Resenha: Adeus à Inocência

25/01/2014



Madora tinha 17 anos quando Willis a “;resgatou”;. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas? 

Madora perde o pai quando tem 17 anos e depois do fato, a mãe chafurda no limbo da perda e esquece que tem uma filha. Ela começa a beber e a se drogar, e em uma dessas festas ela conhece o Willis, um homem que desperta nela a sensação de ser apreciada novamente. Madora foge com ele para o meio do deserto e tudo ia bem na sua relação com Willis, até ele trazer uma menina grávida para o lugar onde eles moram. A semelhança do estado que a menina se encontra e a vida sem alicerces que ela possui, chama a atenção de Madora que começa a perceber que as coisas não estão tão certas quanto ela imaginava. Django acabou de perder os pais quando chega ao deserto da Califórnia onde sua tia vive. Em um lugar estranho e sem amigos, ele conhece uma jovem que tem uma relação estranha com um cara que ele sabe não ser boa coisa. Ele vai tentar ajudá-la e quem sabe ela não o ajuda também.

Neste livro acompanhamos em terceira pessoa 4 personagens: Madora, Django, Willis e a tia do Django, Robin. Vou deixar para falar da Madora no próximo parágrafo porque preciso de um inteiro para explicar a minha relação de amor e ódio com ela. O Django é um garotinho de 12 anos muito esperto e que teve uma perda enorme, os pais em um acidente de carro. Quando vai morar com a tia, ele perde toda a referência que tinha e se apoia na relação com uma desconhecida e seu cachorro. Robin é uma solteirona tranquila, que gosta da vida pacata que leva, e a chegada de uma criança mexe com sentimentos que ela achava não existir. A verdade é que o Django mostra que a vida pode ser muito maior do que a fechada e pequenininha que ela levava antes dele chegar. Willis é o ponto complicado da narrativa, pois quando não acompanhamos o ponto de vista dele, tendemos a culpá-lo, mas quando lemos a sua estória, começamos a entender um pouco da sua personalidade. Ele acredita que tem uma missão na Terra, e você só vai descobrir qual é quando ler.

Só então Madora soube não existir para Willis não mais do que o fogão e a pia. Eles eram utensílios, e assim era ela.

A sinopse já indicava que a Madora seria uma personagem complicada de se ler, e quando eu comecei o livro, confirmei isso. Com 17 anos ela aceitou a oferta de conforto de um estranho, foi para o meio do deserto viver com ele, e durante uma boa parte do enredo ela cuida de uma menina que é mantida num trailer perto de onde eles vivem. No começo eu sentia muita raiva dela e não conseguia entender como alguém aceita o que uma outra diz sem contestar, mas depois eu analisei melhor e só sentia pena dela. A Madora não tinha ninguém para discerni-la, dizer o que certo e errado, conveniente ou não. Então, quando aparece alguém que faz isso, que vira referência na vida dela, ela simplesmente segue e acata o que ele diz. Isso me fez pensar no quanto o papel dessas pessoas, pais, tios, avós..., são importantes na vida da gente. Quando pensei assim, não consegui mais sentir raiva dela e julgá-la, eu só esperava que ela tivesse um bom final.

Eu li algumas resenhas negativas e vi avaliação bem ruins desse livro, e fiquei me perguntando porque gostei tanto dele e dei 5 estrelas. Mesmo agora fazendo a resenha eu não sei o motivo, só sei que ele merece essa nota. Adeus à Inocência não é um livro que tenha ação, tendo muitas vezes uma narrativa parada ao extremo e acredito que tenha sido por isso, que ele ganhou várias notas baixas. Esse livro é um romance psicológico e como tal, se desenrola encima das emoções dos personagens. Tem trechos que são apenas lembranças deles ou sentimentos colocados para fora e nenhum diálogo. A Madora e o Willis me causaram muitos sentimentos e alguns deles nada legais, então quando isso acontece eu considero que o livro me alcançou de alguma forma e merece a maior nota.

Quando eu estava terminando de ler esse livro, comentei no twitter que eu não conseguia parar de ler, eu tinha que terminar e saber como as vidas dos personagens seriam encerradas. O final dos personagens foi muito satisfatório e o melhor, a autora não esqueceu de ninguém, ao contrário do que vinha acontecendo com as minhas leituras. Agora eu quero ler outros livros da Drusilla, porque me dei bem com a cadência do livro e o ritmo calmo dele. Sem contar que o jeito direto com que ela escreve me agradou também. Ela não floreou a situação central e nem as secundárias, como no caso do Django. Ele não vai se reerguer de uma hora para outra, o garoto perdeu os pais e isso é difícil, marca qualquer pessoa para sempre. E com os outros personagens é a mesma coisa, ela deu um fim real para eles. Sei que esse não é o tipo de livro para todo mundo, mas gostaria que vocês dessem uma chance para ele.

Madora não acreditava que a vida fosse um ciclo. Cuidando de seus animais feridos, ela pensava que a vida era mais como o fundo de um cânion, onde alguns ficavam presos e apenas poucos se salvavam.

Adeus à Inocência - O que a vida espera da gente é um pouco de coragem...
Drusilla Campbell
Editora Novo Conceito - Twitter/Facebook

3 comentários:

  1. Que bom que gostou, eu li umas resenhas e confesso me desanimei um pouco com o livro, não que eu tenha desistido dele.
    Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
  2. Gostei bastante desse livro. Madora realmente é complicada,mas como você disse acabamos entendendo a situação dela. Também não consegui parar de ler até saber o que iria acontecer com a vida dos personagens.
    Beijos!
    Paloma Viricio-Monólogo de Julieta.

    ResponderExcluir
  3. Olá Denise,

    Esse livro esta na minha lista de espera de leitura e estou bem curioso, faz meu estilo e tenho certeza que irei gostar, ainda mais depois da sua resenha....abraços.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.