Resenha Nacional: O mundo de vidro

13/04/2013



Até onde pode ir a paixão de uma pessoa por outra? Como, quando e por que começa? Até que ponto pode-se cometer alguma loucura para fazer parte da vida de alguém? Quais as consequências da paixão avassaladora incompreendida? Nesse seu primeiro e hilariante romance, Maurício Gomyde retrata o cotidiano de um cidadão normal como tantos que se vê por aí em qualquer canto, tentando responder estas aparentemente simples perguntas. Passeando com extrema facilidade tanto pela linguagem refinada e sutil quanto pela tosca, Maurício Gomyde nos brinda com um livro de leitura fácil e extremamente agradável. 

O livro O mundo de vidro é narrado em terceira pessoa e alterna os pontos de vistas entre um homem e uma mulher. "Ela" é uma mulher romântica, decidida, com uma carreira de sucesso e um noivo, ou seja, vida perfeita. "Ele" é um homem comum, solitário, com um emprego e vida mais ou menos, sem sonhos e perspectivas. Quando o mundo desses dois personagens se cruza, a vida dele é a primeira a mudar. Disposto a tudo para conquistá-la, ele muda radicalmente seu visual e estilo, entra para o curso no qual ela da aula e se arrisca. A vida "dela" só muda quando ela perde o noivo e começa a olhar para "ele" com outros olhos. O relacionamento dos dois é truncado, com ela tentando se manter distante, mas no fundo já pensando "nele" como algo mais.

Este é o segundo livro do Maurício que eu leio e não foi a leitura que eu esperava. O mundo de vidro é o livro que a maioria das pessoas gosta mais do autor e acredito que a expectativa que eu tinha era muito grande. Não consegui me identificar com os personagens ou me envolver com a estória. O primeiro ponto que logo de cara eu não gostei foram os personagens não terem nome. É complicado se referir a eles na hora de fazer uma analise ou ter empatia na hora da leitura. Nome para mim é identidade, e em um livro, intimidade. Me referir aos protagonistas como "ele" e "ela" é muito impessoal. Sem contar a curiosidade imensa que a gente fica para saber quais nomes eles teriam.

Finais onde o autor deixa para o leitor imaginar o que aconteceu não me agrada e com este livro é assim. A protagonista acaba vivendo um mistério evolvendo: um anonimo e um livro. Ela passa uma parte do livro ligada a esse anonimo, pois ele parece conhecer bem os seus sentimentos, mas como ele não se identifica, ela não sabe quem é. No fim ela descobre, mas nós não. Como os personagens não tem nome não sabemos quem é o "ele" que ela encontra. Claro que da para imaginar quem seja, só que um fim objetivo é sempre melhor para mim, ainda mais quando envolve romance. Ficar pensando depois se o casal ficou junto ou não da aquela sensação de estória não concluída.

Por mais que eu não tenha gostado da maior parte do livro, não poderia deixar de comentar sobre a linguagem usada pelo Maurício. Ela é muito coloquial, parece que o livro inteiro é uma conversa entre você e um amigo, ele te contando uma estória qualquer. Ninguém terá problemas em entender o enredo por causa dessa linguagem. O livro também tem situações engraçadas, aquelas no estilo difícil de imaginar acontecendo com alguém, mas que se acontecesse, você morreria de rir. Quando lerem, prestem atenção na relação do protagonista e seu papagaio, hilario.

Acredito que a expectativa alta foi o que me fez ficar com o pé atras em relação a este livro depois. Nem cheguei a ler sinopse, se tivesse lido, já saberia que os personagens não terem nome não me agradaria e leria com menos vontade. Não vou dizer que a leitura é de todo perdida porque ri muito de algumas cenas e gostei da linguagem, levei até menos tempo para ler do que imaginava. Geralmente quando algo te incomoda na leitura você tende a arrastá-la um pouco. Eu pelo menos sou assim. Indico o livro para quem não se incomoda com os pontos que não gostei acima, acrescido de um romance com muitos desencontros.

Conheceram-se numa dessas encruzilhadas da vida. Ninguém em sã consciência, inclusive os dois, afirmaria que entre eles poderia haver algum coisa. Mas, por obra do acaso e do imprevisível, ou como se o destino estivesse brincando, criaram entre si uma relação de enorme cumplicidade e envolvimento.

O Mundo de Vidro
Maurício Gomyde
Editora Porto 71

8 comentários:

  1. Que pena que a expectativa te prejudicou Denise, eu acho que eu gostarei embora não será um livro tão marcante assim. Provavelmente terei a mesma impressão que tu tiveste pós expectativa, mesmo que não tenha lido nada do autor ainda e já tenha formulado minhas próprias expectativas.

    Beijos,
    liliescreve.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Sabe que no início do livro eu não estava curtindo tanto assim, mas depois a trama engatou e fui sacando melhor qual era a dos personagens, o jeito deles, etc. E terminei o livro achando-o uma leitura que valeu a pena e passei a gostar bastante do autor. O segundo livro do Maurício é bem melhor que este, e o terceiro sinto que também seja (ainda não o li, mas estou com ele na minha fila hehe).

    Bjo, Livro Lab

    ResponderExcluir
  3. Particularmente esse livro não chamou minha atenção, mas quem sabe um dia eu mude ideia e der uma chance a ele.

    *bye*

    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Oi Denise, este livro é muito bom, dei boas risadas com ele.
    Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
  5. OLá Denise,

    Li e resenhei esse livro no blog e recomendo, agostei da idéia dos personagens não terem nomes, pois isso pode ocorrer com qualquer um, mas concordo com você em alguns pontos...parabéns pela resenha...abçs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Hey Denise
    Poxa, que chato que não te agradou, tanto. :(
    Eu adorei esse livro, achei divertido, foi o primeiro livro que li do autor.. e me tornei fã da escrita dele.

    bjundas
    Nana - Obsession Valley

    ResponderExcluir
  7. Oi Denise!
    Eu não tenho vontade de ler esse livro, já tinha lido em outras resenhas isso dos personagens não terem nome e a história também não me atraiu.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir
  8. Ainda não li nada do Mauricio, mas a sua opinião não foi muito boa. Existem livros que para uns é ótimo e outros não são. É por isso que opiniões são sempre ótimas.

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.