Resenha: Fragmentada

03/02/2014



Kyla não deveria se lembrar de nada quando foi reiniciada. Mas segredos do seu passado atormentam sua mente. Presa em uma luta contra a opressão dos lordeiros, e ansiando por liberdade, Kyla vê seu passado e presente colidir de uma forma que ameaça sua vida. Enquanto sua busca desesperada por Ben continua, em quem ela poderá confiar em um mundo repleto de segredos e mentiras? 

Fragmentada começa exatamente onde Reiniciados terminou, com a Kyla relembrando alguns fragmentos do seu passado. Agora que ela percebe que essas lembranças são da vida dela antes de ser reiniciada, a protagonista dessa distopia fará de tudo para relembrar o que deveria ter sido esquecido para sempre. A ideia de Reiniciados é ótima, o governo assinou um tratado onde os criminosos, principalmente os jovens delinquentes, tem suas memórias pagadas e a eles é dado a chance de recomeçar em novas famílias. Em seus cérebros são implantados chips comandados pelo Nivo, que controla o nível de sentimentos de quem usa. Eles precisam ficar calmos ou felizes, do contrário, se sentirem raiva ou emoções muito intensas, esse Nivo faz com que o cérebro deles queime e eles morram.

Neste livro a gente entende um pouco melhor o que aconteceu com a Kyla, porque as memórias dela voltaram sendo que ela foi reiniciada como todos os outros. A explicação da autora para isso é muito boa, aliás, a ideia do livro é maravilhosa, já tinha comentado isso com vocês na resenha do primeiro livro. Só que aqui acontece a mesma coisa do anterior, que é autora segurar demais para revelar os porquês. Isso é algo que me irrita muito, porque a Kyla é o tipo de personagem questionador, então ela divaga sobre as coisas e nem sempre tem respostas. E se ela não consegue as respostas, a gente não consegue também. O pior nem é isso, acontece muito de ela já saber as respostas e só lembra em determinados momentos da narrativa. Falta um equilíbrio entre deixar o leitor curioso e deixar ele com raiva de não saber, quando eu descubro os segredos a leitura flui, mas até lá eu fico o tempo todo 'quero saber! quero saber! quero saber!...'

É o seguinte: se você finge estar alegre para manter os níveis, você não consegue mais saber o que está sentido de verdade. Nada parece real. Deve haver coisas que seria bom esquecer. Mas ainda assim é frustrante perder partes de mim mesma que eu quero lembrar!

Assim como o primeiro, esse continua sendo narrado pela Kyla e o núcleo de personagens é praticamente o mesmo, apenas alguns novos são introduzidos e entre eles, dois chaves para esse livro e provavelmente para o livro final da trilogia. Esses personagens vão representar o lado contra e a favor do governo. Por algum motivo, a Kyla está entre os dois, pendendo de um para o outro. A Kyla nesse livro está mais instável do que no outro e acredito que muitos vão considerar isso como o famoso mimimi. Tem momentos no livro que ela é muito decidida e firme e tem outros que ela é extremamente volúvel e fraca. Um dos personagens que eu citei no começo do parágrafo tem um poder sobre ela assustador, só com um olhar ele consegue fazer com ela seja submissa e faça o que ele quer. Durante a narrativa entendemos isso melhor, mas mesmo assim, é descabido que a força da personagem vire pó diante de um homem.

O romance nessa trilogia não parece ser algo que a autora considere importante, ele fica muito em segundo plano e nesse quase não aparece. Muitos homens cercam a vida de Kyla, mas nenhum deles parece mexer com o mundo dela como o Ben, só que coisas acontecem com ele e nem tudo acaba dando certo. Se o romance fica em segundo plano, nesse temos várias reviravoltas e cenas de ação. O livro tem uma dinâmica rápida justamente por causa dessas cenas. Alguns personagens também morrem, o que sugere que a autora não poupará ninguém se tiver que morrer. Isso me preocupa para o livro final e estou torcendo para que ela segure um pouco esse impeto. Eu fiquei sentida, porque um personagem que eu estava começando a gostar acabou indo nesse livro.

O triunfo da Teri Terry está na premissa de um reiniciado que não deu certo. Por mais que ela segure as coisas, você é cativado a ler pelas peguntas que a protagonista faz e que nem sempre tem respostas. As dúvidas dela acabam sendo as suas, e você torce para que ela descubra logo os segredos, porque você também quer descobrir. Outra coisa, a autora soube terminar os seus livros bem, com ganchos importantes para os próximos, mas não daquele jeito que você nem pode esperar direito para ler. A Kyla já recuperou muito das suas lembranças e agora ela vai decidir o que fazer com elas e as possibilidades são muitas. Eu não faço a menor ideia do que esperar do livro final, não tenho nem sugestões, então tudo vai ser surpresa. Espero apenas que sejam boas e que a autora feche tudo o que ela deixou em aberto até aqui.

Por muito tempo fui empurrada para um lado, depois para o outro; entre quem eu era, e quem eu sou. Mas quem eu quero ser?

Fragmentada - Slated - Livro 02
Teri Terry
Editora Farol Literário - Twitter/Facebook

4 comentários:

  1. Olá Denise,

    Só leio resenhas positivas dessa série e agora a sua resenha me deixou ainda mais curioso, gosto também das capas e espero poder lê-lo em breve...parabéns pela resenha...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Oi Denise, infelizmente ainda não tive o prazer de começar a ler esta série. Espero poder fazer isso logo, pois a cada resenha lida, mais aumenta minha curiosidade em torno dela.
    Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
  3. Já li Reiniciados e gostei bastante da premissa. Kyla não foi uma personagem muito cativante, tampouco chata. Mesmo assim, os segredos me prenderam até o final e eu fiquei curiosa para ler a continuação... Espero gostar tanto quanto você.
    Abraço!
    http://contosdemisterioeterror.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Não vejo a hora de ler Reiniciados *-*

    Só vejo coisas boas a respeito do livro.

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.