Resenha: Se eu ficar

30/07/2012


Aos 17 anos, a musicista Mia é uma adolescente como tantas outras. Tem pais amorosos, uma melhor amiga e um namorado apaixonado. Sua vida, no entanto, não é livre de escolhas dolorosas, como decidir se permanece fiel ao seu primeiro amor – a música –, mesmo que isto signifique perder seu namorado e deixar todos os que ama para trás. 

Em uma manhã de fevereiro, Mia sai para um passeio com a família e, em um instante, tudo muda. A última coisa que lembra é estar no carro com seus pais e seu irmão mais novo, Teddy, em uma estrada repleta de neve. De repente, está em pé fora do seu corpo, ao lado dos cadáveres de seu pai e sua mãe, observando ela e o irmão serem atendidos pelos paramédicos. 

Enquanto tenta entender se está morta ou não, Mia é levada para um hospital, onde, com seu corpo em estado de coma, reflete sobre seu passado e tenta decidir se vale a pena lutar pela vida. Por meio dos flashbacks e dos pensamentos de Mia, o texto explora a vida da adolescente, sua paixão pela música clássica e sua forte relação com a família, com o namorado, Adam, e com a melhor amiga, Kim. 

Quando eu vi esse livro não dei nada por ele. Com uma capa pouco chamativa, ela não despertou em mim a vontade de lê-lo e a sinopse do livro físico e a que aparece em sites de venda, não é a mesma no skoob que é a sinopse que está acima. Decidi recebê-lo pelo viajante pelas resenhas, que sempre diziam que esse livro, embora pouco atrante, possuia uma estória reflexiva e que todos deveriam ler.

A sinopse acima está bem explicativa, o conflito do livro é a Mia, protagonista, tentando entender o que aconteceu com ela, se ela está viva ou morta. Pode parecer um tema um pouco batido e que tem que ser trabalhado com profundidade, mas a autora soube deixar o assunto de uma forma fácil. Claro que é o ponto de vista dela sobre a morte e experiências fora do corpo, e independente se você acredita ou não que possa acontecer, isso é a alma do livro e faz sentido nele.

O livro possui dois fatos curiosos. O primeiro é a caracterizção dos personagens, que nesse caso é quase nula. Nós não temos informações de como os personagens são físicamente, só psicológicamente. Sempre penso que isso é um aspecto negativo porque gosto de visualizar os personagens e preciso de vários detalhes para conseguir isso. Acreditava que era um aspecto negativo até ler esse livro. Como eu não consegui "ver" a Mia, foi mais fácil me imaginar no lugar dela, fazendo suas reflexões e escolhas. Para esse caso foi um fato interessante, porque se eu conseguisse imaginar uma Mia bem diferente, talvez isso não fosse possível.

Hoje de manhã eu saí para dar um passeio com minha família. E, agora, aqui estou eu, mais sózinha do que jamais estive na minha vida. Tenho 17 anos. Não é isso que deveria ter acontecido na minha vida.

E o segundo ponto é o tempo que o livro ocorre. A protagonista é forçada a crescer no decorrer do enredo, com os flashbacks ela vai pesando aquilo que é importante e construindo sua decisão. Pensamos que tudo isso se passa em um longo periodo de tempo, mas não, o tempo do enredo é pequeno. Fiquei com a sensação que a Mia passou por uma jornada tão longa, que na maioria das vezes requer bastante tempo, quando na verdade tudo durou o menos possível. Não é nada sobrenatural, onde o tempo para ou se dobra, só avisando.

Como as caracteristicas físicas são vagas, vamos as apresentações dos personagens com o que o livro oferece. Mia é a protagonista e quem narra o livro, ela tem 17 anos e a música é sua paixão, ou melhor, o violoncelo. Uma menina tímida e tranquila que namora Adam. Mais velho e com uma banda no começo do sucesso, Adam já é o oposto de Mia, apesar de compartilharem o amor pela música. Extrovertido e o tipo de cara que atrai as pessoas, é ele quem terá a difícil missão de fazer a Mia tomar, como é descrito no livro, a decisão mais importante da sua vida.

Se eu ficar. Se eu viver. A escolha é minha.

Esse é um livro que todos deveriam ler com certeza. A carga emocional dele é forte e os fatos são narrados de forma aberta e por isso ele é facil de ler. Você consegue entender o que se passa com a Mia e o quão dificil é para ela solucionar o conflito do livro, ir ou ficar. A cena do acidente foi a que mais mexeu comigo, ela descrever de forma fria como os corpos dos pais estavam e depois reviver vários momentos da família junta e feliz, foi doloroso para ela e é para a gente também.

Esse livro emociona quem o lê e nos faz pensar nas escolhas que fazemos durante a vida. Ele trata de um assunto que todos conhecemos, mas que ninguém gosta de falar: sobre a fragilidade da vida, sobre perder quem amamos e ter forças para seguir em frente. A Mia, assim como nós, tinha vários motivos para ir e ficar, eu entenderia completamente se ela fosse, mas também entenderia completamente se ela ficasse.

Ás vezes você faz escolhas na vida. E outras, as escolhas vem até você. Será que isso faz sentido?

Se eu Ficar - If I Stay
Gayle Forman 
Editora Rocco

6 comentários:

  1. Oi Denise!
    Não conhecia esse livro... Mas parece ter uma história muito triste, não sei se quero ler :/

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  2. Esse livro parece ser realmente bonito e triste ://

    Ah, quanto as fotos do post lá no meu blog, as fotos não foram modificadas, a fotógrafa realmente colou as sombras em papel na parede :) Dá pra ver no vídeo.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  3. Eu me apixonei pela capa ao contrário de ti. E a história ache incrível, gosto muito de coisas nesse estilo.

    Vou atrás do livro porque me envolvi profundamente e gostei muito desse aspecto de não haver descrição física.

    liliescreve.blogspot.com

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  4. Curti a resenha, me deu um nó na garganta só de ler a resenha, imagine o livro!
    Encontrei seu blog por acaso na internet e adorei aqui. Sério, as postagens são super bem feitas, o layout parece ser bem original e você tem atitude com suas palavras, tá de parabéns!
    Ano que vem o meu blog vai fazer 3 anos e eu estou com uma meta de 2000 seguidores antes de fevereiro, já estou seguindo seu blog. Será que você pode tornar a minha seguidora também?
    De qualquer forma vou deixar o link aqui, vou adorar te ver por lá!
    http://laialisafa.blogspot.com/
    Bjosss

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  5. Às vezes aqueles livros nos quais a gente não leva muita fé se revelam melhores do que muitos que são exaustivamente anunciados pelas editoras. Achei a capa bonita embora seja triste com essa flor meio despetalada acho que tem muito a ver com a história.

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  6. Não conhecia a obra. Adorei! Parece realmente um livro lindo, com boas mensagens para se refletir. Vai agora para a Wishlist (Deus, já são quase mil livros!). E eu que costumo julgar livros pela capa. Esse daí provavelmente teria passado longe de mim. Erro terrível!

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