Resenha: Os garotos da minha vida

23/04/2012


Beverly é uma típica adolescente americana dos anos 60 quando um acidente de percurso atrapalha sua vida: ela engravida aos 15 anos. Despreparada para ser mãe, segue com sua irresponsável rotina de sexo, drogas e rock n roll, mesmo depois de se casar contra a vontade. Suas perspectivas de vida são as piores possíveis. Ela encontra dificuldades para continuar estudando e se sente infeliz e perdida. Até que um dia, quando dá dinheiro para o marido comprar remédios para o seu filho e ele desaparece em busca de drogas, ela cai na real, e luta com todas as forças para refazer sua vida.

"Os garotos da minha vida" é um romance autobiográfico dramático e hilariante que se transformou em grande sucesso de bilheteria nos cinemas. 

Quando eu vi a capa desse livro lembrei imediatamente que já tinha visto esse filme a um bom tempo e que gostei muito. Não sabia que tinha livro e logo me inscrevi no Viajante dele pra saber se o livro era tão bom quanto o filme e me surpreendi, porque o filme é tão bom quanto o livro.

O livro é todo em 1º pessoa, sendo autobiográfico é praticamente um diário. Ele começa com a Bev jovem, contando a relação dela com os pais e principalmente com o pai, o primeiro homem de sua vida. É notório o quanto a personalidade dela é forte e decidida. Na década de 60 a imagem do homem provedor e dono da casa ainda era bem forte e Bev era totalmente contra isso. Feminista até a raiz dos cabelos, ela queria ela mesma decidir sua vida e fazer o que os homens faziam, sem sofrer retalhação por isso.

Grávida aos dezessete anos. Divorciada aos dezenove. Presa aos vinte e um. Morta aos vinte e três. Havia uma bela simetria nisso.

Com o segundo homem entrando em sua vida e trazendo com ele o terceiro, a vida dela que já era difícil fica muito pior. Bev se apaixona, engravida e se casa aos dezessete anos com o Ray e vive com ele a sua pior fase. Ela já era bem propensa a fazer coisas erradas e ao lado do Ray ela extrapola de vez. Se envolve com drogas, álcool e roubos é presa e se torna a pária da família. Mas não é nos momentos mais complicados que encontramos força para seguir em frente?

A gente passa por umas coisas na vida que não pode controlar, portanto é melhor aprender com elas do que se deixar vencer por elas.

Inevitavelmente, lendo livros como esse, mesmo que você não tenha passado pelas mesmas coisas, você pensa nas suas decisões e nas consequências delas. Se você está onde deseja ou se ainda falta muito para chegar lá. Como mulher foi dificil não me por no lugar da Bev e imaginar como seria se eu tivesse um filho aos 17 anos. E a escrita da autora facilitou e muito isso, é envolvente e cômica, sem palavras complicadas e de fácil entendimento. E não podia deixar de dizer, cômica quando o desespero de Bev está ao extremo.

- Se as pessoas enfiassem o dedo no nariz quando quisessem, seriam muito mais felizes. Você enfia o dedo no nariz, eu enfio o dedo no nariz, todo mundo enfia o dedo no nariz, então porque fazer isso escondido? Nós ficamos arruinados de tanta socialização.
- Está dizendo que eu devia ter deixado você enfiar o dedo no nariz?
- Estou.
- Francamente, Beverly, não sei a quem você puxou.

De todos os garotos na vida de Bev o mais importante e que aparece mais no livro é seu filho. Não poderia ter sido diferente na minha opinião, pois mesmo pra uma mãe ruim como ela diz que é, o filho muda sua vida e como ela admite, pra melhor. Acompanhamos o crescimento dos dois e o companheirismo deles. É mãe e filho, amigos, irmãos, familia.

Como é dito no subtítulo do livro " ... uma menina mal comportada que se deu bem" a Bev vence, não entrarei em detalhes de como isso acontece e como vocês podem ver pelo título não é spoiler, mas é um fato. O final é como tinha que ser e o que cabe ao livro. Lógico que com muitas pessoas é diferente, ainda mais quando elas tem filhos tão jovens e por isso eu acho válida a leitura desse livro. Mostra que mesmo tomando decisões erradas, nunca é tarde para começar a tomar as decisões certas e comseguir da vida aquilo que se quer.

