Resenha: A cortesã e o Samurai

07/01/2014



Como manter os valores de uma vida inteira em um mundo em crise? O Japão de 1868 encontra-se dividido entre duas facções: os nortistas, defensores do xogum, e os sulistas, contrários a ele. Casada com um oficial do norte, porém deixada para trás pelo marido e pela família, a bela Hana foge e acaba sendo vendida para se tornar cortesã em Yoshiwara, o bairro do prazer. Lá, ela realiza descobertas que vão além das antigas técnicas da profissão e encontra verdades sobre si que nunca imaginara. Yozo, um dos homens do xogum, retorna ao Japão após passar quatro anos no Ocidente. Ao se deparar com seu líder destruído do poder, ele viaja ao norte para se juntar aos companheiros rebeldes, mas é preso na batalha final. Após conseguir fugir, procura refúgio em Yashiwara, onde conhece Hana. A partir desse encontro, suas vidas se transformam irremediavelmente. 

Em A cortesã e o Samurai acompanhamos em terceira pessoa os protagonistas Hana e Yozo. Hana é uma menina de 17 anos que foi abandonada pelo marido e a família dele. Devido a sua ingenuidade é vendida como cortesã e vai parar em Yoshiwara, o bairro onde a prostituição é a principal fonte de sobrevivência para as mulheres em tempos de guerra. Yozo luta por xogum numa guerra onde os sulistas estão ganhando, e numa dessas batalhas ele foge para a cidade onde Hana vive como cortesã. Os dois se conhecem e um sentimento nasce entre eles, mas os dois encontram muitos empecilhos para ficarem juntos.

A Hana é uma menina muito doce e submissa, como eram as mulheres daquela época. A parte cultural fica muito clara nesse romance, acredito que seja bem parecido com Memórias de uma gueixa. A primeira coisa que me espantou foi quando é narrado que as mulheres casadas tinham as sobrancelhas sempre raspadas e os dentes pintados de preto. A parte dela como cortesã também tem partes culturais como o porte das meninas nesse lugar, as roupas, as comidas e os costumes. O Yozo tem uma personalidade bem protetora, com os amigos e a Hana, além de ser serio e determinado no que se propõe a fazer. Não é atoa que ele encanta uma mulher que dorme com vários homens.

Esse livro me incomodou em dois pontos, o primeiro deles foi a superficialidade do contexto histórico. Ele se passa no Japão de 1800, um período de guerra entre o norte e o sul, só que o que eu sei sobre essa época foi pelo que pesquisei fora do livro, pois o assunto é confuso. A autora utilizou o Yozo para contar essa parte histórica, mas ela utilizou as lembranças rasas dele, então a gente sabe que ele esta do lado perder e que o lado vencedor esta dominando o que a agora a gente chama de Tóquio. Os nomes também são complicados e não só das pessoas, os lugares possuem nomes difíceis de decorar, só que por ser um livro que se passa no Japão eu já espera esse detalhe.

O segundo ponto, e o pior na minha opinião, foi a demora com que a autora fez os protagonistas se encontrarem. A gente vai acompanhando a vida da Hana e a do Yozo separadamente até a pg 225 quando eles se encontram. O livro tem 330, ou seja, um pouco mais de 100 pgs para elaborar um relacionamento, o que eu achei bem pouco. A autora focou demais na vida deles separados, eu sei que o livro é sobre uma cortesã, e é importante esclarecer como a Hana entrou nesse mundo e como ele funcionava em 1800, e um samurai, narrar como a guerra funcionava também é valido, só que mais da metade do livro só para isso cansou demais. Confesso que contei as pgs para saber quantas faltavam até eles se conhecerem porque ficou chato cada um no seu mundinho, sendo que o meu interesse no livro era pelo envolvimento dos dois.

Embora o título do livro sugira um romance no sentido apaixonado da palavra, ele passa longe disso. Como tinha dito, a Hana e o Yozo demoram a engrenar num relacionamento e até lá, a vida deles é contada separadamente. Quando eles se conhecem, as coisas não aconteceram como eu imaginava. Achei que eles fossem viver esse amor desesperadamente já que ela é uma cortesã e ele um fugitivo de guerra, só que tudo aconteceu de forma contida e rápida. Não tem expressões do amor que eles estão sentido, é só companhia e proteção. Ele precisa de alguém com quem conversar e ela de alguém para protegê-la, assim, eles selam um acordo. Também não tem cenas hot como pensei, para falar a verdade eles quase não tem contato físico e as cenas da Hana como cortesã, não são narradas.

Tirando esses pontos que não gostei, a litura foi razoável. Quando a Hana e o Yozo se conheceram e começaram a se relacionar, a leitura fluiu muito bem e as 100 últimas pgs voaram. No fim dele tem um agradecimento da autora comentando sobre o que é real e fictício neste romance, se essa parte não fosse spoiler seria interessante ler ela antes de ler o livro. Nesse agradecimento ela explica um pouco melhor sobre a parte histórica e a relação da viagem que ela fez como preparação, a influencia no romance. Então tem ela falando sobre os monumentos, as ruas da cidade e alguns personagens. Quem gosta de um romance mais apaixonado e envolvente não gostará de A cortesã e o Samurai, pois ele é muito mais frio e objetivo. É para mostrar como as mulheres que perderam seus maridos eram tratadas e como os homens lidavam com a guerra, mais do que isso vocês não vão achar.

Hana olhou o fosso se alongando atrás dela, em direção a Edo e à sua antiga vida. Estava prestes a entrar num novo mundo e sabia que, quando saísse dele - se por acaso saísse -, o fosso, a lua e as estrelas talvez continuassem os mesmos, mas ela, não.

A Cortesã e o Samurai
Lesley Downer
Editora Record - Twitter/Facebook

3 comentários:

  1. Um livro sobre o qual nunca tinha ouvido falar, o nome me chamou a atenção, mas a resenha (muito bem escrita) me desanimou =/
    Bjs
    www.moniitorando.blogspot.com

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  2. Oieee =)
    menina, essa capa é linda e a sinopse bem elaborada, tanto que desde que o vi o desejo, até coloquei na minha lista de desejado de amigo secreto ;P
    Contudo agora depois de ler tua resenha estou com receio, como sempre ela está bem explicativa e detalhada e será que irei me sentir tão encomendada quanto você? #Capaz!
    mesmo assim ainda quero, rsrs.
    Beliscões carinhosos da Máh ♥
    Cantinho da Máh
    @Maaria_Silvana


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  3. Nossa que capa linda!
    Não conhecia o livro vim ler a resenha pelo título acredita? rs
    Bom.. depois da sua resenha acredito que não vou lere ste livro tão.... cedo, mas quem sabe um dia não é?
    O qe mais me encanta em livros históricos são os detalhes, e claro o romance mas qpelo que vi não são os pontos mais chaves do livro :/

    Parabéns pela resenha sincera!
    beijos
    tamigarotaindecisa.blogspot.com.br

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