Resenha Nacional: Delacroix escapa das chamas

28/04/2012

  
No ano de 2068, em São Paulo, os habitantes das cidades-cubo vivem protegidos em shopping cities, onde moram, consomem e trabalham. Fora dali, os sem-crédito disputam o território com narcotraficantes, monarquistas (separatistas liderados por Dom Pedrinho de Orleans e Bragança, o dom Pedro III) e outros fanáticos. Neste romance, o crítico de arte Wagner Krupa é protagonista de situações improváveis.

Recebi esse livro da Galera e li ele sem saber muito bem sobre o que se tratava, pois o livro não tem uma sinopse e sim, comentários do jornalista Ivan Lessa sobre ele. Imaginava que seria futurista, mas não com uma linguagem tão confusa.  Como é descrito na capa "Um romance em 4 tempos" o livro é dividido em 4 partes, ou 4 contos. Todos curtos, em 3º pessoa onde o personagem princípal é Wagner Krupa, um crítico de arte egôcentrico e com um linguajar bem chulo. Ele se acha "o" melhor e por isso nos 4 contos, só se mete em problemas. Oi??!

O enredo se passa em uma São Paulo completamente diferente de hoje e é onde começei a ficar bem confusa. O autor criou um novo mundo, mas não explicou quase nada sobre dele. Termos, personagens e situações criadas com nomes e definições diferentes sem explicação sobre o que são e pra que existem. Um expemplo: "Você chama isso de arte? Tatuar um porco?" "Não. Arte é alterar geneticamente o seu corpo para parecer um porco. E depois ser tatuado com desenhos renascentistas." Oi??!

O livro é claramente um protesto contra a sociedade consumista. O que o mundo se tornará daqui a alguns anos? Lógico que o autor é sarcastico ao dar a opinião dele e o livro tem partes realmente engraçadas, no estilo, "não acredito que estou lendo isso". Uma sociedade não muito diferente da nossa onde o que você tem define o que você é, a única diferença é que na São Paulo de 2063 tudo é bem escrachado e aberto. Ninguém tem vergonha de ser consumista assumido e de julgar as pessoas pelo o que elas têm, pelo contrário, vergonha é você não falar dos outros.

A narrativa não funcinou pra mim, porque não vi finalidade em criticar a sociedade dessa forma. O livro me deixou completamente perdida e com uma dificuldade imensa de escrever essa resenha. Sabia que não tinha gostado, mas não sabia porquê. Não sei se foi por causa do protagonista completamente não amável, ou pela quantidade de palavras sem sentido, pelas milhares de situações improváveis de acontecer mesmo em um futuro bem distante ou por todas essas coisas juntas. Só sei que quando terminei de ler, me senti exatamente como o Lessa disse:

“Escrever é isso. Dar uma porrada no leitor, deixá-lo zonzo até o final do livro, batendo sempre, de preferência no fígado. Boa leitura tem que ser pau puro. Escrever é assim, ler é isso. O resto é Paulo Coelho.”

Ah, só pra lembrar que vai ter sorteio desse livro aqui no blog, ainda não sei quando, mas vai ter sim.

Delacroix escapa das chamas 
Edson Aran 
Galera Record

Um comentário:

  1. Uma distopia escrita por um autor brasileiro e ambientada no Brasil, legal! Esse diálogo que você destacou é muito confuso mesmo, estava entendendo, mas quando cheguei no final só pensei: "Mas o que é isso? (Na verdade pensei isso, mas com palavras um pouco diferentes). Hoje em dia, para a sociedade em geral, só valemos o que temos, mas o problema não é pelo que temos de mais valioso (conhecimento), mas pela riqueza (bens materiais). O livro parece bem confuso mesmo, talvez ele seja daqueles que precisamos reler uma ou duas vezes para entendê-lo, né? Bem, parabéns pela resenha! E que no sorteio eu tenha sorte! :D

    Beijos!
    http://policialdabiblioteca.blogspot.com/

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