Resenha: Miss Brontë

15/05/2012


Charlotte Brontë passou a infância em pequena vila em Yorkshire, Inglaterra, criando com os irmãos histórias de um mundo imaginário. Anos mais tarde, usou a mesma inspiração para escrever célebres obras, entre elas a primorosa Jane Eyre. Mas, apesar do crescente sucesso e da aclamação da crítica, Charlotte almejava algo mais. Integrar-se à glamourosa Londres e conhecer celebridades do mundo literário não era suficiente para preencher o vazio que corroia sua alma. Miss Brontë: Um Romance é uma história envolvente e reveladora, que mostra o outro lado da família Brontë. 

Vai ser a primeira vez que faço resenha de uma biografia, não sei o que vai ser spoiler ou não, mas partindo de que a pessoa em questão tem sua vida divulgada em qualquer site de busca, então o que eu escrever aqui será mais uma visão romantizada (como a do livro) ou de cunho pessoal sobre a vida de Charlotte Brontë.

O livro Miss Brontë conta a estória da vida e morte de Charlotte Brontë, a terceira filha de seis irmãos. Ele não começa com a Charlotte pequena e nem focará muito na infância dela, durante a narrativa temos alguns fleches dela criança, mas só para explicar o porquê de determinadas situações. Somos apresentados logo no primeiro capítulo a Arthur Bell, que tem uma importancia significativa em sua vida e que junto com Charlotte, terá o seu ponto de vista em destaque durante o livro.

Apesar de ser sobre a mais velha das irmãs Brontë, o livro apresenta as pessoas que fizeram parte da vida dela e isso inclui diretamente Anne e Emily (irmãs dela), Patrick (pai), Branwell (irmão), George Smith (editor) além de Arthur. De todos, e não poderia ser diferente, acompanhamos mais a relação dela com as irmãs. As três sempre tiveram uma veia literária, moravam em um povoado longínquo e para fugirem dessa realidade escreviam estórias. Lemos que é por meio do desejo de Charlotte em ser reconhecida como escritora que elas decidem publicar seus livros e dar incio ao que seria o marco Brontë na literatura mundial.

Quando éramos crianças, sonhávamos em ser autoras e, se fizemos algo de importante na vida foi isso: escrevemos.

Ao todo elas escreveram sete livros. Emily escreveu O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights), que foi considerado um clássico somente após sua morte, pois quando publicado recebeu forte crítica e foi considerado impróprio para as moças da época. Anne escreveu A Inquilina de Wildfell Hall (The Tenant of Wildfell Hall) e Agnes Grey ambos também aclamados após sua morte e que quando publicados, tiveram uma notoriedade modésta. Somente Charlotte teve o reconhecimento de seu trabalho em vida, com os livros O professor (The Professor), Jane Eyre, Shirley e Villette. Sendo que Jane Eyre é o mais conhecido.

No ano de sua morte, Charlotte começou a escrever o livro incabado Emma Brown que a escritora e jornalista Clare Boylan viria em 2003, dar continuidade ao manuscrito de 20 pg. da Brontë e publicaria com o nome Emma Brown: A Novel From the Unfinished Manuscript by Charlotte Brontë. Um fato importante e interessante é que as Brontë utilizavam pseudônimos para escrever, o que era muito comum entre as mulheres escritoras, já que era visto com maus olhos esse tipo de atividade feita por mulheres. Emilly assinava o nome Ellis, Anne Acton e Charlotte Currer Bell. Reparem nas iniciais dos nomes dos pseudônimos.

Charlotte era descrita como uma mulher miúda, de saúde frágil, mas de um temperamento e inteligência notórios. Queria para sua vida muito mais do que as moças da época queriam, ela deseja ser reconhecida por seu trabalho, viver dele e ainda assim amar e ser amada. O livro deixa muito claro que todos os seus livros são sobre seus sentimentos e pensamentos em relação ao amor, casamento, submissão e outros assuntos pertinentes a época. Charlotte precisou de uma vida inteira para encontrar o amor em um homem que estava ao lado dela, mas que passava despercebido diante de seus olhos. O tempo pra eles foi um pouco ingrato pois Charlotte só passou alguns meses com Arthur.

... criaria para si mesma a única coisa que desejava com verdadeiro desespero: a condição de amar profundamente e ser amada com a mesma intensidade.

A morte chegou cedo a todos os filhos de Patrick Brontë. Das três, Emily foi a primeira, morreu com 21 anos seguida logo depois da caçula Anne com 29. Já Charlotte foi a que viveu mais, comparada com as outras, porque morreu aos 38 anos depois de 8 meses casada com Arthur. Todos os seis irmãos morreram da mesma doença e uma muito comum para a época.

É claro que eu poderia ficar aqui e contar cada detalhe da vida dela, porque todos pra mim são importantes, mas acredito que o livro perderia a sua essência. Acho que o mais importante foi dito, foi falado sobre seus livros, um pouco sobre sua vida, seu romance com Arthur e principalmete sobre a sua determinação, sobre o fato de ser visionária e querer algo para as mulheres, e pra ela, que a socidade daquela época não permitia.

