Resenha Nacional: Xadrez

08/01/2013


Inglaterra, 1947. A Europa encontra-se devastada pela Segunda Guerra Mundial, assim como o coração de Anny. A garota de oito anos vê seu mundo desmoronar ao receber a notícia de que não poderá mais viver com os pais e terá que se mudar de casa levando pouco mais que seu tabuleiro de xadrez. Tudo parecia um pesadelo, até que surge Pepeu, um jovem misterioso que mudará para sempre a vida de Anny, levando-a a aprender sobre o mundo e a viver momentos emocionantes sem sair dos canteiros de seu pequeno jardim. Ao lado de anjos que são colocados em sua jornada, a doce menina aprende a enfrentar as dificuldades através de lições de abnegação, fé e amor verdadeiro. 

O livro Xadrez narra a história de Anny, uma menina de 8 anos durante a Europa pós Segunda guerra Mundial. Ao receber a noticia de que não poderá mais morar com seus pais, vê seu pequeno mundo de sonhos desmoronar. Anny passa então, por varias descobertas e situações difíceis, principalmente para uma criança, mas no seu caminho são colocados anjos para guiá-la e não fazê-la desistir. O livro é narrado em terceira pessoa e alterna o ponto de vista da maioria dos personagens que compõe o enredo.

Anny, a protagonista, foi a personagem que menos me atraiu. Uma menina de 8 anos que sabe lidar com a vida de uma forma que poucos adultos conseguem não me convenceu. Não vi, em nenhum momento, uma explicação para que ela tivesse toda a sabedoria que apresenta na narrativa. Ela ser especial poderia ser uma delas, mas nunca errar ou nem se equivocar, tornou-a muito perfeita e menos real.

A história contem uma grande gama de personagens e a trajetória deles nem sempre é concluída o que é um ponto ruim, já que ele aparece na narrativa, deveria ter um desfecho. Outro ponto a se ressaltar, é que com muitos personagens fica difícil se conectar com algum. Na minha pesquisa sobre o livro, li algo que concordei perfeitamente. Pela quantidade de personagens, Xadrez deveria ser uma série e ter pelo menos umas 150 paginas a menos do que tem agora e focado apenas na Anny. Nos outros livros, a autora explicaria a história de cada um mais afundo. O entranho é que vários personagens deveriam dar ao livro uma certa dinâmica, mas isso não acontece, da metade para o fim o livro se arrasta completamente.

Não podemos esperar das pessoas mais do que elas estão prontas para nos entregar.

O livro me deu a impressão de ser uma lição de moral, que a história da Anny foi apenas um meio de passar uma mensagem. Não que eu não goste ou não concorde, longe disso, os meus autores favoritos me fazem refletir com suas histórias. O trunfo deles é escrever de modo que essa reflexão fique nas entrelinhas e não escancarado. O fato de achar que o livro estava querendo passar uma lição de moral para mim, tornou a leitura sem verdade, pois eu não conseguia gostar da protagonista e assim, acreditar no que ela estava querendo dizer.

Um das muitas histórias paralelas do livro que se entrelaçam com a de Anny e que me interessou, é a da mãe de Nicole, sobrinha de Jane com quem a Anny fica quando os pais vão embora. Essa história tinha potencial para um livro. Uma mulher que larga tudo e vai primeiro para conhecer o Alasca, lá se envolve com moradores nativos e decidi ficar e ensinar esse povo a falar sua língua. Quando eu percebi que essa história seria rápida fiquei decepcionada, sei que ela não era o foco e teve o seu começo, meio e fim, mas como me interessei por ela, queria mais profundidade.

A leitura desse livro não foi fácil, embora a linguagem seja simples, o enrendo não me predeu. Não consegui acreditar que uma criança de 8 anos tenha as ideias e o comportamento da Anny e sendo ela a protagonista, o livro não fluiu. Sei que ele tem tido comentários e resenhas positivas, mas não funcionou para mim, pode ter sido o momento do livro, no que eu acredito muito, ou porque a história não me prendeu mesmo. Os vários personagens também não me atraíram, já que eu só consegui sentir empatia por um casal secundário. É complicado recomendar um livro que você não gostou muito, então digo apenas que se muita gente aproveitou a leitura, você pode ser uma delas.

A vida é como uma partida de xadrez, se não se consegue em um dia, deve-se tentar no dia seguinte, e nunca deixar de acreditar.

Como eu recebi o livro de book tour, a versão que eu li foi a primeira, ainda com essa capa em formato xadrez e com esse nome. Uma nova edição do livro foi lançada pela Universo dos Livros e a capa está mesmo linda e o título também mudou, agora é Jogando xadrez com os anjos.

Jogando xadrez com os anjos 
Fabiane Ribeiro
Editora Multifoco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.