Resenha: Dançando sobre Cacos de Vidro

11/10/2013


Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. 

 Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. 

Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor. 

Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível. 
A forma como o livro é narrado me pegou no começo. Ele alterna entre os personagens Lucy e Mickey, ambos em primeira pessoa, e em flashback. A autora não avisa dessas voltas no tempo, ela introduz no meio da narrativa e você percebe pelo tempo verbal. Sobre os personagens, eu amei todos eles. Achei a construção perfeita e muito realista. Eles são cheios de defeitos e eu não estou falando das doenças, e sim, de erros de julgamentos, de se sentirem com medo e desmoronar ás vezes. A Lucy é quem mais narra e ela é doce, focada e pra cima. O tipo de pessoa que é bom se ter por perto para te dar uma força. Ela é muito realista também e corajosa, principalmente quando diz respeito aos problemas do Mickey e o que de ruim acontece com ela mesma.

Estar dentro da cabeça do Mickey é muitas vezes confuso, mas na maior parte do tempo é triste. Ele sabe que tem um problema, no caso o transtorno bipolar, e tenta de todas as formas lidar com isso, só que ele não consegue. Isso que parte o coração da gente, a consciência que ele tem de que precisa ser saudável, mas não conseguir chegar lá. A narrativa dele também ter muitos termos médicos, ele conta quantos remédios precisa tomar para ficar estável, os nomes e como eles agem no seu organismo. Eu não entendo do assunto, mas acho que a autora deve ter pesquisado para saber como tudo funciona porque é bem coerente com a doença. Alguns remédios acredito que a maioria conheça e sabe para o que funciona, como o Prosac.

Essa semana teve uma postagem da editora no facebook sobre este livro, depois teve um comentário falando que o livro era chato e eu também fui lá e dei minha opinião, falei que tinha gostado dele. Uma menina veio me perguntar se eu recomendava o livro, porque tinha gente falando mal e tal. Vou colocar aqui, mais ou menos o que eu coloquei lá. A leitura deste livro não foi fácil ou fluida. Pela sinopse eu já esperava uma narrativa mais complicada, só que as pessoas falando que eu ia chorar, me deu uma aflição sem tamanho. Eu fujo desses livros, onde as estórias são reais demais porque eu me desespero muito lendo. Quando o livro chegou e eu peguei ele, pensei "a sinopse é boa demais para eu simplesmente fraquejar agora" e me joguei.

Lucy me amava - mesmo com parafusos soltos, peças sobressalentes e partes danificadas. Ela amava o pacote todo - dizia que devia ser assim ou não faria sentido me amar.
O livro é denso, cru e muito triste, Senhor, como esse livro é triste. A minha teoria para quem não gostou dele, e foi isso que eu coloquei no comentário, foi porque buscou em um drama, características que não existem nesse gênero. É preciso ter em mente que em estórias como essa, você não vai se divertir, não vai gargalhar e nem vai entrar em um mundo de fantasia e viajar no enredo. Ele é pé no chão! São paginas e paginas da vida de milhares de pessoas sendo esfregadas na sua cara e dizendo "esteja preparado porque a vida é imprevisível. É preciso seguir em frente de alguma forma". Gente, vocês vão refletir muito, porque é isso que os dramas oferecem, reflexão. Além de muita emoção.

Eu ficava lendo as cenas onde o Mickey tinha ataques de psicose e pensando "tem que amar demais para segurar uma barra dessa, ainda mais se você também tem um problema super complicado como câncer". O romance desse livro é perfeito. Construído sobre a honestidade do "eu tenho um problema e você também. Então será que conseguimos passar por cima disso e ter uma vida juntos?". A vida dos dois é normal na medida do possível, a gente sente que a Lucy fica alerta o tempo todo em relação ao Mickey, mas isso não significa que eles não tenham os seus momentos como qualquer outro casal. As cenas deles como casal foram as mais tocantes para mim. O aceitar o outro com toda a sua bagagem e não escolher o mais fácil e mais bonito, é uma boa lição para se aprender.

