Resenha Nacional: Marta

20/09/2012



Marta é bipolar, adolescente e tenta viver uma história de amor. Um velho psiquiatra, disposto a produzir Literatura leiga e fugir das teses para o meio acadêmico, narra os fatos mais significativos da vida de Marta, abrangendo toda a sua primeira adolescência, até que possa caracterizá-la como bipolar tipo I. O mais original é que ele mostra Marta às voltas com a vida que todos levamos — tentando viver sua própria história de amor — e não apenas com o transtorno em si ou tratando dele.


O livro Marta é narrado em primeira pessoa, mas não pela protagonista, e sim, por um personagem que só sabemos no fim quem é. Ele como narrador tem uma peculiaridade, conversa diretamente com o leitor, dá sua opinião e interfere na estória. Se por um lado é bom ter esse tipo de narrador, pois o livro mais parece uma conversa, por outra ele não é do tipo confiável, pode alterar algo no enredo que ele não goste. Tanto que esse narrador antecipa cenas antes da hora e pede para não tomarmos partido de algum lado enquanto descreve uma cena.

O enredo é dividido em 4 partes. As duas primeiras é onde conhecemos a protagonista Marta e suas amigas Silvana e Nayla, outros personagens e nos ambientamos aos lugares em que o enredo se passa. O terceiro é em forma de flashback para entendermos como Marta conheceu, seu amor, João e como era o relacionamento deles, e a quarta parte é o desfecho.

A premissa do livro é contar uma estória sobre a adolescente bipolar Marta, só que eu particularmente não consegui identificar a bipolaridade nela. Não sei se o pouco conhecimento que tenho da doença interferiu nesta questão, mas pelo que sei, a Marta não se encaixa nele. Ela me pareceu uma adolescente bastante comum para a idade, tirando o fato do seu amor as vezes cego e exagerado pelo João,  não vi nada nela de diferente. Muito pelo contrario, a acho igual a muitas daquelas mulheres que amam demais e que perdoam certos deslizes do homens. O médico que a diagnostica com essa doença em nenhum momento do livro explicou porque ela se enquadra nele, um ponto falho do enredo já que o livro é sobre isso. Porque para esse médico a Marta é bipolar fica em aberto.

O romance envolvendo Marta e João é o tema central e o possível, não afirmarei pois não tenho certeza, diagnostico para a bipolaridade de Marta. Temos pouco acesso aos pensamentos de João, mas pelo que foi mostrado, ele não tem uma índole confiável. Isso torna o livro um pouco sofrido, pois sabemos que o garoto em questão não está agindo de forma correta com ela, enquanto a protagonista, deixa de viver em alguns momentos por causa dele. Novamente afirmo, não é o tipo de amor incomum, pois muitos adolescentes tem esse pensamento "ele é o amor da minha vida, morro sem ele."

Marta não foi uma leitura fácil para mim, ele é confuso e cansativo, e com conteúdo externo em excesso. O conteúdo externo são as estórias fora do enredo que o autor colocou, como se fossem rodapés e fatos que ele achou necessários estarem ali. Porém, isso tornou a leitura truncada, sem uma linearidade. Tive que voltar algumas vezes na leitura pois tinha me perdido, e não estou falando sobre duas, três linhas, algumas notas são de um paragrafo. Em nenhum momento me acostumei com isso durante a leitura.

O final é um caso a parte. Terminei o livro e fiquei com a sensação de "o que aconteceu?". Praticamente o desfecho inteiro fica sem resposta, as estória dos personagens ficaram sem explicação. Não sei o que aconteceu com o João, as amigas de Marta e com própria. Imagino o que tenha acontecido e olha que o fato que a levou ao que eu imagino também não teve explicação. Sei que ficou confuso, mas me sinto da mesma forma. Mesmo o autor explicando os tipos de leituras no prefacio, acredito não me encaixar em nenhuma delas, pois fiquei com varias incógnitas ao terminá-lo.

E como sempre tento tirar algo bom do livro, com Marta não seria diferente. Nos vários conteúdos externos que o livro tem, dois assuntos são interessantes e valem estar no enredo: a mitologia e os autores e poemas citados. Amos couberam bem na estória e só a enriqueceram, o resto de conteúdo poderia ser retirado.


Talvez de fato a felicidade seja o que as pessoas normais podem ter de mais parecido com a loucura, porque, quanto mais felizes, mais loucas elas parecem. (...) Talvez os loucos sejam mais felizes do que pensamos, e nós mais tristes do que eles parecem ser.


Marta 
Breno Melo de Matos
Editora Schoba

3 comentários:

  1. Eu entendo sua angústia, por vezes me sinto assim filmes e livros. E vendo sua reação fico ainda mais curiosa para ler Marta. Eu acho que irei gostar, nem que seja odiando a leitura (não sei se dá para entender).

    Vou amar ter sentido tudo aquilo.

    liliescreve.blogspot.com

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  2. Olá!
    Nossa,eu gostei bastante do tema abordado no livro,ele me parece ser muito bom.
    Seu post ficou ótimo.

    Bruno
    http://oexploradorcultural.blogspot.com

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  3. Ótima resenha! Gostei da forma como você mostrou os pontos negativos e a estória em si. Marta não é exatamente meu tipo de leitura, e alguns favores em sua estória e desfecho não me despertou a atenção, mas quem sabe um dia =D

    Bjs

    Da Imaginação a Escrita

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