Embora meu filho fosse um menino bonito, soubesse pedir por favor e dizer muito obrigado, gostasse de me beijar e abraçar, ele era um alienígena pra mim. Eu ainda desejava ter tido uma filha. Mas apesar de ser menino, carcereiro e destruidor da minha vida, Jason era meu maior companheiro.

Os Garotos da Minha Vida - Confissões de uma menina malcomportada que se deu bem.
Beverly Donofrio
Galera Record

Sobre o filme ... Não tinha pessoa melhor para fazer a Bev do que a Drew Beryymore. Simplismente perfeita, deu vida a personagem de uma forma brilhante. O livro é sempre melhor, mas nesse caso valeu a pena ver o filme também. A caracterização dos personagens é muito parecida e bem como eu os imagiava, e o que eu mais gostei foi o ar nostálgico que o final trás. Recomendadíssimo!


11 comentários:

  1. Adorei a resenha. Já vi algumas partes do filme, e não lembro por qual motivo não o vi inteiro. Acho a Drew uma excelente atriz. O livro me parece ser bastante interessante e a história não se difere da realidade atual, adolescentes engravidando e criando seus filhos ao Deus dará. Deve ser uma lição de vida como essa garota "desmiolada" conseguiu crescer na vida.

    Beijos,
    Rafa
    http://laviestallieurs.blogspot.com.br/

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  2. Eu lembro desse filme. Decidi assistir pela Drew e lá fui eu, achando que seria uma dessas comédias românticas. Me enganei! Apesar dos momentos engraçados, a história dura. Realmente nos faz pensar em como uma ação pode mudar uma vida inteira.
    Legal ver essa história por aqui. Sempre atual.
    bjo

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  3. Jura que este filme também é um livro???
    Eu não sabia disto mesmo, mas fiquei feliz pois gosto do filme e acho que gostaria de ler o livro também.

    Vanessa - Balaio

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  4. Nossa nem sabia que tinha livro desse filme.
    Também assisti a muito tempo atrás e gosto muito, fiquei curiosa para ler o livro.

    bjs
    Tais
    http://www.leitorafashion.com.br

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  5. oi, tudo bom?
    Eu também já assisti esse filme há muito tempo atrás e gostei, não sabia que tinha o livro e gostei muito de saber disso.
    Deve ser bom ler o livro e depois rever o filme.
    Território das garotas
    @territoriodg
    Bjss *-*
    Passa lá no blog?
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com/

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  6. Nossa! Eu nem sabia que era um livro Oo já vi o filme também e nem me lembrava dele, mas vi o trailer aqui e lembrei. Caramba, tem um livro *-* adoro isso!

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  7. Uau, eu também não sabia o que era um livro, agora sim fiquei super curiosa, por você dizer que é tão bom quanto o filme.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  8. Assistir ao filme há alguns anos atrás, e não sabia que ele havia sido baseado em um livro, mais na época gostei bastante do enredo do filme, de todas as transformações por qual a Bev passou.
    *bye*

    Louca por Romances

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  9. Olha, durante o ensino médio conhece algumas "Beverlys", infelizmente a maioria dessas garotas hoje em dia estão muito infelizes, mas foi esse o caminho que elas escolheram. Confesso que não tenho pena, até porque informação é o que não falta hoje em dia.
    Não me recordo de ter assistido o filme que foi baseado nesse livro. Parabéns pela sua resenha!

    Beijos!
    http://policialdabiblioteca.blogspot.com/

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  10. ADOREI a resenha! Não sabia do livro e nem do filme, acredita?!
    Vou catar pra ler e assistir!

    Obrigada pela indicação! :)


    :*
    Mi
    Inteiramente Diva

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  11. Gêmea essa é a melhor resenha sua de longe!!!!!! Amei, vc escreveu mto bem e me deixou curiosa como sempre hehehe mas essa resenha tem algo de especial, talvez um sentimento a mais.
    Eu me casei aos 17 anos, não tenho filhos, mas imagino como deve ter sido pra protagonista tdo isso. Pelo q percebi o livro traz um aprendizado, e narrativas assim me encantam, pessoas que são reais, com problemas e pensamentos. E que com o tempo superam e amadurecem!
    Livro anotado aqui!
    Bjs
    Daiane
    nouniversodaliteratura.blogspot.com.br

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