tem uma vida bem pacata quando seu irmão Gabriel, dois anos mais jovem, desaparece. No outro núcleo do livro, temos Beton Sage um jovem que tem o propósito de fazer o bem sendo missionário. Na faculdade ele acaba conhecendo Cabot, seu colega de quarto, e é onde as vidas de todos esses jovens vão se encontrar. Um deles vai ficar obcecado pensando que é o escolhido de Deus para uma missão, outro vai se perder no caminho da fé, e outro vai ter sua vida virada de cabeça para baixo por causa de um pássaro lendário.

Por mais que acompanhemos vários personagens durante o livro, o Cullen é o protagonista e quem mais vai aparecer na estória. A personalidade dele reflete o livro, estranheza. Ele é um garoto com peculiaridades e que muitos considerarão assim, esquisito. O sarcasmo é um fato que me agrada, assim como escolher títulos para futuros livros, que ele não sabe se vai escrever, e situações. Agora algo que me irritou foi a obsessão dele em transformar todo mundo em zumbi e matar algumas pessoas nesses momentos, mais do que estranho, passa uma mensagem errada. Ele se envolve com algumas garotas, mas o romance não é o foco do livro, é o suspense em desvendar o desaparecimento e descobrir se a ave lendária existe ou não.

O Gabriel é um personagem que a gente não tem muito contato, só mais para o fim do livro, mas quando ele é citado pelos outros é com reverência, já que ele é um garoto apreciado por todos pela inteligencia e simplicidade. É quase como se ele fosse um velho preso num corpo jovem, onde a sabedoria governa. O Beton Sage e Cabot Searcy eu não quero comentar muito, porque eles fazem parte do outro núcleo da narrativa por assim dizer. Vou comentar melhor mais para frente, mas aviso que eles são bem importantes para o desenvolvimento da narrativa, por mais que no começo não aparentem. Os personagens secundários são interessantes também, gostei muito do Lucas, o melhor amigo do Cullen.

Uma coisa que você precisa saber sobre mim é que não gosto de abraçar pessoas com as quais não esteja sentimentalmente envolvido. Também não gosto muito de apertar a mão das pessoas, sentar-me perto o bastante a ponto de tocar em alguém ou sentir a respiração de quem quer que seja em minha pele. Se você é do tipo que gosta de fazer alguma dessas coisas, não vou fingir que entendo.

A única coisa que me incomodou nesse livro foi a mistura que o autor fez entre passado e presente e como algumas situações me deixaram confusas e sem saber se aquilo aconteceu ou não. Explicando melhor o primeiro caso. A narrativa do livro é feita em duas partes, uma é o presente e outra é o passado. As duas estórias vão seguindo paralelamente até se converterem em uma só, até que isso aconteça você fica sem saber o que uma estória tem a ver com a outra. Quando as duas se encontram é interessante e você entende o conflito principal, mas até lá você fica confuso. Sobre as situações serem reais ou não, advém de uma característica do protagonista que é descrever sonhos em boa parte do livro, e algumas vezes isso se mistura com a realidade e não fica muito claro quando é uma coisa ou outra.

Fora isso, não tive problemas com o livro e foi uma leitura 4 estrelas. A estória tem uma estranheza que só acaba quando tudo se encaixa e os porquês são respondidos. Eu acho que é por causa da forma como o autor escolheu narrar o seu livro, com situações cruas e diretas. Você perceber que uma cidade onde todo mundo se conhece dá mais atenção a um pássaro do que a um garoto desaparecido choca de certa forma, e o autor tentar fazer isso parecer normal, como de fato é, mexeu comigo. Aqui a gente cai naquela questão, e o Cullen comenta bastante isso, de que o mundo não para porque algo ruim aconteceu com você, a vida das pessoas continua independente disso. Isso é tão verdadeiro e tão triste que incomoda, teve partes que fiquei pensando 'gente, o garoto pode estar morto em algum lugar e todo mundo querendo ver um pássaro. Que isso!!'

