Resenha Nacional: A morte é legal

28/11/2012


"Todo garoto apaixonado é um pouco ridículo. Esta é a história de Andrew Webley, um garoto muito ridículo.“ A Morte é Legal” é o segundo livro de Jim Anotsu, autor de “Annabel & Sarah”, sucesso de público e crítica. Conheça Andrew, um garoto de 19 anos que mora na cidade de Dresbel. Aspirante a escritor, sem rumo na vida e apaixonado pela melhor amiga há mais de três anos, sem a coragem necessária para se declarar. Tudo muda quando ele conhece Ive – a filha mais nova da Morte e ceifadora estagiária. A garota lhe revela uma forma de realizar qualquer desejo, incluindo o amor da garota amada: encontrar os três nomes verdadeiros da criatura mais importante do universo. O livro se desdobra com uma galeria de personagens que inclui uma coelha niilista alérgica a si própria, uma fada do fogo, crianças perdidas, ratos e fãs de hip hop. Quando os dias começam a afundar num turbilhão de desastres, segredos antigos são colocados no tabuleiro e inúmeras vidas em risco. E a única maneira de descobrir como tudo isso termina é ler até a última página. 

A morte é legal é narrado em terceira pessoa e vai acompanhar os seguintes pontos de vista: Andrew, Amber, Jonas, Astrophel, Stella e Rayla. De fato, Andrew é o protagonista, pois todo o enredo gira nele e em sua busca, mas os outros personagens também são importantes para o desenvolvimento da trama. Amber é irmã do Andrew e melhor amiga de Jonas. Astrophel e Stella são casados e também estão na busca dos três nomes da criatura poderosa. E por fim Rayla que é irmã de Ive. É curioso que a Ive não tenha o seu ponto de vista narrado, sendo que é ela quem propõe a busca dos nomes.

O enredo se desenvolve a partir da busca de Andrew e Ive pelos nomes da criatura, isso porque quem descobrir os tais nomes, a ele são concedidos 2 desejos, porém, eles não são os únicos atras deles, Astrophel e Stella também os querem. Rayla aparece como a figura que tenta impedir que ambos os casais consigam os nomes. A história de Amber e Jonas é a única pé no chão, com problemas reais típicos de adolescentes. Eu gostei mais de ter lido essa história paralela do que a dos outros por ter sido ao mesmo tempo diferente e trágica.

Tem certeza de que você não é uma garota? Andy, você é um cara legal, mas tem um pensamento bem patético.

Por mais ridículo que o Andrew possa ser, e ele é muitas vezes, o amor não é o foco do livro. Embora ele seja a motivação de algumas procuras pelo nome da criatura, ele fica de lado no meio da aventura que a busca requer. Um amor novo na vida do protagonista até acontece, mas ele é logo sobreposto pelas descobertas do mesmo. O Andrew amadurece durante o enredo e quando isso acontece, o que antes era tão importante para ele, o amor de uma garota, fica pequeno diante do que é correto se fazer em determinadas situações.

O fato de acompanharmos os pontos de vista de vários personagens, dificulta um pouco torcer para determinados deles. Isso porque quem seria o vilão do enredo, ao ter os sentimentos e motivações relevados, passa a ser uma pessoa comum que quer ter ao seu lado alguém que ama. E quem deveria ser o mocinho, está disposto a passar por cima de quem o está ajudando na busca pelos nomes. Claro que o sentimento de "pra quem devo torcer" não é forte ao ponto de você desacreditar no bonzinho, eu só pendi a ter pena de quem eu deveria ter raiva.

Eu sei o que você sente. É como gostar de maças num mundo que serve apenas bananas.  A gente pode ser diferente de todos e ainda realizar nossos sonhos.

A leitura desse livro foi complicada, a quantidade de referencias externas é imensa. Se você parar a leitura para procurar saber o que é cada nome diferente, ou livro e autor que está no enredo, não levará menos de três semanas para terminar de ler. No começo até fiz isso, mas quando vi que demoraria demais a ler e principalmente, a essência da historia se perderia, parei de fazer isso e continuei a ler mesmo não entendendo alguns pontos. O problema da referencia é exatamente esse, o leitor ficar curioso, parar para saber o que elas significam e a leitura ficar truncada.

A não ser pelo fato acima, gostei do livro. Ele faz alusão a uma história que amo, Alice no país das maravilhas, e fechou de modo satisfatório a história de todos os personagens. Confesso que meu lado romântico queria que o enredo fosse por um caminho, mas mesmo o fim não seguindo ele, caso bem com o que foi proposto. Se você gosta de livros que misturam fantasia com fatos reais e um monte de nomes e referencias pop, A morte é legal é para você.

Costumava pensar que um relacionamento, até o mais simples deles,  residia na felicidade que o outro lhe proporcionaria, mas era o contrario. Talvez parte do sentimento de estar com alguém fosse se alegrar por fazê-la feliz.

A Morte é Legal 
Jim Anotsu
Editora Draco

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