Resenha: A garota que perseguiu a lua

30/01/2013



"Como você pode achar seu caminho? Seguindo as nuvens ou a lua?" 

Emily Benedict foi para Mullaby após a morte de sua mãe. Ao chegar à cidade e conhecer seu avô ela percebe que os mistérios do lugar nunca são resolvidos: eles são uma forma de vida. Existem quartos cujo papel de parede muda de acordo com o seu humor, luzes estranhas aparecem no quintal à noite e Julia Winterson, a vizinha, consegue cozinhar a esperança em forma de bolos. Emily percebe que sua mãe esteve envolvida no maior mistério da cidade, e conta com a ajuda de Julia para desvendá-lo. Em Mullaby nada é o que parece." 

Eu fiquei interessada em ler esse livro primeiro pela capa, acho simples e harmoniosa todas as borboletas, as cores, a lua e a menina. Depois o nome me intrigou, fiquei imaginando onde a autora explicaria um nome como esse. Ás vezes a gente encontra um livro onde a capa e o título em nada tem a ver com a história, mas com A garota que perseguiu a lua é completamente o contrário, tanto a capa quanto o título são pistas do que a leitura nos reserva.

Ao perder sua mãe e não ter mais nenhum parente com quem ficar, Emily Benedict vai morar com o avô que nunca conheceu, em uma cidade chamada Mullaby. Essa pequena cidade possui mistérios e magia, e Emily se vê presa em um segredo que a mãe possuía, mas que se reflete nela. Dulcie, mãe de Emily, fez algo quando adolescente que os moradores de Mullaby não conseguem esquecer, cabe a filha agora, descobrir que segredo é esse e conviver com ele. Esse segredo envolve a família de Win, um rapaz misterioso que quando toca a pele de Emily, provoca calor e uma sensação de conforto.

Em paralelo a história de Emily nós conhecemos Julia Winterson, uma confeiteira que herda o restaurante do pai e isso a faz voltar para Mullaby durante um tempo. Ela tem um passado pesado com Sawyer, um homem que ela conheceu quando adolescente e se apaixonou perdidamente. Os dois acabam se reencontrando e fazendo sangrar velhas feridas. Julia se vê então, tendo que enfrentar algo que ela fez no passado, envolvendo Sawyer, para poder seguir em frente.

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanha a maioria dos moradores de Mullaby. Os personagens nesse livro são um caso a parte. Todos são bem escritos, tanto o físico quanto o psicológico, possuem carisma e te causa empatia. Já no começo somos apresentados ao avô de Emily, Vance, um gigante com mais de 2 metros de altura. Nunca tinha lido nenhuma história com gigantes e a autora introduz um pouco de como é a vida deles, as disposições de móveis dentro de casa, as dores físicas e como eles se relacionam com as outras pessoas. Já Emily e Julia possuem personalidades parecidas, ambas fortes e decididas. Os meninos são diferentes entre si. Win é mais pomposo e culto com suas gravatas borboletas e Sawyer mais engraçado e de bem com a vida.

Essa  era uma das grandes injustiças da vida: que você pode seguir adiante,  ser realizada e feliz, mas no instante em que vê alguém do colégio,  imediatamente se torna a pessoa que era naquela época, não a que é  agora.

Sabe quando uma autora com elementos simples consegue criar uma trama tão interessante de ler que você não consegue largar o livro? É exatamente isso que acontece em A garota que perseguiu a lua. Nós temos elementos básicos para um romance, mas a escrita dela é tão gostosa e fluida que as 250 pg se tornam poucas. Os personagens te cativam a ponto de você querer que eles sejam reais, ou melhor, que você pudesse entrar no livro e viver na magica Mullaby.

O mistério que envolve a mãe da Emily, e depois passa a envolvê-la, foi bem construído e é uma situação difícil de imaginar, mas que a autora tornou possível. Esse segredo na verdade é o fio condutor da história, ele da o toque de suspense e nos faz querer ler o livro rápido para saber o que é e como vai ser resolvido. Depois do mistério, o que mais nos prende são os desfechos das relações entre os dois casais. Por ser um relacionamento mais sofrido eu fiquei ansiosa por saber como a história da Julia e do Sawyer terminaria, foi o que eu esperava que acontecesse.

Esse livro foi o primeiro favorito do ano, pois me envolvi com as histórias de Mullaby. Fiquei intrigada com seus segredos, apaixonada por seus personagens e emocionada com suas histórias. Mais do que um romance doce e juvenil, no caso da Emily e do Win, maduro e tempestuoso, como é o caso da Julia e do Sawyer, A garota que perseguiu a lua é sobre amizade, o sentimento que nasce entre duas mulheres de diferentes idades e que as ajuda a resolver as dificuldades que elas enfrentam. Com certeza é um livro que vai agradar a maioria das pessoas que gosta de um romance único, mas também de um pouco de suspense.

Estou sempre com saudade de casa - ela disse sem olhar para ele. - Só não sei onde é minha casa. Há uma promessa de felicidade por aí. Eu sei disso. Até sinto às vezes. Mas é como perseguir a lua: bem na hora em que você a tem, ela some no horizonte. Eu fico triste e tento seguir em frente, mas depois o maldito troço volta na noite seguinte, me dando esperança de pegá-la novamente.

A garota que perseguiu a lua - The Girl Who Chased the Moon 
Sarah Addison Allen
Editora Planeta

2 comentários:

  1. Esse livro tem muita gente lendo e gostando, e já virou até seu favorito. Quero ler tbm. Denise, vc so faz eu gastar mais dinheiro. rsrs

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  2. Nossa, acho que sou a unica pessoa que não curtiu muito este livro ):
    Não me mate, achei a história fofa, mas não me agradou tanto como eu esperava.

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