Aviso para quem leu a resenha até aqui, é um livro instigante, diferente e com toques de dramas, mas que nem todo mundo vai gostar. Eu imagino as pessoas achando o livro estranho e largando no meio do caminho ou julgando ele antes de tudo ter sido resolvido, então leiam até o fim. O livro é curto e rápido e por não ser algo que a gente lê normalmente vale a pena. O fim dele não fica tão bem explicado e aqui a gente cai no que disse ai pra cima, de que pode ser verdade ou a imaginação do Cullen. É um final feliz, mas não feliz feliz. É um final de livro real, onde termina bem, mas algumas coisas não. Não sei se o autor lançou outros livros, mas se a Novo Conceito trouxesse, eu leria sim.

Cullen, as pessoas não podem desistir uma das outras ainda. Todos merecem uma segunda chance, sabe? Podemos começar de novo, como Noé depois do dilúvio. Por pior que um homem seja, ele sempre ganha uma segunda chance, de um jeito ou de outro.

Quando Tudo Volta
John Corey Whaley
Editora Novo Concwito - Twitter/Facebook

6 comentários:

  1. Parece ser meu tipo de livro, diferente e instigante. Eu normalmente gosto de livros que a maioria abandona kk. Com certeza mais um na minha lista.
    Beijos

    www.antesdos40.com.br

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  2. Acho que se o autor não souber organizar o passado e o futuro o livro fica confuso, como você disse. Adorei sua resenha e o livro parece totalmente surreal, e como você, adoro o toque do sarcasmo e adorei também o mistério que o livro possuí com o desaparecimento do menino e essa ave. Nunca tinha lido resenha alguma desse livro, a sua é a primeira e só posso dizer que sou sortuda porque quero muito ler, mesmo o livro tendo seus pontos negativos, todos tem, não é mesmo?
    Talvez a confusão seja ruim no início, mas quando as histórias finalmente se ligam, é como se uma lâmpada finalmente clicasse dentro de nossas cabeças e acho que isso trás o choque aos leitores, mas tomara que não seja aquela confusão que nos da vontade de desistir da leitura, ai não da muito certo!
    Parabéns pela resenha, Flor, se ler o livro, trarei minha opinião a você!

    Beijinhos,
    Percepções Blog

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  3. Olá Denise!
    Esse livro me chamou atenção pela capa, que achei linda e quando vi a resenha aqui no seu blog me senti obrigada a ler, para saber se vale a pena ou não inserir o livro na minha lista de desejados, e pelo que vc escreveu acho que vale a pena sim, parece ser uma história interessante! Li um livro recentemente que também não teve um fim muito bem explicado e nem por isso deixei de gostar da leitura :)
    Adorei a resenha!

    Beijos
    Débora - Clube das 6
    http://www.clubedas6.com.br

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  4. Oi Denise que pena que nem todos irão gostar da leitura!
    Quero fazer a leitura e ter minha opinião tmb, depois te conto tá!
    Beijos

    www.paraisoempapel.com

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  5. Oi tudo bem?
    To com uma vontade enorme de ler este livro, e tá lá na fila ainda, vou ser forte e não passarei ele na frete de nenhum!
    Autores tem que cuidar quando misturam passado e presente se não for bem escrito (ou traduzido) nossa a gente se confunde. To assim com As Gêmeas.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog

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  6. Eu já tô querendo esse livro pra ontem! Li muitas resenhas animadas, e uma até que disse que é melhor que John Green, haha, então, preciso conferir pra saber se é mesmo verdade. Ele parece ser o tipo de livro melancólico, realista, e com um traço de humor, e eu gosto disso. Depiis de ler John Green e Matthew Quick, fiquei mais curioso quanto á obras do tipo, porque elas são profundas e interessantes e sabem conversar com o leitor jovem.

    Abraços,
    Joshua - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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