Resenha: A Linguagem das Flores

25/02/2012


Victoria Jones sempre foi uma menina arredia, temperamental e carrancuda. Por causa de sua personalidade difícil, passou a vida sendo jogada de um abrigo para outro, de uma família para outra, até ser considerada inapta para adoção. Ainda criança, se apaixonou pelas flores e por suas mensagens secretas. Quem lhe ensinou tudo sobre o assunto foi Elizabeth, uma de suas mães adotivas, a única que a menina amou e com quem quis ficar... até pôr tudo a perder.

Agora, aos 18 anos e emancipada, ela não tem para onde ir nem com quem contar. Sozinha, passa as noites numa praça pública, onde cultiva um pequeno jardim particular. Quando uma florista local lhe dá um emprego e descobre seu talento, a vida de Victoria parece prestes a entrar nos eixos. Mas então ela conhece um misterioso vendedor do mercado de flores e esse encontro a obriga a enfrentar os fantasmas que a assombram.

Em seu livro de estreia, Vanessa Diffenbaugh cria uma heroína intensa e inesquecível. Misturando passado e presente num intricado quebra-cabeça, A linguagem das flores é essencialmente uma história de amor – entre mãe e filha, entre homem e mulher e, sobretudo, de amor-próprio.

O livro A Linguagem das Flores é o primeiro que recebo da parceria com a editora Arqueiro, ele era um dos livros que li a sinopse e gostei, mas não me interessei muito. Eu estava redondamente enganada, apesar de ter uma carga emocional intensa, ele foi um dos melhores livros que li até agora esse ano.

A Linguagem das Flores é narrado em primeira pessoa, alternando entre o presente e o passado da personagem Victoria, uma menina orfã que cresceu em lares adotivos. O livro começa com Victoria ja na maior idade e tendo que se virar sózinha, pois não foi adotada por nenhuma família. Descobrimos logo no início que ela tem um fardo pesado a carregar além de ser orfã, algo no passado dela mal explicado que só sabemos o que é no final. 

Victoria é uma moça dura, amarga que utiliza as flores, no caso o seu significado, para passar mensagens para as outras pessoas, na maioria das vezes, mensagens de ódio. Ela aprendeu a linguagem das flores com uma das suas mães adotivas, ela passa o seu conhecimento sobre plantas e Victoria aprimora a técnica e passa a utilizá-la no seu trabalho em uma floricultura. É trabalhando nessa floricultura que ela reencontra Grant, um rapaz ligado ao seu segredo e que a faz se abrir pra vida e enfrentar o passado.

É um pouco irônico não acha? Você estar obcecada com uma linguagem romântica, inventada para que amantes pudessem se comunicar, e usá-la para espalhar a hostilidade.

A carga emocional intensa vem da escrita da autora, sem rodeios ou floreios, a escrita dela é crua e direta. Os sentimentos são expressados de forma rácional por uma personagem que não soube o que era amor e carinho e não sabe lidar com ele, quando os outros demonstram isso por ela. O enredo também é um assunto delicado, adoção na maioria das vezes é um tema triste, pois sabemos que são muitas crianças e poucas familias interessadas o que resulta em várias delas tendo que lidar com a vida sózinha.

É um livro que me tocou pois desde que me conheço por gente, quero adotar uma criança. Não sei se terei filhos biológicos, mas que adotarei uma criança é mais certo na minha cabeça do que qualquer outra certeza. Ler sobre o assunto na visão da criança orfã, me proporcionou vivenciar e sentir como é pra ela o sistema, mesmo que seja em outro país ou a linguagem seja tão crua, ainda assim os sentimentos passam das páginas pra gente. Me tocou por saber o quanto é triste uma vida sem uma família e amigos e mais ainda porque na maioria das vezes, isso não é escolha das crianças e sim, tirado delas.

Talvez os indiferentes, os rejeitados, os mal-amados pudessem aprender a dar amor com tanta adundância quanto qualquer outra pessoa.

Pra mim o livro é sobre esperaça, sobre acreditar na vida e no que de melhor ela pode te proporcionar. Sobre saber escolher o caminho certo, mesmo que os caminhos mais fáceis sejam os errados. O final do livro é muito isso, uma segunda chance pra fazer o que é certo. Estou muito feliz de ter lido esse livro e nem preciso dizer que recomendo demais, postei aqui que ele irá ser adaptado para os cinemas e poderemos de fato ver a Victoria, Grent, as flores e tudo o que envolve esse livro maravilhoso.

Só uma última coisinha, gostei muito da parte gráfica do livro. No final tem um dicionário com o nome e o significado das flores, eu nunca tinha lido sobre o tema, por isso, achei muito interessante além das partes em que se divide serem decoradas com várias flores. Parabéns editora Arqueiro!!

Você tem que querer. Você tem que querer ser uma filha, uma irmã, uma amiga, uma estudante ... Eu nunca quisera nenhuma dessas coisas e as promessas ... Mas, de repente, eu soube que queria ser florista. Queria passar o resto da minha vida escolhendo flores para desconhecidos ...

A Linguagem das Flores
Vanessa Diffenbaugh
Editora Arqueiro

5 comentários:

  1. Pela sua resenha parece ser um livro super fofo...amei!!! Beijinhos, linda!

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  2. A história é belíssima pelo que você fala. Com a sua resenha dá vontade de lê-lo mesmo :)

    P.S: A dor da solidão é a mesma aqui ou em qualquer parte do mundo, logo o aprendizado do livro se aplica à qualquer país. Crianças abandonadas ainda são uma realidade.

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  3. Oi Denise!
    A história desse livro parece ser muito bonita!
    Sabe, me identifiquei com você, porque desde criança nunca tive vontade de ter filhos biológicos, mas pensava em adotar um. Mas isso vai ficar para ser pensado mais no futuro ^^

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  4. Eu tenho vontade de ler esse livro, mas não no momento. E vou esperar a minha vizinha ler pra pedir emprestado. HUAH
    E achei muito legal isso de você querer adotar. Às vezes eu penso nisso também. Engraçado é que tem até mais comentário aqui falando a mesma coisa. Gostei de saber :D

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  5. Ain eu quero tanto essse livrooo... =]

    Tenho certeza d q vou amar amar amar...

    Beijossss

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