Resenha: As cavernas de Aço

26/11/2013


Este é a nova versão do livro antes lançado no Brasil como "Caça Aos Robôs" pela editora Hermus e em 2013, relançado pela editora Aleph com o nome de "As Cavernas de Aço", tradução mais correta do original Caves of Steel. Em Nova York, o investigador de polícia Elijah Baley é escalado para investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais. A rede de intrigas envolve desde sociedades secretas até interesses interplanetários.

Mas nada o preocupa tanto quanto o seu parceiro no caso, cuja eficiência pode tomar o seu emprego, como acontecera com seu pai no passado. Pois seu parceiro é um robô. Publicado no início da década de 1950, As Cavernas de Aço é o primeiro romance do consagrado Ciclo dos Robôs de Isaac Asimov, mesclando de forma magistral os gêneros de ficção científica e literatura policial. 
Elijah Baley é detetive numa Nova York onde os humanos convivem, a força, com os robôs. A hostilidade dos humanos para com as maquinas é grande, pois muitos deles substituem o que os humanos fazem com um custo bem mais baixo. Quando um Sideral é morto cabe a Elijah descobrir quem foi. Ele é designado para o caso com um parceiro robô, contrariando a sua vontade, já que assim como os outros, Elijah não vê com bons olhos as maquinas. A convivência forçada vai fazer com que Elijah repense a sua hostilidade ao mesmo tempo que reforça ela. Ele não sabe se deve confiar no seu parceiro para descobrir quem matou o Sideral ou se deve ter medo de ser substituído, isso porque o robô também é um detetive.

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanha o policial Elijah, um homem na faixa dos 40 anos que é forçado a investigar o assassinato de um robô tendo como parceira outra maquina. Essa visão de fora não nos dá muitos detalhes da personalidade do Elijah, mas pelo texto, ele parece ser muito serio, religioso e centrado. Um pouco imaginativo demais, mas suponho que todo o detetive seja. Ele tem umas ideias engraçadas e esse ar de comédia eu comento mais para frente. Os outros personagens que fazem parte do enredo é o parceiro dele Daneel, a Jessie sua mulher e seu chefe Enderby. Por mais que o Daneel seja um robô e não tenha expressões nem esse tipo de coisa, eu ficava direto pensando nele como uma pessoa, como qualquer outro personagem. Muito estranho apenas.

Esse foi o meu primeiro contato com a ficção científica por assim dizer, antes ela estava presente em alguns livros, mas de forma tímida e nada que me fizesse classificá-lo como tal. Com As cavernas de Aço foi diferente porque o autor desse livro é praticamente o pai daquilo que conhecemos do gênero, e que eu tinha contato somente nos filmes. O meu medo era de não entender o livro, sendo sincera, eu pensava que teria muitas palavras difíceis e que a minha imaginação não conseguiria acompanhar o que o enredo me oferecia, mas eu estava enganada, pelo menos em relação a este começo. A primeira coisa que eu percebi com este livro foi que ele seria mduito fácil de ser lido e assimilado, isso porque o autor não utilizou uma linguajem complicada, nem mesmo nas partes que ele divaga sobre outros mundos ou como o nosso próprio funciona na estória dele.

Outro ponto interessante, é que o narrador do livro conversa com a gente em determinadas partes. Ele ser em terceira pessoa possibilita isso e quando ele vai contar como as coisas funcionam, tem um ar de conversa intima, como se ele fosse meu amigo e estivesse me contando a estória. O livro tem partes engraçadas e elas estão ligadas a estranheza de se viver entre robôs, de eles serem tão parecidos com a gente a ponto de os confundirmos. É claro que hoje já tem robôs parecidos com humanos, mas é diferente se você se imaginar convivendo com eles. O que mais me fez refletir com essa leitura, foi como seria se ele fosse real. Como o mundo, ou nós, nos comportaríamos se os robôs fossem a nossa imagem e semelhança? Será que aceitaríamos bem a substituição gradativa dos humanos pelas maquinas? Para quem acha que isso está longe, a Revolução Industrial nos mostra que um pouco disso já aconteceu.

Quem nunca teve contato com ficção científica este livro é um ótimo começo, pois não tem um linguajar complicado e por mais a frente que o tempo esteja, tem certas semelhanças com o que a gente vive hoje. Acredito que essa questão do avanço, que um dia pode fazer com que as criaturas se virem contra os criadores é atual e não só no mundo da robótica. O livro ter um mistério, um assassinato para ser solucionado, é um bom bônus que te prende até desvendar quem matou o Sideral. Será que foi mesmo um humano ou conseguiram fazer com que um robô burlasse a primeira lei, a de não ferir um ser humano? No começo do livro tem uma ótima introdução do autor, onde ele comenta sobre como nasceu a ideia do livro e o passo à passo até o lançamento. Eu comecei a gostar do livro, e do Asimov, bem nessa parte.

Você tem medo de que nos robôs? Se quer saber o que eu acho, é um sentimento de inferioridade. Nós, todos nós, sentimo-nos inferiores aos Siderais e odiamos isso. (...) Eles parecem ser melhores do que nós... mas eles não são. E essa é a maldita ironia dessa situação.
As Cavernas de Aço
Isaac Asimov
Editora Aleph - Twitter/Facebook

7 comentários:

  1. Olá! Adorei a premissa do livro, um ponto que gostei de saber é que por vezes o escritor conversa com o leitor, isso é ótimo! Bjs, Isabela.

    www.universodosleitores.com

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  2. Parece interessante, adorei a premissa. Agora estou ansiosa pra ler hahaha
    Beijos!

    http://poucosutil.blogspot.com

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  3. Não sei se leria o livro, não faz muito meu estilo. Deve ser muito estranho imaginar uma coisa dessas...já pensou robôs como humanos? Estranhooooooooooo...
    Beijos!
    Paloma Viricio-Jornalismo na Alma.

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  4. Nunca li nenhum livro de ficção cientifica
    Mas gostei da dica
    Começar por esse livro parece ser bom

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  5. Não tenho costume de ler livros de ficção científica e vou anotar sua dica.
    Nunca li nada com robôs no meio, mas tenho curiosidade.
    ;)
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  6. Nossa, eu AMO robôs mais é tão dificil encontrar livros sobre o mesmo!
    Adorei a resenha
    http://divergentvote.blogspot.com

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  7. Uma pequena correção, Elijah Baley não investiga o assassinato de um robô, e sim de um dos Siderais, o Dr Sarton! E se você gostou deste "primeiro contato" robôs, existem outros 2 livros protagonizados por Baley: Os robôs (Naked Sun, no original em inglês), Os Robôs e o império, e Os robôs do amanhecer. Leitura Bonus: Imagem Especular - Envolve tanto Baley quanto Daneel.... enfim... não falta conteúdo pra quem curtir a viagem de Cavernas de Aço!

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