Resenha Nacional: O Príncipe Gato - e a Ampulheta do Tempo

07/05/2012



Através de um Buraco de Minhoca — túnel dimensional que interliga dois mundos — localizado no Parque do Trianon, São Paulo, surge um viajante felino movido por uma única e importantíssima missão: a busca por uma lendária ampulheta. 

Escondida em algum local inóspito da cidade, a relíquia é a única capaz de salvar Marshmallow, terra do Príncipe Gato, que está à beira da destruição. No entanto, parece que ele não foi o único a atravessar o portal. Seres malignos irromperam das barreiras e logo declararam uma caçada voraz, com objetivos mais sombrios... Além de seus perseguidores, o Gato luta contra seu maior inimigo: o Tempo. 

É preciso encontrar este objeto antes que seja tarde e seu mundo esteja para sempre perdido. Contudo, ele não estará sozinho nesta empreitada e poderá contar com a ajuda de seus fiéis companheiros. Fascinante, angustiante e até mesmo engraçada, a história retrata os mistérios jamais desvendados da cidade paulistana, com um toque de magia e esperança. 

Em um dia qualquer, em uma livraria, Hugo vê algo bem curioso, um gato gordo mais ou menos do tamanho de uma criança de 6 anos foliando um livro. Ele acha que está louco, mas ao ter algo que ele tem um apreço especial roubado por esse felino, ele embarca em uma aventura que mudará o seu conceito de real e ireal. Lutas, bonecos de panos, feiticeiros, Marshmallow, um rato sábio e um gato que fala e é bem convencido ... Hugo estará envolvido em algo bem maior do que sua vida comum em São Paulo.

O livro é narrado em primeira pessoa e sobre três pontos de vista: Hugo, O Príncipe Gato e Eleonor. Cada um tem uma personalidade forte e os três são diferentes entre si. Hugo é humano, taciturno e sem muita perspectiva, da vida de um modo geral. O Gato é rabugento e egocêntrico. Já Eleonor, o rato, é sábio e o equilibrado da estória. O jeito peculiar de Eleonor, a sua sabedoria e lealdade me cativaram muito. Apesar de aparecer narrando o livro bem pouco, foi o personagem que eu mais gostei, existe algo de diferente nele.

Humano, você não é capaz de compreender a importância dos fatos que estão para acontecer! Vão muito além da sua visão limitada deste mundo.

A narrativa do livro é lenta às vezes pois é bastante detalhista, isso não de um jeito ruim, porque quando um autor cria um mundo ele tem que dar o màximo de detalhes possíveis para que o leitor possa visualizar esse mundo. E é isso o que acontece nesse livro, o autor descreveu bem Marshmallow, os personagem que aparecem e os termos que usa. Não fiquei perdida em nenhum momento com o que de novo tinha no livro.

Só não gostei do método que o Bento usou para aumentar a curiosidade no final de alguns capítulos. Ele escrevia coisas no final como "mas o que viria a seguir...", "o fato já estava acontecendo ...", "o que aconteceu depois...". Usar frases assim antecipa que algo de grande importancia irá acontecer, o que acaba por fazer a surpresa perder o seu valor. Em determinadas partes eu já sabia que algo grande iria acontecer e escrever coisas desse estilo não fizeram a menor diferença pra mim. A narrativa já me preparava pra isso.

Estamos lidando com o tempo, mas afinal o que é o tempo? É bem difícil defini-lo, não é palpável, não podemos vê-lo nem cheirá-lo, apenas repará-lo à nossa volta ...

Não poderia não comentar sobre a capa, que eu adorei. Sou apaixonada por gatos então logo de cara já fiquei com vontade de ler, os olhos coloridos dele são um misterio não dito no primeiro livro, e as patinhas nas páginas são muito fofas. Esse livro deixa muita coisa em aberto e mal resolvida, isso é o autor deixando um gancho para a continuação. Mas a aventura tem sua conclusão nesse livro, só outras questões bem importantes que vão ficar para o próximo. Recomendo a leitura porque não é uma fantasia forçada, as explicações para o sobrenatural fazem sentido, embora engraçadas e improváveis de acontecer, e os personagens são daqueles que você quer saber mais, muito mais.

Acredito que seja bem comum ler esse livro e pensar no gato de botas, até porque, o gato desse livro é muito parecido, pelo menos na questão física, com o bichano famoso. Na parte pscicológica são bem diferentes, porém, os dois conquistam fácil as pessoas. É muito engraçadinho ele se referindo a parte interna das suas patas como almofadinhas. É fofo na verdade.

As humanas se apaixonariam por mim de primeira, pois meu charme felino é de dar inveja a qualquer um. Babem fêmeas, o Príncipe Gato está chegando!

O Príncipe Gato - e a Ampulheta do Tempo
Bento de Luca
Novo Século - Novos Talentos da Literatura Brasileira

4 comentários:

  1. Eu tb adorei o livro e lembrei do Gato de Botas hehehe
    Acho que eles, os autores, fizeram um bom trabalho. Deve ser bem difícil escrever com outra pessoa, eu sou bem chata em relação a isso, não sei se conseguiria dividir a escrita com alguém!
    Parabéns pela resenha!
    Um beijo,
    Nica

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  2. Oi Denise!
    Eu queria ler esse livro só por ter gato na história xD
    Mas também não curto quando o autor fica adiantando coisas no final do capítulo. Li algum livro assim recentemente, mas agora não lembro qual era (e tenho certeza que esqueci de comentar quando escrevi resenha).
    Adorei sua resenha, quero ler o livro.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  3. O que me atraiu rapidamente neste livro foi seu enredo incomum. A história parece bem fora de órbita, meio que uma mistura de loucura com uma pitada de sanidade para deixar o texto não tão fora de controle. A história me lembra um pouco alguns desenhos de minha infância, então foi nesse ponto que o livro me ganhou de vez! Essa aventura que Hugo começa a viver depois de encontrar o felino parece empolgante demais! Parabéns pela sua resenha!

    Beijos!
    http://policialdabiblioteca.blogspot.com/

    P.S: Na verdade não é um autor, mas dois autores que escreveram o romance sob esse pseudônimo.

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  4. Ahhhh que fofo!! Amo gatos, sou apaixonada pelo gato de botas (falo sério isso kk) e gostei de saber mais sobre esse livro. Tbm acho q qdo um autor cria um mundo diferent, ele tem que ser detalhista, e essa questão de adiantar no final dos capítulos q no próximo algo importante virá, não gosto mto tbm, há meios de deixar o leitor curioso sem precisar dar tantas pistas assim.
    Uma estória diferente e curiosa, o nome da cidade é tdo de bom né? kkkkk
    Fiquei com vontade de ler!!!
    Bjs
    Daiane
    nouniversodaliteratura.blogspot.com.br

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