Não sei dizer pra vocês porquê o livro me emocionou tanto, vai ver foi porque me identifiquei com ela ou porque sua vida  foi tão cheia de adversidades e mesmo assim ela conseguiu o que desejava ... o fato, é que essa biografia não vai sair de mim tão cedo. Ela deve ser a minha identidade literária ou alma, não sei, aquela ou aquele autor que você se identifica em vários níveis e acha que ele está falando com você, e não pra você, algo tão íntimo como uma conversa entre velhos amigos. Isso acontece comigo com outros autores, mas com a Charlotte foi muito mais.

Essa jovem possuía paixão e alma - seria uma governanta talvez, pobre e simples como ela mesma, mas não servil e dócil. Seria inferior ao mestre na escala social, mas equiparava-se a ele nos demais aspectos. Seu nome seria Jane Eyre.

Enfim, acabei me extendendo e escrevendo muito. E pra você que leu até aqui só um conselho: leia sobre as irmãs Brontë. Se dê o prazer de estar na compania de autoras que não tem senso comum para enrendos e personagens. Os livros delas são estórias marcantes e que realmente valem a pena. E esse também, porque você entende de onde elas tiraram inspiração para tais livros. Lembrando que Miss Brontë é uma biografia ficcional, mas só uma parte, e bem pequena é ficção, a outra parte, a grande parte, é a pura genialidade e encantamento de Charlotte Brontë.

Miss Brontë - Um Romance
Juliet Gael
Editora Larousse

11 comentários:

  1. Não conhecia esse livro não. Sabe que ele me interessou? Gosto bastante dos livros das Bronte.Charlotte e Emily, a outra Bronte eu não consegui livro nenhum dela =/ Acho super interessante saber mais da vida dessas autoras. Caramba, quero esse livro!

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  2. Ainda não tinha ouvido falar desse livro, mas deve ser bom de ler, com certeza. Afinal, elas escreveram textos com ideias avançadas para a época, lutaram por seus sonhos. Deve ser muito interessante. Adorei a dica!

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  3. Ganhei esse livro numa promoção já tem alguns meses, mas na verdade nunca senti muita vontade de ler e acabei trocando. Lendo agora sua resenha, meio que bateu um certo arrependimento rs =/

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com

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  4. Interessante ver que as irmãs Brontë usavam a escrita para ir além das limitações do lugar em que nasceram, afinal isso é o que a literatura proporciona: ir além do aqui e agora. Acho muito bom compreendermos mais acerca da vida dos escritores, pois escrever é colocar uma parte de si no papel. Parabéns pela sua resenha, deu para perceber o quanto você se emocionou com o livro.

    Beijos!
    http://policialdabiblioteca.blogspot.com/

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  5. Gosto de resenhas assim: Longas! rsrsrsrs
    Isso demostra que a pessoa gostou da leitura. Achei bastante interessante a capa do livro. Bem diferente e convidativa! Sua resenha me deixou curiosa!
    Bela resenha amiga :)
    Beijos

    http://pollymomentos.blogspot.com.br/

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  6. Já disse o quanto amo O Morro Dos Ventos Uivantes? Acho as irmãs Brontë interessantíssimas, mesmo sabendo apenas por alto sobre elas. Parece ser um ótimo livro, contará com minha leitura em... bom, assim que possível! haha
    Beijinhos!


    Mary
    http://jardimdeborboletas.wordpress.com/

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  7. Esse livro me chama a atençao e com sua resenha fiquei com muita vontade de ler, é tem livros que nos toca mesmo, que a gente de alguma forma se identifica... Eu também não sou muito de ler biografias, mas essa eu leria sem dúvidas!
    Vou dar uma procurada no livro ou ver se alguém quer trocar comigo hehehe
    Fico pensando como foi essa época para elas sabe... querer escrever, mas essa profissão ser vista com maus olhos para as mulheres. Quando eu fui estudar a fundo um pouco da biografia da Jane Austen e Virginia Woolf, me deparei com isso também. É como uma paixão ardendo em seu peito e você não poder mostrá-la ao mundo.
    Gêmea,sempre lerei suas resenhas nem que vc escreva 10 páginas, elas são sinceras, e vc me despertou muita vontade de ler esse livro!
    Bjs
    Daiane
    nouniversodaliteratura.blogspot.com.br

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  8. Oi Denise!
    Eu não conhecia esse livro... E o único livro da Emily Bronte que li foi "O morro dos ventos uivantes" que não gostei. :/
    Mas achei a biografia interessante por ser romantizada. Gosto de livros assim, quando a gente aprende sobre a vida da pessoa enquanto vai lendo uma história.
    Já vi um filme sobre a vida da Jane Austen que era assim, será que esse também vai virar filme?

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  9. Não gosto muito de livros assim
    A menos que seja de uma pessoa que eu goste, ai quero comprar para saber mais da vida da pessoa

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  10. Está entre meus Top desejados! Adoro Jane Eyre, e as irmãs Brönte foram excelentes escritoras. Apesar de suas obras apresentarem uma linguagem um pouco antiga e complicada para quem não está muito acostumado, adoro cada um deles. Sem contar Jane Austen *----*

    Ô época boa, acho difícil encontrar livros tão bons hoje em dia quando a maioria dos lançamentos deixa a desejar...enfim, parabéns pela resenha, ficou muito boa!
    ;*

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  11. ''Gosto de resenhas assim: Longas!
    Isso demostra que a pessoa gostou da leitura'' +1

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