Calafrio é narrado em primeira pessoa pelos pontos de vista da Grace e Sam, de forma alternada. A Grace foi atacada por lobos quando era criança, mas um lobo de olhos amarelos e profundos impediu que ela fosse morta. Depois disso, ela passa a acompanhar a vida deles de perto, observando seu lobo e sendo observada de volta do bosque perto de sua casa. O que ela não imagina, é que o lobo que ela observa é na verdade Sam e que durante o verão ele se transforma em homem, abandonando a pele de lobo. Em uma caçada contra os lobos, os caminhos de Sam e Grace se cruzam e a paixão que começou entre espécies diferentes, tem a possibilidade de se tornar realidade.
Pode parecer estranho a Grace e o Sam se apaixonarem enquanto ele ainda é lobo, mas lendo a estória isso se torna irrelevante, já que é o Sam, homem, quem narra uma parte do livro. Você meio que pensa nele como sendo um homem impossibilitado de ficar com quem deseja, e não como um lobo. A Grace é uma menina madura para sua idade, já que os pais dela são mais como seus colegas, ela aprendeu desde cedo a se virar. É responsável e objetiva, enquanto Sam é um artista e possui a alma de um. Ele toca violão e transforma tudo em música, é doce e sensível. Daquele jeito fofo que todas as leitoras amam.
Os lobisomens criados pela autora não tem nada de espetacular. Ok, considerando que esse ser sobrenatural não tenha nada demais. Mas é que ficou tão natural e uma consequência lógica da doença dos lobos, que passa a ideia de que eles existem no mundo real. Como se fosse um vírus, você pega e a consequência é ficar doente. Aqui não tem nada como se transformar na lua cheia ou bala de prata e coisas do tipo, eles são tratados como uma doença sem cura. Que quando está frio essa doença transforma eles em lobos e quando esta quente, transforma eles em humanos. A luta de Grace e Sam é que quanto mais o tempo passa, menos vezes você se torna humano, até que fica lobo para sempre.
Foi então que a verdade me atingiu em cheio. Lá estava eu, na cama, com um rapaz que mudava de forma. Não apenas qualquer rapaz que mudava de forma, mas o meu lobo.
O que as pessoas mais estranham na escrita da Maggie é o quão poética ela é. As palavras são escolhidas com cuidado e isso fica perceptível nas cenas entre a Grace e o Sam. Os diálogos e a narração meio que rimam, só que isso não deixa de nenhuma forma o texto mais cansativo ou difícil de entender, me dá a impressão de riqueza, de uma estória bem contada e construída. Além da poesia, esse livro tem um tom melancólico, principalmente por causa do tempo e o lugar em que a narrativa se passa. Os lobos aparecem apenas no inverno e por isso a Grace passa o ano esperando essa estação chegar e ela já é naturalmente mais introspectiva, o que passa para a estória. O fato dos protagonistas serem mais isolados também dá essa sensação de tristeza em algumas partes.
Um aspecto interessante nessa serie é a construção do romance. Os livros sobrenaturais recentes que envolvem romance são sempre extremos, com personagens beirando a obsessão e com Calafrio é diferente. O amor entre o Sam e a Grace é mais sóbrio, calmo e maduro, mas sem ser chato. Entra aqui um tipo diferente de jovem, eles são independentes e pé no chão, amáveis e amorosos sim, mas com cautela. As mulheres que sempre sobressaem nos sentimentos como sendo mais abertas e receptivas, não acontece aqui, quem usa as calças da relação é a Grace. O Sam é o mais emotivo e mesmo tímido, deixa transparecer o que sente, ao contrario de Grace que é bem difícil de ler.
Já tem um tempo que eu ando bem interessada em lobos, e essa é uma das minhas séries favoritas, e olha que li apenas o primeiro. Sou apaixonada pelo enredo, personagens e no como a escrita da autora me envolve. A narrativa não tem pontas soltas e o que é proposto nesse primeiro é concluído, o final apenas deixa aquela ideia de como o segundo começará. Segundo este que já tenho e lerei muito em breve, quero ver se termino a serie este ano. A Maggie é uma autora pouco conhecida, mas que merece uma chance junto com os leitores brasileiros. Seus livros tem romance, aventura e sobrenatural na medida certa, sem faltar demais em algo ou exceder demais em outro.
Eu tinha encontrado o paraíso e me agarrava a ele tão apertado quanto podia, mas ele se desfazia, um fio muito frágil escorregando entre meus dedos, fino demais para que eu pudesse segurá-lo.
Calafrio - Os Lobos de Mercy Falls - Livro 1
Maggie Stiefvater
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Olá Denise,
ResponderExcluirMais livro que fico conhecendo aqui no seu blog...achei interessante e gostei da capa...boa dica e parabéns pela sua resenha...abraços.
http://devoradordeletras.blogspot.com.br
Não conhecia esse livro
ResponderExcluirMas parece ser bastante interessante
Beijos
@pocketlibro
http://pocketlibro.blogspot.com.br
Eu vi que você falou desse livro no seu vídeo, mas não fui procurar... Depois fala mais dele pra mim que quero ver se compro!
ResponderExcluirBeijos
@_RayPereira
http://porredelivros.blogspot.com.br/
Já tinha lido uma resenha desse livro, e apesar de não gostar da capa o enredo me deixou com vontade de lê-lo.
ResponderExcluir*bye*
http://loucaporromances.blogspot.com.br/
Caramba, fico feliz que tenha gostado tanto do livro, realmente LOBOS é uma literatura pouco explorada, o que sempre é cuidadosa a leitura, pois quase não há livro sobre.
ResponderExcluirMas fiquei curiosa pelo livro.
http://clicandolivros.blogspot.com.br/
Beijos *-*
Eu me apaixonei por esse livro, a maggie é um doce nas palavras escolhidas, e a narração do Sam, com certeza é uma das melhores partes do livro!
ResponderExcluirbjs
x
http://divergentvote.blogspot.com