Resenha de Ouro: A Abadia de Northanger

16/02/2012


'A Abadia de Northanger' retrata o balneário de Bath, Inglaterra, frequentado por Jane Austen e sua família, na obra protagonizada por Catherine Morland. 

Em meio aos passeios e bailes, a moça conhece outros jovens da cidade, entre eles John Thorpe e Henry Tillney, inseridos no mundo da literatura e da história, revelando assim à ingênua Morland os deleites de grandes romances. 

O general Tillney, pai de Henry, convida o grupo para uma visita em uma de suas propriedades, a Abadia de Northanger, estadia aceita prontamente pela moça animada com o clima de mistério e conhecimento. 

Com os delírios da produção gótica, Catherine entra em um conflito entre ficção e realidade durante suas experiências literárias e estadia na casa, cujo ambiente a remete ao antigo, ao sombrio e ao fantástico.

Esse semestre no curso de Letras, irei estudar uma das minhas autoras favoritas, Jane Austen. Por isso, pedi A Abadia De Northanger pela parceria com a editora Martin Claret para resenhá-lo. A Abadia De Northanger é um dos seis livro (e o terceiro que leio) publicados da autora, o que se sabe é que alguns manuscritos foram terminados pelo irmão dela após sua morte e alguns ficaram inacabados.

O livro A Abadia De Northanger se passa em uma Londres do sec. XVIII e possui as mesmas características de época dos outros dois livros dela que já li, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, mulheres recatadas e casamentos arranjados. Nessa estória vamos acompanhar Catherine Morland, uma moça de 17 anos que nunca saiu do vilarejo que mora e é muito imaginativa e sonhadora, isso porque ama a leitura e também é muito inocente. Ela viaja para Bath com os amigos dos pais e lá ela praticamente desabrocha, se abrem um leque de informações e pessoas novas, e no meio dessas novas pessoas é que ela conhecerá Henry Tillney e encontrará o seu caminho.

... para ser justa com os homens, que embora para a maior e mais frívola parte do sexo masculino a imbecilidade aumente em muito os encantos pessoais femininos, há uma parte deles, rázoavel e bem informada, que deseja algo mais na mulher do que a ignorância.

Dois pontos muito interessantes e importantes me surpreenderam nessa oba. A Jane preza em suas mocinhas a beleza singular, aquela que só é notada quando se para e repara na moça, ela da um maior destaque para a inteligência e astúcia mais do que pra qualquer outra coisa. Porém, isso não se aplica em A Abadia De Northanger, Catherine é tão imaginativa que chega a ser meio boba, às vezes. Ela além de não ter aquele ímpeto que a maioira das heroínas da Jane tem, também não possui beleza alguma. Ri de como a Jane a descreveu logo nos primeiros capítulos ''delgada e cachestra, uma pele pálida e decorada e tão feia quanto os demais de sua família'', e da sua incapacidade de atrair o sexo masculino, isso melhora um pouco quando ela faz 17 anos quando ela passa a ser ''quase bonita''. E o que é engraçado, é que Henry também não é bonito, embora tenha as qualidades que os heróis geralmente possuem.

Outro ponto e o mais importante pra mim, é o livro ser narrado em 3° pessoa, mas esse narrador ser a Jane e ela participar da estória. O narrador pode estar ou não presente na estória, e pode ou não influenciá-la, nesse caso, ele não só participa como conversa com o leitor e antecipa fatos. Você lê, ''a minha heroína'', ''meu romance'', tudo em 1° pessoa, quase como para te deixar intimo da estória. Me pareceu o tempo todo, que ela estava comigo, contando a estória diretamente pra mim, e isso tornou a leitura imensamente mais fácil e gostosa.

Reconheço que está é uma situação nova num romance, e terrivelmente desairosa para a dignidade de uma heroína; mas se for igualmente nova na vida de todos os dias, pelo menos serão meus todos os créditos por uma viva imaginação.

Não posso deixar de comentar a riqueza de detalhes que o livro possui, desde o espaço físico até os aspectos de personalidade de alguns personagens, os que aparecem mais, logicamente tem maior destaque. Eu já tinha ouvido que esse era o livro mais engraçado e descontraído da Jane Austen e realmente, o livro me surpreendeu pela dose de humor e pelo fato de ela conversar comigo enquanto narra a estória. Não tenho muito mais o que dizer, além de leiam. A Jane é uma das autoras mais famosas e reconhecidas não é atoa e se você não a leu ainda, está perdendo tempo.

5 comentários:

  1. Jane Austen é show, eu adorei esse livro quando li, e como vc escreveu Catherine chega a ser msm boba às vezes kkk, o que eu gostei, como vc colocou, é do fato da Jane interagir com o leitor, como que dando uma pausa, conversando, isso na minha opinião revela o quão diferenciada a autora é, o quão a frente do seu tempo, e na citação de Virginia Woolf que tem na capa desse livro, concordo totalmente q a Jane tenha sido na sua época assim como Shakespeare foi na época dele.
    Parabéns pela resenha gêmea!!
    Bjs
    Daiane
    nouniversodaliteratura.blogspot.com

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  2. Miss Austen é sem dúvida minha autora favorita! Acho uma graça como podemos ver em suas obras sua paixão pela leitura - principalmente romances ♥ Adoro como ela consegue fazer a gente suspirar e torcer pelo casal, sem apelo algum a fisicalidade. Northanger Abbey não é o meu preferido, mas de qualquer forma super recomendo :)

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  3. Muito boa a sua resenha, Denise!! Tenho muita vontade de ler esse livro, e, Orgulho e Preconceito... :)

    Beijos

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  4. Já li outras resenhas a respeito e fiquei bem interessada, histórias europeias me chamam atenção e são cheias de glamour.
    Rafa :)
    Blog Melody
    http://rafaacarvalho.blogspot.com/

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  5. seguidora: marinna bastos

    Estou adorando Jane Austen, já li Orgulho e Preconceito e vi todos os filmes rs Não tem como não se apaixonar pelos personagens, principalmente Mr Darcy rs

    Esse livro pelo que vc escreveu parece ser muito bom, envolvente e engraçado. Tenho certeza que irei gostar muito!!

    bjs

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