Resenha: Amor fora de hora

06/10/2012


Um lugar impossível para o encontro perfeito.
Uma jovem mulher, amante dos livros, e um rapaz do interior se esbarram repetidamente no cemitério. Um local completamente inusitado para um encontro. Certo dia, um sorriso nasce nos lábios dos dois e eles ficam deslumbrados um pelo outro. É o início de uma paixão irrefreável. Com um romantismo agitado e um humor revelador, este livro combina o choque de culturas com uma história de amor terno e desenfreado.

Amor fora de hora narra o romance que começa em um lugar inusitado. Desireé perdeu seu marido a pouco, e embora eles não tenham se dado muito bem, ela sente falta da companhia que ele lhe proporcionava, de chegar em casa e ter alguém com quem conversar e dividir o que de bom aconteceu no seu dia. Benny é um homem da fazenda que acabou de perder sua mãe e a única figura feminina que ele possuía. Agora ele está sem ninguém com quem dividir os afazeres da vida domestica e que coloque um pouco de ordem em sua vida. E é visitando a sepultura de seus entes, que Desireé e Benny se conhecem e começam a se envolver.

O livro é narrado em primeira pessoa e sobre os pontos de vista do casal protagonista, os capítulos alternam entre Desireé e Benny. O ponto de vista dele é o mais interessante, pois as leitoras mulheres sabem como outras mulheres pensam normalmente, mas os homens são, e provavelmente serão sempre, uma incógnita. Então, estar dentro da cabeça deles e saber como eles analisam um relacionamento é empolgante, porém, não vamos muito com sede ao pote pois eles não pensam muito diferente daquilo que imaginamos. 

Nó combinamos como mosca e esterco. Eu não quero que acabe. Estou vivendo um dia de cada vez.

Quanto as características físicas e psicológicas. Benny não é o tipo de mocinho certinho e bonzinho que estamos acostumadas, ele é boca dura e tem um jeito rustico e por muitas vezes bruto. As situações mais engraçadas acontecem com ele, pois ele não tem o minimo de trato com as mulheres, ele pensa coisas absurdas sobre elas. A Desireé é o seu oposto: fina, mora na cidade, terminou os estudos, adora ler e viajar. Por serem tão diferentes esses vão ser os maiores motivos dos conflitos deles enquanto casal, eles vão brigar por causa de tudo.

Esse livro tem situações hilarias e dei boas risadas com ele, ou seja, é um livro para entreter, daqueles que não se pode esperar um grande enredo. Os personagens são até bem construídos, mas falta profundidade, falta romance no sentido conhecido da palavra. E essa questão do romance foi o que mais me incomodou, a autora tratou o casal de uma forma superficial e fria, eles estão juntos, mas não juntos de verdade. Confuso? Explicando melhor, eles combinam fisicamente, mas não emocionalmente.

Dizem que o amor se conquista pelo estomago. Mas o que fazer se só se sabe lidar com um abridor de latas?

Posso estar julgando o livro de uma forma sonhadora, pois o casal protagonista já se envolveu com outras pessoas e são mais velhos, portanto, querem sentimentos e um relacionamento mais pé no chão. Eles são realistas no romance e não apaixonados. Na verdade, eles estão cansados de sonhar com a alma gêmea e querem agora uma companhia. Eu até entendo isso, o que não entendo é o amor ser tirado de jogo dessa forma, mesmo buscando uma pessoa só para estar ao seu lado, algum tipo de sentimento tem que existir, até para que o dia a dia dê certo. 

Outra questão que agora é engraçada, mas no futuro não sei se será, e cabe ressalva é o relógio biológico da Desireé. Por ela já passar de uma certa idade, ser viúva e sem filhos, algumas questões tipicas femininas são tratadas no livro. Para ela, a atração que ela sente pelo Benny é justamente porque seus óvulos ficam em ebulição assim que o veem, dando pulinhos de alegrias por alguma razão que ela não entende. Ela acredita que somente com ele, ela poderá ter um filho e a maioria das vezes que ela cita isso é de uma forma engraçada.

A vida ficou muito pequena para mim. Eu poderia ter uma nova? Não faz mal se for de segunda mão.

A leitura é rápida e só me perdi um pouco na parte cultural que é exposta, tanto o livro quanto a autora são da Suécia e a cultura do país está em quase todo o livro. Por eles terem uma cultura diferente, algumas partes causam estranheza, mas fora isso, a leitura fluiu bem. Algumas cenas de sexo e palavras de baixo calão estão no livro, se atenham a isso para não serem pegos de surpresa. Como dito, esse é um livro para ler sem expectativas, com a intenção apenas de dar boas risadas e de passar o tempo.

Amor fora de hora
Katarina Mazetti
Editora Lua de Papel

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