Por mais que eu tenha chorado, e vocês não fazem ideia do quanto, foi um dos livros mais lindos que eu já li. Não pelo fato de acontecer um monte de coisa ruim, mas pela superação. É por você perceber, que por mais difícil e injusta que a vida seja, e todo mundo sabe que ela é, ainda existem coisas que valem a pena você viver. Vale a pena acordar cedo e lutar para passar pela vida com dignidade e ser feliz. Sem contar, que o enredo é um verdadeiro sacode em quem reclama de qualquer coisa, e isso inclui quem escreveu esta resenha. Leiam gente, se emocionem e sejam tocados por essa narrativa ótima. Só aviso que ela não deve ser feita em qualquer momento, preparem-se antes. Se for preciso parar no meio do livro, pare. Se for preciso respirar fundo antes de continuar, respire. Só por favor terminem a leitura. No final, vai valer a pena.

Cacos de vidro. Nesse momento estávamos descalços e dançando sobre um mar de cacos de vidro. Por mais verdadeiro que isso fosse, porém, Mickey sabia que eu dançaria com ele para sempre se pudesse, mesmo que meus pés sangrassem.
Dançando Sobre Cacos de Vidro
Ka Hancock
Editora Arqueiro - Twitter/Facebook

*Em termos comparativos. Chorei mais nesse livro do que lendo o final de Um dia, A menina que roubava livros, Á última música e O diário de Suzana para Nicolas. E não, eu ainda  não li A culpa é das estrelas, mas deve ser no mesmo estilo.

10 comentários:

  1. Hey
    Estava doida pra ler uma resenha desse livro!
    Pelo visto, é aquele tipo de leitura que você não pode perder nada, pelo fato do tempo verbal definir toda a situação da história em alguns momentos.

    Esse tipo de história realmente é ame ou odeie, como muitos livros do Nicholas.. hahaha

    Parabéns pela resenha.

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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  2. Não conhecia o livro, mas amei a resenha
    E é muito bom quando o livro tem toda essa história de superação que nos desperta um sentimento

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com


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  3. Pelo visto a narrativa te arrematou de jeito, hein? Adoro coisas tão cruas e sinceras ao ponto de não nos fazerem desgrudar do livro e vivenciar os sentimentos dos personagens até o fim!
    Ah, e meu blog está comemorando dois anos de existência, e está rolando uma super promoção valendo 4 incríveis livros! Passa lá depois quando tiver tempo para participar. :)
    Abraço,
    Vinícius - Livros e Rabiscos

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  4. Nise!! PARABÉNS pela resenha! Nossa, que coisa linda!! :) Eu também reclamo de qualquer coisa, e isso me deixa tão irritada! Deve ser maravilhoso o livro, pelo jeito... Estou ouvindo muito os blogueiros falando que choraram e se emocionaram, fiquei curiosa. Já li A Culpa é das Estrelas, e apesar da história ser dura por conta das histórias sobre câncer, eu ri na maior parte do livro, porque apesar de tudo, o John soube colocar superação e bom humor, foi isso que eu gostei. Estou com uma queda por livros com personagens assim desde que o li, sei que é maravilhoso você acompanhar o jeito como eles enfrentam e dizem que seguem em frente. Adorei, beijos!

    Letícia Valle
    Litteratura Mundi

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  5. Aiiin, adorei a história desse livro e você só deixou mais e mais curiosa com ele. Agora eu não consigo tirar da minha cabeça as palavras "eu quero, eu quero, eu quero!"
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

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  6. Oi Denise!
    Não sabia que esse livro era de chorar, mas pelo que você contou da história, é impossível segurar as lágrimas, né?
    A história parece ser bem interessante, acho que nunca li um livro em que o personagem tem transtorno bipolar.... Fiquei curiosa!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  7. Oi! ^^
    O livro parece ser muito lindo, mas definitivamente histórias tristes não são do meu gosto. Quando leio um livro é pra viajar em uma fantasia que me faça rir, e talvez também chorar. Leio muito pra me distrair. Esquecer da vida. Acho difícil gostar de um livro tão real assim como esse.

    Beijusss;
    http://hipercriativa.blogspot.com.br/

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  8. Esses tipos de livro me dão uma ressaca terrível, eu quase nunca choro com eles, mas fico dias com um aperto enorme no coração rs
    Mas quem sabe eu também não crie coragem e comece a ler? hehe

    beijos.
    www.like-a-livros.blogspot.com

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  9. Resenha perfeita. ♥ Ainda não li o livro, mas parece ser muito bom!! Parece ser muito emocionante, não vejo a hora de ler! :D

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  10. Eu li o livro e ele tornou-se uma das minhas melhores leituras desse ano! Amei demais!

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